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Banda de coração e mar aberto

Por Renata Arruda

Responsáveis por um dos álbuns mais cativantes do ano, a vem oferecendo uma espécie de respiro ao público: a estreia do projeto do trio formado por , e apresenta canções que celebram o lado doce da vida pelo viés do amor e da amizade, sem maiores pretensões além de fazer o ouvinte simplesmente cantar junto e dançar. Não à toa, o primeiro vídeo da banda, para a faixa “Mais Ninguém” é estrelado pelo dançarino Fezinho Patatyy e seu “Passinho do Romano” com Mallu, Camelo e Fred tentando desajeitadamente acompanhá-lo como podem.

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Fruto da relação de companheirismo entre Camelo e Mallu e da evolução natural da longa amizade entre Camelo e Fred Ferreira – que descobriram ser capazes de manter a harmonia também profissionalmente ao trabalharem juntos na produção do álbum Vazio Tropical, de Wado -, o álbum foi deliberadamente elaborado para soar simples e pop, evitando o torto: “O mais difícil foi ter essa primeira ideia do que os três queriam para a banda”, conta Camelo.

“Depois era um trabalho diário para manter a linha, a gente conversava bastante, ajudava um ao outro mesmo para ter o melhor resultado.” E Mallu deixa claro que para chegar no resultado final, a participação de Fred foi essencial: “A bagagem que ele tem, como músico e produtor, foi importantíssima. O repertório foi escolhido pelos três, o Fred trouxe muitas sugestões e ajudou também.”

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A banda já está pronta e ensaiada para iniciar a turnê brasileira no mês que vem, cujos shows trarão as músicas do álbum e também composições de trabalhos anteriores em roupagem mais elétrica, prometendo não haver silêncio e evitar os sons delicados. Como apoio, terá a presença do baixista Marcos Gerez, do Hurtmold, que acompanhou as turnês solo de Camelo, e Gabriel Mayall (Bubu), que tocava no Los Hermanos e hoje integra a Do Amor.

De Portugal, a banda falou para O Grito!sobre o projeto e seu álbum de estreia, feito “para que as pessoas curtissem em diferentes fases e épocas da vida” e que merece ser ouvido de coração aberto.

Poderiam comentar sobre a concepção do álbum?
Mallu: Com a mudança para Portugal, a ideia que era um sonho começou a caminhar para a realidade. Em um almoço ou jantar, a gente conversou e falamos sobre música e um dos momentos a gente falou sobre formar uma banda e fazer um disco. Era uma ideia abstrata, mas ficamos com isso na cabeça. E foi tomando forma até a que tomamos a decisão. Depois o processo todo de selecionar repertório, ensaiar, gravar, produzir o CD, demorou cerca de um ano, porque é algo que temos que planejar com calma.

A partir da simplicidade de determinadas composições dos Beatles vocês decidiram seguir um caminho mais simples. Foi um desafio evitar o elemento surpresa, o torto, o “doidão”? Como funcionou a dinâmica entre vocês, um pedia para o outro “desentortar”, etc.?
Marcelo: O mais difícil foi ter essa primeira ideia do que os três queriam para a banda. Depois era um trabalho diário para manter a linha, a gente conversava bastante, ajudava um ao outro mesmo para ter o melhor resultado.

Além dos Beatles, quais as outras influências desse trabalho? O álbum remete um pouco à surf music e Jovem Guarda…
Marcelo: Tem estes elementos sim, mas depois de algum tempo na música, você percebe que a influência é mais com a sensação que você recebe e tenta transmitir isso. E foi o que tentamos fazer em diversos momentos no estúdio.

Esta pergunta vem de um fã: na escrita de Camelo, é possível identificar alguns elementos recorrentes como o carnaval, a morena ou o “precisar se acostumar” a alguma coisa. Eles funcionam como uma autorreferência ou são temas que por algum motivo surgem inconscientemente?
Marcelo: É algo natural. Tem muito a ver com o momento que o compositor vive, alguns elementos acabam influenciando.

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Em resenha para O Grito!, o jornalista Maurício Ângelo classificou o álbum como “trilha sonora de declarações mútuas musicadas”. Tudo no disco é muito doce, solar e positivo e mesmo entre vocês três a impressão que se tem é a de harmonia. São duas perguntas: não houve atritos entre vocês durante a concepção do álbum, montagem de repertório e show, etc.? 
Mallu: A gente se gosta muito, é uma amizade muito verdadeira que vai muito além da música. Foi um processo muito bom que os três aproveitaram bem.

E foi intencional deixar de lado as áreas mais amargas ou apimentadas da vida, oferecendo uma espécie de “respiro” para o ouvinte (ou para vocês)?
Mallu: O repertório é resultado do nosso momento. Estávamos e estamos numa fase muito boa, alegre, positiva e isso acabou se traduzindo no disco.

Li resenhas que apontaram Fred como coadjuvante da banda, mas segundo a Mallu e o Camelo é o contrário, a presença dele foi motivadora e decisiva. Podem comentar sobre em que instância a sua presença foi decisiva e a opção de não participar com composições?
Mallu: O Fred é essencial para a banda. A bagagem que ele tem, como músico e produtor, foi importantíssima. O repertório foi escolhido pelos três, o Fred trouxe muitas sugestões e ajudou também.

Na esteira da pergunta anterior, qual foi o embrião da Banda do Mar? O resultado natural de um processo ou uma decisão racional de fazer um álbum juntos?
Fred: Foi um resultado natural. Conversando, amadurecendo a ideia, até que decidimos levar o projeto para frente e criar a banda.

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Camelo já comentou que o mar “é um arquétipo que evoca muitos símbolos”, mas me chamou a atenção os outros possíveis nomes para a banda como os inusitados “Veneno Louco” ou “Olho de Baleia”. Esses nomes trazem significados por trás?
Mallu: Sempre que pensávamos em um nome, já existia. Era difícil ser original. Aí que minha mente criativa sempre consegue surpreender (risos) mas não tem um significado muito além do que é.

O álbum teve mais de 77 mil downloads do single e mais de 1.100 cópias digitais, sendo a pré-venda mais bem sucedida da Sony. Essa repercussão talvez já fosse imaginada por vocês, mas agora com o lançamento, como está sendo a resposta do público?
Mallu: A resposta tem sido excelente. A gente sempre tem uma expectativa, mas sempre é surpreendente quando vemos de fato.

Sobre críticas, ao Estadão o Camelo disse: “aprendemos a não nos colocarmos na posição de ofendidos”. Mallu e Camelo já foram duramente criticados e também vejo alguns artistas mais novos se sentirem abatidos com críticas mais assertivas. É difícil manter a distância e não levar para o lado pessoal?
Mallu: No começo é difícil, mas com o tempo você vai criando escudos e mecanismos para saber lidar melhor.

Acaba sendo mais importante para vocês a resposta do público, da crítica ou a satisfação pessoal?
Mallu: Fazer o que acreditamos e gostamos é o mais importante, sem isso não seria possível criar uma banda. Mas pensamos em fazer um trabalho legal para que as pessoas curtissem em diferentes fases e épocas da vida.

O que o público pode esperar para os shows de lançamento, em termos de repertório?
Mallu: O repertório será as músicas do CD com algumas surpresas, muitas das coisas de um show acaba sendo decidida pouco tempo antes.

Ouça o álbum:

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