SAUDADE DA TERRA
Banda de Curitiba acerta em cheio ao explorar raízes caipiras com o melhor que o pop tem a oferecer
Por Paulo Floro

A definição Arctic Monkeys + Bruno & Marrone que consta na página do Charme Chulo no Trama Virtual mostra o quanto esta banda de Curitiba é inusitada. Grata surpresa a surgir da excelente cena roqueira curitibana atual, a banda é uma das mais inventivas na sonoridade, ao juntar violas caipiras com o brit-pop dos Smiths.Com isso, algo particular e original surgiu, o que acabou surpreendendo a crítica em 2004, quando lançaram o EP Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou. Após isso, shows em festivais importantes como o Curitiba Rock Festival e destaques em várias publicações fizeram do Charme Chulo uma promessa para o ano que vem.

Formado em 2003, pelos primos Igor Marcel (vocais) e Leandro Delmonico (guitarra e viola), a banda ainda consta com Peterson Rosário no baixo e Rony Jimenez na bateria. Este ano, os rapazes do Charme Chulo terminaram as gravações de seu primeiro disco, que deve ser lançado em breve. O disco foi produzido por Xuxu (vocal e guitarra da banda Pipodélica) e gravado em Florianópolis. No disco consta inéditas como Não Deixa a Vida Te Levar e Barretos. Mas músicas que ajudaram o público a assimilar o estilo “Charme Chulo de ser”, como Piada Cruel e Polaca Azeda também dão as caras. A produção do disco, delimitou as influências da banda – que ainda passam por Legião Urbana, The Killers, Almir Sater, Dalton Trevisan e o indie-folk – e ajudam o Charme Chulo a ser o expoente solitário de um estilo ao mesmo tempo que os insere no cenário do melhor que o rock brasileiro está revelando esse ano.

O GRITO falou com o vocalista Igor Marcel por email sobre passado e futuro da banda.

Pra começar, o que a banda anda fazendo atualmente?
Estamos prestes a lançar o primeiro disco da banda. No máximo até janeiro será lançado. Estamos fazendo muitos shows por Curitiba, São Paulo e várias cidades do Centro-sul do país. Arrumando a casa (entende-se): elaborando novo site, clipe de uma música do disco, resolvendo questões burocráticas para o lançamento do cd e finalizando a arte (capa / encarte) do mesmo. Ah, e o melhor: voltando a compor novas músicas!

Vocês citam entre as suas influências nomes que vão da música sertaneja até Smiths. Nenhuma banda olhou para esse lado da música brasileira ainda, não?
Pelo que parece, em relação a essa geração de bandas independentes, não ouvi nada ainda na linha a qual exploramos, isso é verdade. Já ouvi, por exemplo, a banda Mercado do Peixe, que usa viola caipira, porém focando um outro resultado, totalmente diferente. O nosso é meio inédito mesmo. Mesmo na MPB clássica, a onda sempre foi um lance meio hippie, “federal” com a música caipira. Agora Charme Chulo é punk, pós-punk, new wave com música caipira, sacou? Bom, e o folk brasileiro, tenha você vergonha ou não, é o que? A música caipira, pô!!!

Desde o lançamento do EP Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou, onde vocês inovaram colocando viola caipira no peso do rock-n-roll, o som da banda passou por alguma mudança?
Sim. As mudanças foram mais em relação às influencias estrangeiras, digamos assim. Se outrora o Britpop clássico dos anos 90, eram as referencias mais fortes, desta vez o novo rock, anos 00 (que sempre nos agradou desde o começo, até por seu lado de revival aos anos 80) está marcando presença no novo cd. Bom, isso é lógico, né? Ninguém é bobo. Hehe… ficar preso aos anos 90, molenga, antigo e sem muito sal. Mas quem ouvir o cd inteiro verá, que essa transição não foi feita de maneira barata. Além de ser sempre tudo muito sutil.

Depois do Bonde do Role, daí de Curitiba, muita gente já vê curte funk como algo cult. Será que depois do Charme Chulo, as pessoas pensarão da mesma forma da música caipira?
Quem sabe consigamos fazer com que as pessoas, pelo menos, vejam o valor e a beleza que havia na música caipira, aquela tradicional e instiguem-nas a redescobri-la. Bom, por ser cult, a música caipira já é algo cult!

E o Dalton Trevisan? Ele é ainda uma grande influência pra vocês, não?
Sim. A obra dele é uma eterna influência pra gente. É só você pensar um pouco, nosso nome, Charme Chulo, é baseado na estética explorada por ele, a que ele conseguiu propor e condensar em todo o seu trabalho. É Curitiba, crua e nua! É nossa cidade tão sofisticada, européia, fria e ao mesmo tempo tão chula, pobre culturalmente, com complexo de inferioridade e sem identidade perante nosso próprio país. Uma cidade grande e jacu! Um estado grande e jacu! Charminho provinciano,,… blé!!! Mas eu amo essa cidade, porra!! As pessoas ainda vão ver como somos alguma coisa! Nem que seja um Charme Chulo!!!!

Onde esperam estar logo em breve?
Nos ouvidos e corações das todas as pessoas que se identificam, e que possam vir a se identificar com o que pensamos sobre a vida. Nossas irmãs gêmeas de coração. As que ainda estão por aí e que estarão sempre por aí.


Devorando a terra. Rock improvável a surpreender os ouvidos

Site oficial: http://www.charmechulo.com.br/
Trama Virtual: www.tramavirtual.com.br/charme_chulo

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