PATO FU ENXERGA O FUTURO

O Pato Fu é uma banda independente do conceito à forma. Depois de sucessos nas rádios, clipes vanguardistas e prêmios, a banda mineira nunca abandonou suas referências. Este mês, lança seu nono disco, Daqui Pro Futuro, apostando na distribuição independente e no formato digital.

Fernanda Takai falou à Revista O GRITO! como mãe, cantora, esposa. “Sou pós-graduada em gerenciamento de múltiplas rotinas”

Por Gilberto Tenório

O GRITO! – Você afirmou em recente entrevista: “melhor ser a maior banda independente do país do que ser a menor do mainstream”.Como você analisa essa nova fase do Pato Fu?
FERNANDA TAKAI – Hoje é mais divertido e ágil ser independente. Temos estúdio, editora, produtora de shows, uma facilidade de gerenciar tudo que envolve nosso nome. Acho que foi um caminho de volta natural, amparado claro, por 15 anos de muito trabalho.

Fale um pouco sobre o novo esquema de distribuição dos CDs da banda.
Lançamos para download mais de um mês antes do lançamento do disco físico com exclusividade na UolMegastore, que hoje é um dos maiores distribuidores de música digital do país. Existe um público que não consome mais música de forma convencional e ainda quer pagar por um álbum ou uma canção legalizada. Sei que o disco já está disponível no Orkut e em vários sites que compartilham arquivos por aí, mas é algo que não podemos lutar contra. De um jeito ou de outro nossa música está chegando às pessoas. Agora no fim de agosto sai o CD distribuído aqui e lá fora pela Tratore, que é uma empresa que já estávamos namorando há um tempinho. Eles são muito competentes e interessados em fazer um bom trabalho. Acho que fizemos a escolha certa!

“A banda está num momento criativo forte, além de manter a saúde nos relacionamentos pessoais. Foi um dos discos mais desestressados que gravamos”

Você acredita que a venda de CDs no estilo tradicional das grandes gravadoras está com os dias contados? Qual sua opinião sobre downloads?
Eu faço downloads, mas ainda compro CDs. Sou parte da virada de público que está vivendo esses novos tempos. Eu não deixo de comprar os discos de meus artistas preferidos, coleciono mesmo. Não dá pra ir contra isso e ficar reclamando. Só espero que a gente consiga continuar a viver de música de alguma forma. O mais difícil é a questão autoral, pois nem todos criadores tem a renda de show pra se manter.

A história da banda sempre esteve ligada à da MTV, onde vocês fizeram alguns projetos, além da participação constante dos videoclipes do Pato Fu na programação. Você acha que a decisão da emissora de abolir a exibição de vídeos na maior parte de sua programação atrapalha a divulgação do trabalho das bandas?
Nós gostamos genuinamente de fazer videoclipes e não vamos deixar de fazê-los porque o espaço diminuiu. A MTV foi importante pra nossa geração do início dos anos 90 porque a internet ainda não tinha essa força toda e além de raríssimas exceções no rádio, só a MTV dava espaço aos novos artistas.

Como foi o processo de criação deste novo CD?
Foi bem convencional. Bloquinho de idéias, violão na mão. Risca, rabisca. Cuidamos mais das composições na origem para só então ir pro estúdio. Gravamos e mixamos aqui em casa durante a turnê do “Toda Cura…” que começou em julho de 2005 e só agora vai entrar em fase de transição com a nova porque não paramos. Foi muito bom perceber que a banda está num momento criativo forte, além de manter a saúde nos relacionamentos pessoais. Foi um dos discos mais desestressados que gravamos. Acho que dá pra perceber pela suavidade do disco inteiro.

A versão de “Cities in Dust”, do grupo inglês Siouxsie & The Banshees, quer mostrar um Pato Fu mais “punk-gótico”? De quem foi a sugestão desta música para integrar o repertório?
Não que seja isso literalmente. Acho que nossa fase mais inglesa-dark foi o Ruído Rosa. Siouxsie & The Banshees é parte importante do conjunto de artistas que ouvíamos muito quando adolescentes. O rock inglês é uma influência comum a todos nós aqui no Pato Fu. A idéia surgiu quando fomos tocar em Londres no ano passado e resolvemos colocar uma canção que pudesse nos aproximar de um público que talvez não soubesse nada sobre a gente. Nos discos anteriores sempre fizemos versões de outras músicas que gostamos e sempre de forma bem diferente da original.

Certamente sua maternidade influenciou neste último trabalho. Como a “mamãe” Fernanda Takai anda atuando em família?
Na prática, influencia no meu tempo mais limitado porque gosto de acompanhar de perto os passos de minha filha. Gosto de cozinhar, de cuidar da nossa casa, dos bichos e ainda preciso atender à toda a demanda que ser uma vocalista de banda me exige. Tenho entrevistas todos os dias, seja pessoalmente, por telefone ou email. Viajo muito a trabalho, então acho que estou me tornando pós-graduada em gerenciamento de múltiplas rotinas (risos). Fiquei feliz por poder ter escrito algumas canções deste disco e acho que a maternidade me fez uma pessoa mais atenta ao que acontece à minha volta.

Você e o John, assim como os demais integrantes da banda parecem nunca brigar. Houve alguma divergência quanto ao novo caminho tomado?
A gente discute sempre quando tem alguma decisão a tomar, mas nossos objetivos musicais nunca divergiram muito. Às vezes demoramos mais a definir a cor da nova camisa da banda, foto de divulgação, cardápio do almoço, mas sobre os rumos da nossa música e carreira, temos uma ótima sintonia.

O que você tem ouvido ultimamente? O que destacaria nessa nova safra de cantores do rock-pop mundial?
Sem dúvida, a Érika Machado daqui de BH, a Luísa Maita de São Paulo, os Supercordas do Rio. Em casa ouço sempre os meus favoritos: Suzanne Vega (que acabou de lançar disco), Aterciopelados, Pizzicato Five, Nara Leão, Roberto Carlos. Mais música calma.

O Pato Fu já pode ser considerada uma banda veterana. O que você acha que mudou ao longo da trajetória da banda?
Espero que tenhamos nos tornado melhores compositores, músicos e cantores, no mínimo. Lançamos 9 álbuns, 3 DVDs, temos uma carreira cheia de bons momentos. A banda é a mesma, tentamos evoluir no conceito das idéias que temos sobre o que é fazer um disco, montar um show pra correr o Brasil e o mundo, se possível. Temos mais clareza sobre como é viver de música, por isso acreditamos mais do que nunca em nossa banda.

“Demoramos mais a definir a cor da nova camisa da banda, foto de divulgação, cardápio do almoço, do que sobre os rumos da nossa música e carreira”

Quais os planos para uma nova turnê do Pato Fu?
Ela deve estrear em setembro, quase num “crossfade” entre a antiga. Já estamos tocando algumas músicas novas nos shows e também ensaiando algumas coisas que ficaram de fora de outras turnês. Tomara que tenha muito trabalho pela frente.

Como você vê o Pato Fu “Daqui pro Futuro”?
Sempre trabalhando no ritmo que escolhemos para o momento. Se a gente vai continuar a lançar mais discos e mostrar nossas canções ao vivo a todos, só vai depender de nossa vontade. Hoje ela existe com muita força.

RESENHA DO MAIS NOVO TRABALHO DO PATU FU, DAQUI PRO FUTURO

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