Lourenço Mutarelli (Foto: Fred Chalub)
Lourenço Mutarelli (Foto: Fred Chalub)

AUTOR EM TRÂNSITO
Por Germano Rabello e Paulo Floro

Mutarelli é um caso raríssimo no panorama das artes brasileiras. No mercado editorial do final dos anos 80, ele era um peixe fora d’água. O seu trabalho corria pelas beiradas de um mercado nacional que tinha como principais expoentes no momento a geração das tiras: Angeli, Glauco e Laerte. Publicou seu primeiro zine em 1988 com a ajuda do quadrinista Marcatti, e algumas participações em revistas como a Animal vieram em seguida. Ironicamente, Mutarelli então trabalhava nos estúdios Maurício de Souza. Em 1991 conseguiu publicar seu primeiro álbum de quadrinhos, um grande feito para um desenhista pouco conhecido. Transubstanciação foi também o primeiro álbum do que ele chama sua fase “Heavy Metal”: ele enchia as páginas com personagens e situações expressionistas ao extremo, com um visual excessivo, roteiros cheios de angústia. Havia também um senso de humor estranho. Depois, ele ficaria conhecido nas HQs pelo personagem Diomedes, numa trilogia em quatro partes (!).

Autoretrato/ Lourenço Mutarelli para o livro A Arte De Produzir Efeito Sem Causa (Companhia das Letras)Depois de sua decisão de parar de fazer quadrinhos, Mutarelli vem avançando a passos largos pela literatura, teatro e cinema. Na defesa de uma expressão mais nova, ele abandonou temporariamente um território onde estava estabelecido. O Cheiro do Ralo, seu romance de estréia de 2002, foi adaptado com sucesso para as telas e Mutarelli inclusive participou desta produção como ator coadjuvante. O Natimorto vai seguir o mesmo caminho dos livros para as telas. Como o próprio Mutarelli já declarou, o processo de realização de um livro de prosa é pra ele muito mais rápido e menos trabalhoso do que a feitura de um álbum de quadrinhos. O mais novo livro, A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, vem com o respeitado selo da Companhia das Letras – da qual Mutarelli afirma ter recebido um tratamento muito mais profissional do que pela Devir. Apresentando uma trama com um personagem disfuncional, o escritor recheia o livro com pequenas ilustrações-diagramas que dão um vislumbre do processo de deterioração mental do protagonista.

São novos caminhos abertos, novos horizontes artísticos para uma mente inquieta, que mantém um olhar afiado e atento para as questões humanas. Foi depois de um debate sobre a relação entre literatura e quadrinhos que fizemos esta entrevista com o escritor. Em mais ou menos uma hora de conversa, Mutarelli nos brindou com reflexões interessantes e sinceras, que nos ajudam a desvendar melhor a sua obra. Sentados no chão de uma Livraria Cultura lotada num domingo em Recife, começamos a entrevista

A primeira fase do seu trabalho teve histórias muito carregadas, muito visualmente excessivas, e parece que o trabalho foi se depurando, ficando com um visual mais limpo. De repente, você chegou à literatura. Me pareceu uma caminhada, uma depuração.
Mutarelli: É possível. Eu nunca tinha relacionado tudo numa mesma linha. Eu relacionava numa linha aos quadrinhos. Tem o que chamo de fase negra, como Transubstianciação, que inclusive a capa é preta mesmo. Antes da trilogia do Diomedes, por exemplo, lancei antes uma coletânea, que é o Seqüelas, com uma capa colorida. Antes da Caixa de Areia, que considero uma transição, fiz outra coletânea. Quando decidi mudar de editora, lançei uma coletânea de teatro, então percebo que as coletâneas meio que marcaram uma mudança grande.

No começo é aquele excesso de imagens, de hachuras. Com o tempo não era só o traço que eu ia desorbitando, como a própria temática. Busquei pôr mais delicadeza, achava que tinha uma pegada forte demais, desnecessária. Eu costumo falar que no começo eu me “expressava” e a partir de um tempo passei a me “comunicar”. Antes eu gritava e depois passei a, talvez, dialogar.

