Foto: Divulgação.

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Imaginação que não tem idade

Por Paulo Floro

Bianca Pinheiro é uma quadrinista que representa um espírito do tempo dos quadrinhos nacionais. A carioca radicada em Curitiba fez o conhecido caminho da web para o papel que tem rendido ótimos trabalhos nos últimos anos no mercado nacional. A autora lança agora – Volume 1, sobre a amizade de uma garota e um urso rabugento em busca de seus pais.

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Com uma linguagem simples e ilustrações que apelam ao tom lúdico de desenhos como Hora da Aventura, Bear é uma delicada HQ sobre amadurecimento e escolhas que deve agradar leitores de diferentes faixas etárias. A trama é atualizada online e deve ganhar novos volumes em formato livro no futuro. O lançamento é da editora Nemo, que vem apostando em quadrinhos oriundos da web, como Como Eu Realmente…, de Fernanda Nia.

Bianca começou a publicar na web. (Foto: Divulgação).

Bianca começou a publicar na web. (Foto: Divulgação).

Conversamos com Bianca sobre as referências para a HQ, o quanto Bear tem de autobiográfico e também sobre o mercado brasileiro. O livro está à venda em livrarias e comic-shops por R$ 34. E aqui a webcomic. Veja a entrevista:

Bear tem um componente lúdico muito forte. Quais foram suas inspirações para criar a HQ?
Bom, antes de mais nada, acho importante enfatizar que o fato de haver um animal falante e uma criança como personagens principais não necessariamente torna a história infantil. Tanto que a minha grande inspiração inicial para fazer a HQ foram desenhos como Hora da Aventura que, embora seja desenho, não é infantil, hehehe. O que não significa, é claro que crianças não possam assistir e se divertir assistindo. Prefiro pensar que Bear pode ser lido por qualquer um, sendo que cada um absorverá informações diferentes e de maneiras diferentes enquanto lê.

A busca pelos pais ou um ente querido por parte de uma criança em geral é usada como uma alegoria em outras obras da cultura pop, como A Viagem de Chihiro, por exemplo. Bear tem alguma mensagem nesse sentido?
Confesso que não pensei em nada muito específico desse jeito antes de começar. Eu queria que a história fosse uma jornada e decidi transformá-la numa busca para que pudesse aumentá-la ou diminui-la conforme eu precisasse. As mensagens e elementos que se pode observar na história vão do modo como cada leitor interage com a HQ. Eu não gosto muito de dar direcionamentos específicos para a leitura de um trabalho meu, sabe? Se eu vejo a história de um jeito, prefiro não impedir as pessoas de vê-la de outro, de modo que Bear se torne única pra cada um.

Mas pra responder propriamente a pergunta, eu tenho sim uma “mensagem” geral de fundo. Nada muito rígido, nada muito certo. Gosto mais de sentir a HQ do que de especificá-la, hehehe!

A Cidade das Charadas é fofa e divertida, mas depois se revela como um dos lugares mais cruéis encontrados por Raven. Você teve essa preocupação de criar um roteiro que tivesse um impacto/entendimento diferente em crianças e adultos?
Não tive, não. Até porque eu não pensei em um público específico pra Bear. Eu só estou fazendo uma HQ que eu gostaria de ler. Mas fico feliz em ver que as pessoas têm diferentes percepções e entendimento quanto leem. Acho divertido pensar em HQs em camadas.

Bear tem algo de sua infância? Você se reconhece em Raven?
Não sei. Eu não busco coisas específicas da minha infância para colocar em Bear. Mas se considerarmos que, quando criança, eu já tinha uma imaginação muito fértil e passava a maior parte do tempo no quarto brincando com a minha irmã e criando mundos e histórias fantásticas, então, nesse sentido, acho que sim, tem um quê da minha infância, sim. E também dos meus dias atuais, porque a minha imaginação não parou de pirar só porque eu cresci, hahahaha! E ter que trabalhar e pendurar um crachá ao redor do pescoço não é experiência da minha infância. É de agora.

Sobre a Raven… tirando o fato de que nós duas gostamos de desenhar para nos expressar, eu não me reconheço tanto assim nela, não. Me vejo mais no Dimas, que gosta de ficar tranquilão na caverna dele. HAHAHA! Mas falando sério, acho que todas as personagens que crio, independentemente de em qual história estejam, acabam tendo um pouco de mim. Não tem muito como fugir disso, sou eu que estou desenhando!

A HQ começou online e agora chega às livrarias. Assim como Bear há várias obras brasileiras fazendo esse caminho. O que acha desse atual momento do mercado?
Acho que é um momento muito legal. Tem saído tanta HQ por mês que não dou conta de acompanhar e comprar tudo. Isso é maravilhoso! Pra ficar perfeito mesmo falta só a gente conseguir viver — de fato — de fazer quadrinhos. Mas aí já é outra história. xD~

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