Foto: Divulgação.

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DESCONSTRUIR PARA SE ENCONTRAR
lança novo disco no Recife em performance que mistura moda, tecnologia e música

A cantora Alice Caymmi, aclamada com seu novo disco, Rainha dos Raios, traz seu show multimídia ao Recife. O projeto foi criado e dirigido por Paulo Borges, idealizador do São Paulo Fashion Week. A moda é parte importante para compreender a proposta artística e visual de Alice, hoje uma das principais novidades do pop brasileiro.

“A moda foi fundamental na minha vida pois ela separa logo cedo os estranhos do resto dos adolescentes”, disse Alice em entrevista à Revista O Grito!. Citando Björk e Steve McQueen, ela mergulhou em uma proposta surrealista da vestimenta. O seu show traz painéis de led exibindo videocenários criados por Richard Luiz e um figurino exclusivo feito por Walério Araujo e João Pimenta.

O show no Recife faz parte das comemorações dos 20 anos da multimarcas pernambucana Dona Santa | Santo Homem.

Aos 25 anos, Alice Caymmi representa uma geração experimental de artistas brasileiros. Depois de um primeiro disco em 2012, ela decide buscar uma produção autêntica com Rainha dos Raios, onde explora novos tons vocais, influências de jazz, samba e música eletrônica. Conversamos com Alice sobre o novo show.

O que você pode adiantar do show Rainha dos Raios? Tem uma proposta audiovisual bem conceitual com a moda desempenhando um papel importante
É uma experiência única e tem a vantagem da tecnologia nova que é o painel de LED de alta definição. Então o público sente como se estivesse mergulhado naquele ambiente surrealista. A moda foi fundamental na minha vida pois ela separa logo cedo os estranhos do resto dos adolescentes. Esses seres humanos que não se adequam, acabam se posicionando através da vestimenta, esse foi o meu caso. Foi encontrando e estudando McQueen e Björk que eu entendi. Eu não estava sozinha e mais, o mundo precisa disso.

Você deve responder muito a essa pergunta, mas acaba sendo inevitável: Como é carregar um sobrenome importante para a MPB como o seu? Qual o papel que seu avô, Dorival Caymmi teve na sua vida?
É ter que se munir de uma clareza sobre-humana e refletir dez vezes mais sobre a sua identidade do que uma pessoa normal. Ele [Dorival Caymmi] era um doce senhor que ao mesmo tempo era imponente e espiritualmente poderoso. Ele tinha a capacidade de mudar a energia de uma sala sem fazer nada. Sempre achei meu avô um ser mitológico com poderes incompreensíveis

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Qual sua memória mais antiga de querer cantar, trabalhar com musica?
Tentar entrar no estúdio do meu pai quando eu ainda era bebê. Eu queria tanto e ele não deixava porque eu podia desprogramar tudo (o que eu realmente fazia). Mas essa frustração me levou a seguir a musica e ser quem eu sou hoje.

Rainha dos Raios tem uma potencia vocal e visceralidade incríveis. Como foi compor seu estilo autoral como cantora, quais suas influencias ?
Bjork, Milton Nascimento, Maysa, Grimes, Teatro oficina e a antropofagia em geral, Matthew Barney, McQueen. Todos esses artistas tem compromisso com a verdade e principalmente com a desconstrução dela. O questionamento me fez mudar minha voz, me fez ver quem realmente sou e qual é o meu verdadeiro som.

Como foi o processo de gravação e composição de Rainha dos Raios?
Muito rápido e natural. Como um beijo de um casal que está junto há séculos. Eu sabia o que eu queria e tinha muita clareza.

Qual sua expectativa para o show aqui em recife? Como é sua relação com a cena daqui?
Eu amo Recife e estou imensamente agradecida em poder vir e me apresentar. Todas as vezes que vim, o público foi muito especial, respirou junto comigo, vibrou, chorou junto comigo. Afinal um show é uma experiência coletiva.

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