Foto: Divulgação.

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Estreia nesta quinta o último longa do diretor Eduardo Coutinho, morto tragicamente no ano passado. Últimas Conversas foi dirigido por Coutinho, mas montado por Jornada Berg e finalizado por João Moreira Salles. Juntos, o trio prestou uma homenagem ao diretor através de uma obra que reflete em cada frame a proposta estética do autor.

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O longa começa com Coutinho na posição de seus personagens, dando uma entrevista a Jordana sobre o projeto do longa. Ele mostra relutância em conversar com jovens, pessoas “que ainda não têm memória” e que “vivem o presente”. Nos últimos documentários do diretor, como os ótimos Jogo de Cena, Edifício Master, As Canções, entre outros, a memória é a forma de Coutinho acessar seus entrevistados.

É também um longa que deixa transparecer uma maior vulnerabilidade do diretor, que passa a interagir mais e até a julgar seus personagens.

“Montar esse filme veio de uma necessidade minha de permanecer com Coutinho mesmo após sua morte”, contou Jordana em conversa com a Revista O Grito!, em abril em São Paulo. “Para algumas pessoas, o luto chegou no dia da morte do Eduardo, para mim, está chegando agora, já que eu pude ficar mais um ano com ele na ilha de edição”, completou a montadora, que passou dez meses cuidando do material deixado pelo documentarista.

Em Últimas Conversas, Coutinho entrevista jovens estudantes do ensino público do Rio de Janeiro. Com a maior interação, em alguns momentos até parece que os adolescentes estão entrevistando o autor. É também um longa que diz muito sobre o momento atual da juventude no Brasil, a política de cotas e a situação da educação. Há espaço até para o debate sobre o embate de classes e o cyberbulling.

“Era algo que poderíamos perguntar ao diretor, caso estivesse vivo”, disse o professor da Universidade Católica de Pernambuco, Claudio Bezerra, que escreveu o livro A Personagem no Documentário de Eduardo Coutinho. “Seus filmes sempre foram marcados por uma performance de seus personagens, mas em Últimas Conversas podemos ver que as vozes de Jordana Berg e João Salles se misturam. É uma bela homenagem”, disse durante debate no Cinema da Fundação, no Recife. [Colaborou Karen Lemos, de São Paulo]

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