PEQUENOS NOTÁVEIS
Por Paulo Floro

O fenômeno não é novo. Independentes e iniciantes, o Sweet Fanny Adams recebe elogios da imprensa e com apenas um EP lançado já são tidos como promissores na cena indie de Recife. Com apenas um mês de banda, se aventuraram no Festival Microfonia, destinado a revelar novos talentos. A banda não venceu, mas hoje, com disco pelo selo Bazuka Discos e shows por outros estados se organizam para conquistar cada vez mais público. Cantando em inglês e com uma sonoridade baseada no indie-rock britânico cheio de guitarras, a banda aponta para novas sonoridades na cena da cidade.

Prontos para aparecer, o grupo produziu o próprio disco e tocou com importantes nomes do rock independente nacional como MQN e Moptop.

Antes de viajar para Belém, onde se apresentaram no festival Se Rasgum no Rock, O GRITO! conversou com Helder Bezerra, guitarrista da banda.

Vocês têm recebido elogios da imprensa e já foram chamados de “promissores” talentos da nova cena de Recife. Como estão encarando isso?
É muito bom receber esse tipo de elogio com tão pouco tempo de banda. Além de ajudar bastante na divulgação da banda, isso nos motiva para que continuemos bem concentrados no nosso trabalho. Apesar dos elogios, a banda só existe há um ano. Há muito que fazer ainda e, estamos muito empolgados com os novos trabalhos.

Do festival Microfonia ao lançamento do EP pela Bazuka Discos, o que podem nos contar de interessante?
O Festival Microfonia foi o início de tudo. Tínhamos apenas um mês de banda. Gravamos tudo na véspera do prazo final de entrega do material, no quarto de um dos integrantes. A repercussão foi bem legal e tentamos, ao máximo, aproveitar essa divulgação que o Microfonia nos proporcionou. A partir daí, surgiu vários shows com bandas de destaque no cenário independente nacional, como o MQN, Retrofoguetes e um mini tour pelo Nordeste com o Moptop. Foi bem proveitoso fazer shows com alguma destas bandas antes mesmo de ter algum material em mãos. O EP foi lançando pelo Bazuka Discos em Julho e, no momento, estamos focados na divulgação deste material.

Todos vocês já eram amigos antes da banda? Como foi o início?
Sempre estudamos no mesmo colégio. Mas, o interesse de tocar juntos só surgiu mesmo ano passado. É aquela velha história básica e chata: amigos de longa data se juntaram para beber e compor.

O rock do SFA aponta uma nova direção para o som feito na cidade? O que acham das novas bandas de Recife?
Não. Somos, apenas, mais uma banda de rock na cidade. Recife tem muita banda legal. Tanto nova quanto antiga. Só falta uma maior movimentação na cena para que estas bandas possam, realmente, mostrar seu potencial.

Vocês produziram e gravaram o disco sozinhos?
Sim. Na verdade, gravamos estas músicas sem pretensão nenhuma de lançá-lo como EP. Era só um modo de divulgação por Internet mesmo. Até que o coletivo Coquetel Molotov escutou e resolveu lançá-lo pelo Bazuka Discos. Curtimos bastante gravar e produzir sozinhos, mesmo sem recursos. Queríamos apenas passar para o público como era o som da banda, algo simples e direto, sem nada muito produzido.

Planos para o primeiro álbum? Irão continuar com o projeto gráfico e conceito musical do EP?
Gravar o primeiro álbum é bastante delicado. Não estamos com pressa. Não queremos lançar de qualquer jeito para apenas ajudar na divulgação da banda. Estamos trabalhando bastante nas composições e só queremos lançá-las quando tivermos 100% satisfeitos com o resultado final das músicas. Além disto, não pretendemos gravar um álbum por aqui por Recife, o que torna mais complicado devido a recursos financeiros. Quanto ao projeto gráfico, sim, continuaremos usando a mesma base.

Vocês têm shows agendados em Belém. Como é um show do SFA e quais os planos para shows mais distantes?
Nós sempre temos uma preocupação mínima com os nossos shows, iluminação e qualidade do som. Sempre tentamos fazer nosso máximo para proporcionar uma experiência agradável para as pessoas que foram nos assistir. Estamos indo tocar no Festival Se Rasgum no Rock, em Belém e, já há contatos e planos para descer para o sudeste em breve.

O gênero indie-rock se encaixa bem no som da banda?
Não nos preocupamos em rotular o som da banda. Fazemos nossas músicas do jeito que nós gostamos. Acho que “indie” define um jeito de gerenciar as atividades da banda, com recursos próprios e sem contrato com grandes gravadoras, e não um gênero musical.

Uma parte do jornalismo especializado tem um preconceito com bandas brasileiras que tocam em inglês. Qual a importância que o idioma tem no som da banda?
O idioma é de extrema importância para a banda. A língua é fundamental para o resultado final da melodia da música. Não houve uma decisão sobre em que idioma iríamos cantar. Foi totalmente natural as primeiras composições surgirem em inglês. Crescemos ouvindo músicas ,dos mais diversos gêneros, em inglês. Não ligamos para este tipo de preconceito. Sempre vamos fazer o que curtimos e do nosso jeito, independente se uma parte critica ou se é mais difícil integrar na cena nacional com outro idioma.

Vocês tocam Gang Of Four nos shows. Quais as influências diretas no som de vocês?
Tocamos Gang of Four, porque é uma banda que nós escutamos muito. Ouvimos muita coisa, antiga e nova, de Velvet Underground a Death From Above 1979, de Stooges a Tv on the Radio, de Joy Division a Klaxons. Somos ávidos consumidores de música e tudo que ouvimos tem influência no nosso som, é difícil dizer o que influencia mais ou menos.

Achei bem interessante o conceito visual da banda (o EP, o MySpace, o logo). Podem falar um pouco sobre isso? E quando o site fica pronto quando?
Nos preocupamos bastante com o conceito visual e estudamos bem quem faria todo o projeto para a banda. Apesar de tudo ser preparado em poucos dias (logo após o convite do coletivo Coquetel Molotov para lançar o EP), ficamos bastante satisfeitos com o resultado final. Temos todo um projeto gráfico, mas que, por enquanto, não está sendo viável fazer a produção inteira pelo eterno problema de falta de recursos. O site é um destes quesitos. Por enquanto, estamos utilizando o MySpace como foco principal.

Qual o tema principal da música do SFA? Como é feita as composições?
O tema principal é não ter tema principal. Escrevemos sobre o que estamos passando, sobre um livro que lemos, sobre um amigo, sobre mulher. As composições são bem democráticas, tudo é feito em conjunto. Alguém chega com uma idéia de música, nós desenvolvemos juntos, alguém leva pra casa, coloca uma letra e traz de volta. Vamos construindo as músicas aos poucos e, às vezes, mudando e acrescentando mais idéias com o tempo.

Aonde esperam estar num futuro próximo?
Queremos primeiro finalizar o projeto básico de tocar pelos principais festivais e cidades do país e gravar nosso primeiro disco.

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