O carioca Phelipe Cruz é dono do Papel Pop, um dos blogs mais divertidos da internet. A idéia do blog é cobrir o mundo da cultura pop com muito bom humor. Mas sua fama foi conquistada, principalmente, por mostrar celebridades em situações desconfortáveis. Com mais de 40.000 visitantes diários, é um projeto bem-sucedido do recém-formado em Jornalismo, que começou com o antigo blog Philipinas a falar sobre o mundo do entretenimento.

Graças à visibilidade que conseguiu com o Papel Pop, Phelipe conseguiu um emprego no site da Capricho, planeja comprar um apê em NY e pedir dicas de estilo à Britney. De São Paulo, falou por email com O Grito! para esta entrevista que inaugura a sessão com personalidades da Imprensa. Por Paulo Floro

O GRITO!: Como surgiu o Papel Pop?
Phelipe Cruz: Criei o Papel Pop porque queria fazer algo maior, mais profissional e mais organizado que o blog antigo, o Philipinas. Antes eu falava muito sobre mim, publicava os contos que escrevia (que raramente faziam sentido no meio dos posts) e não tinha um foco especial em cultura pop: cinema, televisão, música e celebridades. Mas não vejo muita diferença entre os dois. O Papel Pop continua tendo as mesmas asneiras e as melhores novidades do mundo pop, só que de forma mais organizada.

O Papel Pop é bastante ácido em alguns comentários. Aqui no Brasil, você já recebeu alguma crítica negativa de alguém citado nos posts?
Não. Prefiro acreditar que as pessoas entendem que estou somente brincando e que a minha acidez é só para disfarçar o doce de pessoa que eu sou. Não ficou fofa essa resposta?

Você agora trabalha no site da Capricho. Este emprego foi consequencia direta do sucesso do site?
Eu acredito que sim. Quando me chamaram para ser o editor do site da Capricho, o Núcleo Jovem da editora Abril já conhecia o Papel Pop. Trabalhar aqui é ótimo e muito divertido. As meninas que lêem o site da Capricho são muito interessadas em cultura pop, cinema, música e ídolos. O meu grande desafio, no entanto, é trazer a novidade para essas internautas. E isso é uma tarefa complicada porque atualmente elas já sabem de tudo antes de todo mundo.

O blog já teve um retorno financeiro?
Já teve, está tendo e espero que continue assim por um bom tempo. É que eu preciso comprar um apartamento em Nova York.

Nos Estados Unidos, os blogs são bem respeitados como mídia, sobretudo os blogs políticos. Como você acha que funciona aqui no Brasil?
Não só os blogs políticos são respeitados como mídia poderosa nos Estados Unidos. Aqueles especializados em música, celebridades e cinema (como o Stereogum, o JustJared e o próprio PerezHilton) são constantemente chamados para cobrir festas importantes do mundo do entretenimento nos Estados Unidos. Os norte-americanos já perceberam a força dos blogs. Muitos blogs têm mais leitores que jornais e revistas atualmente. No Brasil, para variar, a história é diferente. Aqui também existem blogs famosos e muito acessados, mas eles ainda são vistos como algo menor, não confiável e que não podem ser levados à sério.

A brincadeira com a foto de Marta Suplicy foi tirada do ar. Houve algum tipo de censura, mesmo que discreta?
Não houve. Eu tirei do ar porque não gostei. Ri quando vi pela primeira vez, publiquei por impulso, mas a brincadeira perdeu a graça alguns minutos depois e pareceu agressiva demais para mim. Mas não que a Marta Suplicy não mereça a zoação… [Nota do Editor: A foto de Marta fazia referência ao polêmico “relaxa e goza” dito pela ministra sobre o caos aéreo. Na foto, um pênis derramava sêmen na cara de Marta ao simples clique no mouse.]

Qual celebridade gostaria de encontrar ao vivo?
Britney Spears. Queria pegar com ela algumas dicas de estilo e bom comportamento.

Incrível celebridades como Britney renderem tanta audiência no auge e na decadência. Posts estrelados por ela são recordes de comentários, teve um com mais de 200…
Não é impressionante a quantidade de gente que adora a Britney? Eu sempre fico assustado.

Como foi a experiência de cobrir a área política durante um tempo, como você cita no Papel Pop?
O assunto é chato e monótono, mas eu consegui me divertir mesmo assim. Salvas algumas exceções, se você pensar bem, os políticos não são muito diferentes das celebridades. Eles também estão ali para agradar o público, dizer muita asneira para aparecer, vestir roupas estranhas e fingir que se interessam pelo bem do país ou do mundo.

O que você anda ouvindo? Como foi a experiência de Dj?
Eu ando ouvindo Amy Winehouse sem parar. A cantora britânica tem atitude, música boa, canta como as divas do jazz, é extremamente autêntica e deve ficar por aí por um bom tempo (para a minha felicidade). A música pop precisa de gente como a Amy Winehouse. Eu não sou DJ. Diz que eu sou um “cara que toca músicas boas uma atrás da outra”.

Quais blogs são referência pra você?
Se eu citar só alguns vai ser covardia porque eu leio trocentos blogs por dia. Mas eu só leio blog bom. E blog bom para mim é aquele que traz novidade, que não abusa da paciência (e da vista) do leitor de internet ao fazer textos gigantes com letras minúsculas, que diverte, tem personalidade, que não fala sobre o que comeu no almoço e que publica foto tosca da Britney. Assim é legal!

Se tivesse o dinheiro de uma Paris Hilton…
Eu teria uma amiga chamada Nicole Richie, iria em todas as festas do mundo, dirigiria embriagado e depois refletiria sobre a minha vida na cadeia. Eu seria bem original.

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