Essas coletâneas também serviram para você fazer uma revisão da sua obra?
M: Não. Geralmente eram para cumprir um prazo, publicar alguma coisa. Eu tinha um contrato, então tinha que publicar algo. Juntava alguma material quando estava num processo de mudança, pra poder experimentar uma coisa nova onde precisaria de um tempo maior. Então pra não ficar um lapso eu acabava soltando uma coletânea. Tinha gente que perguntava o que eu fazia antes do Transubstanciação, e eu tinha muito trabalho em fanzines e algumas ilustrações. Eu queria juntar tudo isso pra não ficar disperso. Mas eu acho horrível Seqüelas, [primeira coletânea] mas tem uma história que eu gosto, “Resignação”, que também saiu na revista Brazilian Heavy Metal.

Teve uma história, “O Nada”, que você desenhou três vezes.
É. E ficava uma bosta a cada vez que eu desenhava (Risos). A primeira é a melhor. A segunda eu tentei fazer algo próximo do underground americano, mas eu nunca fiquei feliz com o resultado. Nem sei porque insisti tanto.

Tem alguma historia que você gostaria de retomar ou refazer?
Não. Nesse caso específico, foi que eu nunca gostei do resultado e ficava tentando e nunca cheguei onde eu queria com essa historia.

A Devir sempre me ajudou muito, mas nunca acreditou no meu trabalho. Com o tempo isso foi criando um desgaste. Eles não queriam lançar Cheiro do Ralo, queriam só publicar quadrinho

Te ocorreu em começar um romance e querer adaptá-lo para os quadrinhos?
Não. A editora [Companhia das Letras, atual de Mutarelli] até sugeriu isso mas eu acho que são coisas bem distintas [HQ e literatura]. No cinema eu permito adaptação porque ganho uma grana e também porque são outras pessoas adaptando. Eu gosto de dar essa liberdade de criação às pessoas. Antigamente eu era muito obcecado, tinha preocupação em construir um cenário, dava muito atenção aos detalhes, eu gosto de construir uma história com pouco, construir um ambiente com o mínimo. Eu ouço muito minimalismo, ouço muito música concreta, acho que isso me influenciou muito. Eu tento agora montar tudo e contar uma história com o mínimo de peças.

Com a Devir, você consegui se tornar conhecido como quadrinhista, foi nela que você teve uma maior visibilidade até mesmo entre a crítica. Como você vê o seu período na editora desde o início até sua saída? O que você acha que ela representou?
As que vieram antes também têm uma coisa interessante, porque tirando Transubstanciação, que saiu pela Dealer, todas as outras foram publicadas pela mesma editora só que com nomes diferentes. É que o cara sujava o nome, fechava a editora, se mudava e abria outra. Era Lilás, Vidente,Vortex, acho que eram essas. E a Devir, eles sempre me ajudaram muito, mas eles nunca acreditaram no meu trabalho. Com o tempo isso foi criando um desgaste. Começou com o Cheiro do Ralo, quando outras editoras passaram a se interessar, começaram a me procurar. Ele foi editado por acidente, um acaso, já que a Devir não queria publicar romance meu, só quadrinho. Até o Arnaldo Antunes intercedeu para a publicação do material.

Eles também exigiram que eu fizesse a capa, e eu não queria fazer, queria uma foto ou algo do tipo. Enfim, eu percebi uma reticência deles. Também achava que a Devir era muito fraca em livro [de romances] e, se eu quisesse explorar mais o romance teria que sair de lá. O Cheiro Do Ralo, um dos meus editores nunca leu. O meu livro seguinte, O Natimorto, eu tive que lançar por uma outra editora que acabou falindo [a pequena DBA]. Quando o pessoal da Companhia das letras me procurou, referente a um livro que eu tinha mandado para eles, eles procuraram um editor pra mim, tive revisão, coisa que eu nunca tive na Devir. Pelo contrário, às vezes encontrava erros que não estava no material digitalizado. O que eu pedia também era uma distribuição melhor, porque a Devir é muito ruim, ninguém encontrava meu trabalho. No mais, a Devir foi legal porque eu pude experimentar. Acho que a nossa relação não foi tão boa pra eles quanto foi pra mim.


