Kid Vinil em Campos (RJ/ 2007) Foto: Thiago Macedo

RADAR SEMPRE LIGADO
Por Paulo Floro

Talvez o último jornalista de rock do Brasil, Kid Vinil se tornou uma ‘marca’ quando o assunto é a busca por novas bandas ou mesmo a discussão sobre o que é ou não indie. Principal divulgador de novas bandas na segunda metade dos anos 90, o radialista ficou conhecido por seus programas na MTV, onde garimpava – ao lado de Fábio Massari – clipes que não costumavam rodar na programação da emissora.

Hoje, num momento onde os blogs é que pautam as principais descobertas na música pop, Kid também se deu bem com esse novo mundo. “Passo o dia conectado”, afirma. E depois de acompanhar como crítico, radialista e apresentador o mundo do pop e rock, é que ele lança pela Ediouro o seu Almanaque do Rock este mês. Trata-se de um compêndio sobre o gênero mais famoso da música desde os anos 50.

Também cantor, ele agora pretende levar adiante sua banda Kid Vinil Xperience, um resgate de seus projetos anteriores, Verminose, Heróis do Brasil e Magazine. Em entrevista a’O Grito!, Kid falou sobre novas bandas, blogs de MP3 e sobre uma certa participação em Ídolos.

Kid, o que você pensou para o seu livro que o diferencia dos outros almanaques já publicados?
Na verdade quando a Ediouro me convidou pra fazer o Almanaque do Rock eles queriam algo no mesmo formato dos outros almanaques (70.80.90) pois é um padrão deles.
Nesse caso a principio eu expliquei pra eles que seria impossivel contar a história do rock desde 50 em pequenos tópicos como nos outros almanaques. Acabei escrevendo o sufuciente pra dois almanaques e no final das contas tive que dar uma bela enxugada pra que coubesse num único volume. Acho que diferencia um pouco dos outros por ter mais textos, pois certas histórias não dão pra contar em meia dúzia de linhas. Também maioria das ilustrações foram feitas com capas de discos da minha coleção, usamos encartes, fotos de posters e até discos autografados, como na página em que falo dos Ramones, usei a capa do primeiro disco autografada por eles.

Hoje em dia a internet é a principal fonte para quem quer informações sobre bandas de rock de todo tipo. A própria wikipedia (a versão em inglês) tem um bom banco de dados sobre música pop. Você acha que esse tipo de recurso está fazendo com que novos leitores descubram uma vasta biblioteca sobre música que existe?
Com certeza tem tudo na Internet, assim como as pessoas deixaram de frequentar as lojas de discos, as livrarias começam a sofrer esse efeito, pois muita coisa já se pode consultar na Internet, o que eu acho ótimo. Eu mesmo sempre vou nos sites das revistas americanas como NME, Mojo e Uncut pra pegar informações das novidades.

Você usou um caráter afetivo para fazer o seu almanaque? Que critério utilizou para organizar as informações?
A principio resolvi que seria por decadas e daí fui listando os principais ícones de cada decada, acontecimentos e estilos musicais. Procurei priorizar um pouco em discografias e recomendar sempre os melhores discos de certas bandas.Cheguei a levantar dados de top 20 de melhores álbuns desde a decada de 50 ano a ano, mas depois sentimos que não caberia tudo nesse formato e tivemos que descartar deixando só pro final algumas listas, pena pq eu adoro listas, deve ser ainda o efeito “Alta Fidelidade”.

Existe uma diferença entre analisar o rock à visão de alguém que tá inserido dentro dele?
Acho que não, pois acima de tudo sempre usei de uma forma até didática pra falar de rock, seja no rádio ou mesmo na TV. Sempre privei pela informação, nunca gostei de ser crítico, adoro informar, contar histórias, estabelcer comparações, enfim situar o leitor, como faço às vezes no meu blog.

Falando nisso, como estão suas bandas? Onde elas se encontram nesse cenário pop de hoje?
Atualmente estou desenvolvendo um trabalho com o kid Vinil Xperience, que na verdade é um resgate dos meus antigos trabalhos (Verminose, Heróis do Brasil e Magazine) além de experiencias com releituras de Beatles, Stones, Hendrix, Clash, Ramones, Buzzcocks etc. Recentemente gravamos uma cover do Guided By Voices “Everywhere with Helicopter” do álbum Universal Truths and Cycles, para um tributo brasileiro a ser lançado em breve. Dentro desse contexto nem imagino onde esse meu novo projeto se encaixa no cenário pop de hoje, mas continuamos tocando por aí.

