SUJO E COLORIDO
Por Breno Soares

Multiplex (Divulgação)

Impossível não dançar quando o Multiplex e sua música de alma retrô toca. Com influências do glam, electro e punk, a banda de São Paulo percorre o circuito underground com seu apelo pop oitentista.

Formado em 2002 por Leandro Cunha (letras, vocais, danças), Bruno Palazzo (baixo e programações) e Maurício Fleury (guitarras e teclados) levam seu público a acompanhar seus temas de solidão, drogas, vida jovem e cotidiano urbano em série de shows com platéia cheia. As referências da banda passeiam tranqüilamente por várias épocas e estilos diferentes, David Bowie, punk rock, Iggy Pop, discoteque, Roxy Music, Chic, Talking Heads, Justice, Daft Punk, Kraftwerk e Secos e Molhados.

O disco está sendo gravado cuidadosamente, e sai no final do ano. “Não podemos apenas dar uns gritos e apertar alguns presets. Para isso já existem as outras bandas”, afirma o Leandro, fã de Sparks e Queen. O vocalista falou com O GRITO! por email.

Multiplex (Divulgação)

Como se deu o início do Multiplex?
Sempre tivemos amigos em comum; freqüentávamos as mesmas lojas de discos, os mesmos clubes. Na época eu tinha acabado de sair de uma banda que eu tinha com uns psychos, e resolvi levar minhas músicas adiante. Gravei “discomplique” e “zumbido” sozinho, só eu e o produtor, o Wendel, com a ajuda de um guitarrista que na época estava deixando de tocar com o Maurício. A partir dai resolvi montar uma banda pra fazer live PA nos clubes e noites de electro, que estavam em seu início mesmo, e tocamos em todas, praticamente, naquela época, ainda que nunca tenhamos alcançado o mesmo reconhecimento do No Porn, por exemplo, ou de bandas que nem existem mais, como o 2yummy, ainda que a gente seja bem mais legal (risos). Depois de umas quatro apresentações, os integrantes originais saíram, o Maurício Fleury (guitarra e teclados), entrou pra banda, se juntando a mim, Leandro Cunha, nos vocais e ao Bruno Palazzo, que está desde o começo comigo, tocando baixo e programações.

Já são cinco EP's. Foram materiais gravados para divulgação apenas, ou já se pode comprar discos do Multiplex?
Agora não dá mais, esgotou tudo, e estamos pra lançar um EP novo logo, logo.

Numa ocasião vocês foram chamados de “Dirty Glam” pela revista G. Como a banda se vê dentro desses rótulos? A banda se declara dentro de algum estilo?
Achei bem simpático esse. Já nos compararam com tantas coisas, nem sei mais o que pensar, sinceramente. Fazemos rock e música eletrônica combinadas. Velvet Underground com Magazine, Human League, Iggy Pop com Daft Punk. Claro que muita gente já falou de tudo pra mim, comparando o nosso som com Ronaldo Resedá, Sisters of Mercy, Talking Heads, Tom Jones, Que Fim Levou Robin, Ney Matogrosso, Roxy Music. Eu sempre ouço e agradeço com um sorriso, mas tendo a achar que uma definição, geralmente, fala muito mais a respeito de quem a emite, das suas referências pessoais, do que do objeto analisado.

Quanto ao disco que está sendo gravado e que tem previsão para o final do ano, como está indo?
O prazo de lançamento ainda é o final do ano? Existem muitas coisas sobre as quais eu nada sei, como alienígenas, honestidade da classe política, ritos da igreja católica, só pra dar um breve exemplo, e entre elas eu incluiria qualquer noção sobre o disco do Multiplex. Estamos fazendo, mas não sabemos quando vai sair exatamente. Pode ser pro final desse ano ou pro começo do outro.

Quais as expectativas para o disco novo?
Que seja o mais bem feito possível, e que transmita muitas das qualidades que julgo essências para um disco legal, aquela sensação de que você está diante de algo que foi feito por gente genuinamente esquisita, original.

Para o disco novo a banda está preparando alguma coisa que não está incluído no repertório atual?
Nosso primeiro disco terá o melhor do material que temos tocado ao longo desse tempo, e eventualmente algo novo e inspirado que aparecer, mas provavelmente não teremos covers do Roberto Carlos ou coisas desse tipo na manga até lá.

Algum show no Nordeste em vista novamente, mais especificamente em Pernambuco?
Em breve, no começo do ano, estaremos de volta ao Nordeste. Tenho muita vontade de ir até o Recife e conhecer o que está rolando aí. Foi muito legal termos tocado em Fortaleza.

Algumas bandas novas que estouraram no mercado underground nacional saíram para fazer sucesso fora do país como o Bonde do Rolê e o Cansei de Ser Sexy e, em uma entrevista com o Montage eles disseram que estão com alguns shows em vista na Europa para o final do ano. O Multiplex está interessado no momento em focar algum esforço para carreira internacional?
Tem alguma convite em vista? Não temos convite, e eu, sinceramente, não penso nisso por hora. Somos uma banda working-class e esse negócio de ir pra fora pode até rolar uma hora, mas no momento concentro meus esforços no Brasil mesmo. Quero lutar, ainda que muitos achem que a melhor saída pro país seja o aeroporto, e que isso e aquilo. No fundo somos todos desonestos.

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