Capas de O Dobro de Cinco, O Rei do Ponto e A Soma de Tudo 1 e 2 (Devir)

Você acha que esse desgaste na Devir contribuiu com a sua decisão de não fazer mais quadrinhos?
Eu parei de fazer quando começou um conflito do qual nunca falei muito a respeito. Em A Soma de Tudo Parte 1, eu desenho um dos editores. Era uma homenagem que fiz pra ele, mas ele não gostou. Então eles exigiram que eu retirasse ou iriam recolher, o que acabaram fazendo em Portugal, onde já tinha sido lançado 4 volumes e na Espanha eles lançaram só o 1º e o 2º. Era uma forma de me pressionar para mudar, mas não mudei. Aqui no Brasil, eles não recolheram porque já tinha saído, mas ultimamente tem sumido os 2 primeiros volumes, e pode ser que não seja mais encontrado no futuro. Nunca tinha sofrido censura, achei um absurdo eles exigirem que eu mudasse a história. Depois eles cobraram mais Diomedes [personagem de O Dobro de Cinco, Soma de Tudo, etc], porque a série tava indo bem, mas eu queria fazer outras coisas como Caixa de Areia.


Selton Mello encarna Lourenço Mutarelli no longa O Cheiro do Ralo, adaptação do autor com mesmo

Eles ainda têm direito sobre as obras?
Eles não têm direito sobre nada. A gente não tem nenhum papel assinado. Vai começar uma briga logo, logo porque têm outras editoras interessadas nesse material. Quando Cheiro do Ralo saiu nos cinemas, eles não quiseram nem lançar uma segunda edição. E teve editoras grandes que quiseram lançar o livro, mas eu não quis, porque achei antiético. Mas eu penso em algum momento rever o que farei com o material que tenho lá, repensar essa coisa de contratos. Eu saí da Devir numa boa, conversei com eles, mas parece que eles ficaram com raiva de mim.

E na Companhia das letras você tem um contrato?
Sim. Tenho um contrato para esse e planos para mais dois livros. Tem um que eles gostam, mas não gosto do jeito que ele tá finalizado, então tenho que modificar algumas coisas. Mas claro, tudo vai depender da venda deste primeiro.

Eles têm interesse no seu material antigo?
Sim. Eles querem reeditar Natimorto que vence contrato este ano para aproveitar a lançamento do filme ano que vem. Mas também têm interesse em coisas antigas minhas.

Eu queria saber qual é a penetração do seu trabalho no exterior.
Muito pequena. Portugal e Espanha só. Os romances tem um interesse recente da Itália, tem um cara interessado em traduzir, outro na argentina. Com a Companhia das Letras é mais fácil de publicar em outras línguas porque eles têm um agente para vender os direitos para outros países. Quando eu tava na Devir, uma mulher da Itália me procurou querendo publicar meu trabalho, eu encaminhei o e-mail dela, mas eles nunca responderam a mulher. De quadrinhos tem um pessoal interessado em publicar na França, mas primeiro tenho que resolver isso na Devir. Eles publicam fora meu material, mas eu nunca recebi um único exemplar dessas edições.

Como foi a mudança de rotina, de trabalhar com quadrinhos e passar a escrever literatura?
No início foi ótimo. Com HQ eu trabalhava muitas horas por dia e agora trabalho pouco. Tenho tempo livre pra estudar, pra coçar o saco. É muito mais tranqüilo, mais suave.


Página interna de O Rei do Ponto (2000, Devir)

Quando você fazia quadrinho, você fazia um layout, um estudo antes?
Eu fazia um roteiro, onde eu não punha muito elemento mas eu já ia visualizando cada página. Eu visualizava o cenário, o ambiente. Em alguns casos, com Diomedes, eu visitava o lugar, alguns lugares eu desenhava. Eu distribuía o texto pela página. Eu não tenho paciência de desenhar duas vezes, fazer um esboço e depois finalizar. Só nas sequências de ação onde tinha que criar uma coreografia eu fazia um esboço bem simples e pequeno e depois eu qudrinizava.

