O OLHAR SATÍRICO DOS ANAQUIM
Banda de Coimbra reconhece a influência de José Afonso e aposta em músicas que percorrem os universos pessoais e sociais

Por Pedro Salgado
Colaboração para a revista O Grito!, em Lisboa

A crítica social e uma convicção forte de que a música ainda pode fazer a diferença, ajudando a mudar o mundo, são o léxico principal dos Anaquim. José Rebola, vocalista e letrista, é a face mais visível de um coletivo que inclui ainda Filipe Ferreira (baixo), João Santiago (bateria), Pedro Ferreira (teclas) e Luís Duarte na guitarra acústica. O nome da banda resultou de uma dicotomia entre o bem e o mal, inspirado na personagem Anakin Skywalker do filme Star Wars. De resto, a ideia de bipolaridade na índole das pessoas é uma constante do trabalho do grupo, refletida no disco As Vidas dos Outros, agora reeditado com três novos temas.

O agrupamento de Coimbra escreve canções que abordam um sentido coletivo de vida, com uma urbanidade que não se priva de amplificar os sentimentos. Em conversa com a Revista O Grito! os Anaquim falaram do seu trajeto musical.
_
Crítica: Três novas músicas para o disco de estreia

No passado dia 7 de Fevereiro chegou ao mercado nacional a reedição de As Vidas dos Outros. Que novidades acompanharam esta edição?
Esta edição apresenta três músicas em adição aos que já compunham o disco. Dois deles são versões: “A Morte saiu à rua” e “Tom Sawyer”, enquanto que o terceiro é uma viagem instrumental, um medley por todo o universo do disco. Para além disto, o grafismo é diferente, funcionando quase como uma peça de coleccionador.

“Tom Sawyer”, foi o tema que gravaram inicialmente para a Missão Sorriso. Podem falar-nos um pouco dessa experiência?
A experiência foi excepcional, musicalmente, porque foi a nossa oportunidade de regressar à infância, e humanamente, por nos ter dado o privilégio de participar nesta iniciativa e poder dar um pequeno contributo aos serviços de pediatria.

José Afonso é também homenageado nesta edição, com uma versão da música “A Morte Saiu à Rua”. Ele influenciou, de alguma forma, a música dos Anaquim?
Claro! José Afonso ajudou a escrever a nossa história, e isso marca-nos enquanto músicos e enquanto pessoas, incentiva-nos a escrever musicas com significado além de estética, e a acreditar que a música pode realmente fazer a diferença e ajudar a mudar o mundo.

Recentemente, apresentaram As Vidas dos Outros, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Como é que o público recebeu as canções deste primeiro disco?
Felizmente temos sido bem recebidos pelo público em todos os nossos shows e o São Jorge não foi excepção. Foi um grande concerto com muita festa nas “bancadas”. E a equipe respondeu bem.

Já estão a trabalhar no sucessor de As Vidas dos Outros?
Sim, embora ainda esteja distante no horizonte. Enquanto músicos temos muito gosto na composição e arranjos dos temas, e portanto além de reinventar os que já temos, vamos trabalhando em novos.

É sempre nas vidas dos outros que procuram a inspiração para as canções?
Não há cá isso das vidas dos outros. Elas são sempre vistas pelos nossos olhos e portanto acabamos sempre por falar da nossa vida. Estas músicas tratam portanto de um sentido colectivo existencial e é por isso que as musicas vão viajando entre um universo pessoal e um universo social.

Sem mais artigos