Você gostaria de ser mais conhecido como um cantor que como jornalista de rock?
Tanto faz, como cantor eu já tive meus quinze minutos de glória, hoje acho que faço música por passatempo e pra pagar as contas, quando dá algum cachê.
Como jornalista já faz algum tempo que eu não escrevia, pois na decada de 80 eu escrevi bastante como cirtico da Folha de SP e do Caderno 2. Depois passei pro rádio e pra TV, mas pra falar a verdade de tudo que eu faço a coisa que mais gosto é de fazer rádio e sinto muita falta disso na minha vida. Não me importo de ser mais ou menos conhecido pelo que faço ou já fiz, o importante pra mim é fazer aquilo que gosto, independente do reconhecimento seja de um grande ou pequeno público.

Kid Vinil em Campos (RJ/ 2007) Foto: Thiago Macedo

Você que acompanhou a música pop numa era pré-blogosfera, como interpreta o momento atual? Pra muita gente, é difícil fazer um comentário mais distanciado.
Hoje é muito fácil, qualquer pessoa pode ter seu espaço na Internet e eu acho isso bem democrático e importante que cada um se expresse da maneira que melhor sabe fazer. Existe uma nova geração inserida nesse contexto, às vezes sinto que alguns não tem embasamento pra certos comentários. Outras vezes encontro jovens interessados em buscar no passado referencias pra tudo que acontece. É interessante ver como essa nova geração acaba descobrindo coisas, background é importante e muitos estão ligados nisso.

De longe, sua característica mais lembrada como jornalista e radialista é unir o conhecimento da história do rock com a vontade de descobrir bandas novas. Como manter este interesse acesso e se manter tão atualizado?
Acho que vou carregar isso até o fim da vida, sou um viciado em discos (tanto vinil como cd) estou sempre a espera da banda que eu ainda não ouvi. Vivo concetado 24 horas, nos blogs nos sites de música, quando posso compro revistas atuais como a Artrocker e a Plan B, e as citadas NME,Mojo, Uncut e também a Record Collector. To sempre ligado nas novidades da página da Loja da Rough Trade (UK), sempre prestando atenção nas dicas que eles dão, assim como outras lojinhas inglesas onde eu compro meus compactos de 7 polegadas de bandas novas q eu curto agora, como Glasvegas, Twisted Wheel,XX Teens, Futureheads, Magistrates,Jay Reatard etc….

Atualmente como você adquire as músicas: blog de mp3s, soulseek, importados?
Como citei acima compro os singles de 7″ em vinil das lojinhas como Rough Trade, Norman e Piccadilly Records, cds das amazon da vida ( sai mais barato as vezes comprar fora do que comprar os titulos que saem aqui). Confesso que baixo muito pouca coisa, ainda sou do tempo do formato fisico, devo ser um dos ultimos caras nesse país que ainda compra disco. Nada contra os downloads, mas odeio o som desses arquivos compactados, nada substitui o sulco de um vinil ou a qualidade de um cd gravado original.

Sente saudades da MTV? É uma outra emissora comparada aos tempos do Lado B, Top 10 EUA, Clássicos, AMP MTV, certo?
Realmente a MTV mudou muito e outra coisa que sinto muita falta depois do rádio é de fazer um programa decente na TV, seja MTV ou qualquer outra emissora, mas atualmente todas emissoras só pensam em banalidades ninguem me leva a sério quando falo que gostaria de fazer um progrma inteligente sobre música. Aí eles me chamam pra fazer teste de jurado do ídolos? Vc acredita nisso? tiveram a manha de me chamar pra fazer teste pra ser jurado do Idolos e eu fui, mas pra minha sorte ou azar não fui aprovado, Ufa!!! É essa a cara da TV hoje em dia, se é que ela tem alguma cara pra mostrar.

RAIO X KID VINIL

Banda brasileira mais bacana hoje em dia
Los Porongas (Acre)

Banda brasileira indie que acabou sem mostrar a que veio
Não me lembro de nenhuma agora.

Melhor blog de MP3
Rock For Masses 2.0: rockformasses.blogspot.com/

Melhor música eletrônica que encontrou recentemente
Late of The Pier – “Heartbeat”

Melhores lugares para um jornalista de rock ir em São Paulo
Galerias do rock (as duas na 24 de Maio) boas pra achar discos em cd e muito vinil legal)
os novos bares da Augusta – Studio SP, Inferno e Astronete

Movimento musical para ficar de olho
o novo rock americano principalmente do Brooklyn (NY) tem uma banda em espcial q eu adoro The Virgins

Melhor disco deste ano até agora
Vampire Weekend

SAIBA MAIS
Site oficial: www.kidvinil.com
Kid Vinil Xperience: myspace.com/kidvinilxperience
Blog: kidvinil.blogspot.com/
Coluna: 91rocknews.advant.com.br/blog/kidvinil/

Sem mais artigos