Depois que você começou a fazer literatura, percebeu que seu trabalho cresceu, que abriu outros caminhos? Como você se sente?
Eu sinto que meu público ligado aos quadrinhos, pelo pouco que eu tenho de retorno, ficou muito desgostoso com essa mudança. Mas francamente é outro panorama. Eu costumo dar como exemplo uma palestra que fiz numa entidade no mesmo mês, em Brasília, uma como quadrinhista e outra como escritor. Como quadrinista eles me colocaram num puta hotel fuleiro, me pagaram um cachê de cento e pouco reais. Aí eu voltei no mesmo mês como escritor e tinha uma van, um super hotel, era quase 2 paus de cachê, me tratavam como se eu fosse alguém.

Existe um tratamento muito diferente no Brasil de um autor de quadrinho e um escritor. E eu nunca fui muito aceito pelo meio dos quadrinhos, já pelos escritores eu fui aceito como um igual, não como um ET, ou equívoco.

Como assim? O que aconteceu para você afirmar essa repulsa?
Eu tive muitos problemas com o Laerte, foi um cara que me sacaneou muito. Ele até pediu desculpas publicamente por isso, é uma coisa muito antiga. Mas essa minha geração foi muito fechada, tiravam muito sarro e dificultaram o máximo que puderam a minha estrada. Eu gosto muito do Gonzáles, tem autores que eu me relaciono bem. Mas foi difícil começar porque eles não me entendiam.

Porque era outra linguagem também, né?
Eu não queria publicar na Chiclete [Com Banana], eu queria publicar na Circo, onde tinham quadrinhos bem diferentes, cujo editor era o Laerte. Mas eu também era muito, muito difícil.

Lembro que eu já vi umas tirinhas suas na Chiclete Com Banana.
Esse foi um dos casos de problemas que tive com eles. O Glauco tentou me levar pra lá. Eu levei, sei lá, umas 200 páginas de história. Aí falaram “vamos publicar e tal” e no fim so publicaram uma tirinha.

Você falou que não acompanha mais quadrinhos, mas tem algo atual da HQ atual nacional que te despertou interesse?
Conheço Rafael Grampá que é um menino bacana, que está lançando um álbum interessante [Mesmo Delivery, pela Desiderata]. Eu conheço um ou outro, mas por acaso. Eu não tenho tido muita vontade de ver nada de quadrinhos, quero deixar passar mesmo o tempo…

Muitas pessoas que gostam de literatura dizem que você é um ex-quadrinhista. Que acha dessa alcunha estar vinculada ao seu trabalho?

Tem pessoas que usam muito isso pra me atacar. O que me magoa nisso é eles depreciarem os quadrinhos, porque eu não parei os quadrinhos por desrespeitar, eu respeito profundamente, mas eu não gosto quando eles usam “o cara que fazia gibi”. Podem falar que meu livro é uma bosta, mas não venha atacar os quadrinhos. Não só o meu, mas qualquer quadrinho. Mas tem um público que me conhece como ator, outro público me conhce como dramaturgo, tem um público que acha que eu so escrevo… Ninguém sabe direito o que eu sou, o que eu faço, então eu faço o que me dá vontade.

Eu nunca fui muito aceito pelo meio dos quadrinhos, e pelos escritores eu fui aceito como um igual, não como um ET

Fala um pouco do Natimorto, o filme.
Tinha um ator que acabou saindo, no meio do processo, que era o Marco Ricca, porque estava envolvido na direção de outro filme, teve uns desencontros aí. Entao eu participei de algumas leituras [do roteiro] como o Narrador, ele lendo o Agente e a Simone [Spolodore, atriz] fazia a Voz. Quando ele saiu, começaram a pensar em Wagner moura e em grandes nomes. Entao eu falei com o Paulinho [Machline, diretor], já que estava muito próximo a ele por conta das conversas que tínhamos sobre o filme, para pegar o papel. Já tinha atuado em alguns curtas, além de outras coisas menores, então fui lá fazer o teste junto com a Simone.

