Da Revista O Grito!, em Olinda

A mesa de abertura da Festa Literária Internacional de Pernambuco, a Fliporto, teve auditório lotado para ouvir as memórias da sobrevivente do Holocausto, Eva Schloss. Autora do livro A História de Eva (Record), a judia que foi prisioneira em Auschwitz respondeu perguntas do jornalista Geneton Moraes Neto e do escritor Moacyr Scliar. Sua presença no primeiro dia da Festa está ligado ao tema deste ano, a literatura judaica na identidade brasileira. “Depois de tudo, eu não os perdôo. Não tenho ódio dos alemães, mas não consigo esquecer o que aconteceu”, disse.

Eva lembrou os dois anos em que passou escondida num sótão com sua mãe e num dos lugares de maior horror na história da humanidade, o campo de concentração de Auschwitz. “Fomos transportados como animais, nos jogavam ração de pão. Havia uma mulher em trabalho de parto, pedimos ajuda, mas ninguém veio e o bebê faleceu”.

Ela falou todos os horrores pelos quais passou com relativa tranquilidade em um inglês carregado de sotaque germânico. Numa das passagens de sua entrevista, Eva lembrou da difícil tarefa de realizar uma triagem nas roupas dos judeus que chegavam ao campo. Para ela o trabalho representava uma tortura psicológica muito grande.

Schloss chegou à Olinda no final da tarde dessa sexta-feira (12). Simpática, a escritora de 82 anos participou de uma rápida sessão de fotos em um típico casarão em Olinda ao lado de Geneton Moraes. Na mesa de abertura, sua participação teve plateia lotada.

A foto é de Tom Cabral/SantoLima

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