Foi muito difícil mas eu tive um preparador muito bom, já que o personagem exigia um trabalho físico grande. Foi umas das poucas coisas que me orgulho que fiz. Quando eu falo que eu não me orgulho dos meus quadrinhos, é que eu nunca estou satisfeito com o resultado final. Eu sempre vou olhar para eles e ver um defeito, algo que eu podia ter modificado. Com meus livros não. Porque meu livro eu tô pegando um objeto, eu não leio meus livros. Eu não tenho nenhum livro ou quadrinho meu. Eu gosto muito de Natimorto, assim como gosto de Transubstanciação. Eu não tenho propriedade sobre meus livros, pra mim livro é de quem lê, não de quem escreve.

Com relação a Natimorto, eu nem lembro mais quem são os personagens. Por causa do filme, eu fui reler o livro, cheguei apenas no segundo capítulo e achei um saco, mesmo sendo o trabalho que mais gosto. Eu queria chegar no personagem que Paulinho, o diretor via, e não que eu tinha imaginado. Às vezes eu discordava como ator, e ele achava que era como autor, mas não era.

Houve uma mudança grande não? Você estava acostumado a trabalhar como quadrinista, como escritor, situações que te deixam compeltamente isolado.
Eu tive uma mudança grande mesmo. Voltei pro bairro que eu cresci, que foi Vila Mariana. Comecei a tomar cefralina, que foi um medicamento que me transformou. Eu era muito fechado. Se me perguntavam a hora na rua, eu mostrava o relógio. Eu não conseguia falar com quem eu não conhecia, eu não saía, era difícil. E aí comecei a ficar mais solto, mais à vontade. Quando eu comecei a trabalhar com teatro, trabalhar com um grupo, eu gostei disso, eu achei legal. Não a criatividade coletiva, mas o trabalho onde cada um vai pegar uma parte, discutir, é muito bom. Então, é uma forma de respirar um pouco dessa solidão que é escrever, desenhar.

Te interessa personagens disfuncionais?
Todos os meus personagens têm problemas. Tem uma história minha do Mundo Pet, onde eu tento rastrear todos os esquizofrênicos do lado materno da minha família: meu irmão tem problema, eu tenho problema. É muito parte da minha vida, e eu sempre li muito sobre o assunto, e às vezes tem uns distúrbios muito interessantes pra estruturar um personagem ou refletir.

Você falou que tava com uma influência Kafka, por isso me lembrei de Mundo Pet.
Vocês aceitam um gole? [tira uma garrafa pequena com uísque de dentro da bolsa]. É, ali tem muito de Kafka, mas também tem muito da minha vida. Mais do que uma influência, eu tenho uma identidade muito forte com o Kafka.

Você já tentou adaptar para os quadrinhos como fez Crumb e Kuper?
Crumb fez a melhor adaptação de Kafka, ninguém precisa fazer mais nada. Kuper é bom, mas ele é óbvio. Ele fez a barata como uma barata. A palavra tem esse poder da metáfora que muitas vezes a imagem destrói.

Você tem desenhado pra você ao menos?
Sim. Toda noite quando eu bebo, e fico meio “balão” eu vou lá e rabisco algumas coisas, mas nada com muita técnica. Então eu vou colecionando isso. Era um projeto antigo que eu tinha, chamado “A Vida Com Efeito”. Quando o remédio começa a bater eu bebo e ai vou desenhar. Não é quadrinho nem livro, tem umas coisas escritas… É algo bem experimental que eu gosto muito, talvez uma hora eu publique. Não é nada com sequência ou lógica.

Pra terminar, que você acha de ter começado num momento onde não se publicava graphic novel no Brasil e hoje isso estar tão presente nas livrarias.

Quando eu comecei, a minha idéia não era graphic novel. Eu me inspirei nos álbuns europeus. Os europeus sempre fizeram álbuns, ninguém chamou de graphic novel. Fiz numa época que eu tava muito mal, então quando eu melhorava, desenhava um pouquinho. Aí foi quando um editor perguntou se eu não tinha mais nada. Falei que tinha um negócio independente, ele gostou e falou ‘vamos publicar isso como graphic novel’. Pra mim tanto fazia, pra mim nunca foi graphic novel, pra mim era um álbum, um livro, muito mais inspirado nos europeus que nos americanos.

MAIS MUTARELLI NA WEB: www.mutarelli.com.br

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