A Banda de Joseph Tourton (Foto: Flora Pimentel/ Divulgação)

DE ENCONTRO AO POP
Grupo pernambucano desvela trajetória de sucesso falando do nascimento da banda e das escolhas que os levaram a eleger a música instrumental como identidade
Por Marta Souza

Com menos de dois anos de existência A Banda de Joseph Tourton já tocou em festivais e palcos renomados de Pernambuco. Formada por Diogo Guedes (Guitarra e efeitos), Gabriel Izidoro (Guitarra, escaleta e flauta transversal), Rafael Gadelha (Baixo), Pedro Bandeira (Bateria) e Antonio Paes (Percussão) e com influências em bandas como Chico Science, Nação Zumbi, Dub Incorporation, Mundo Livre S/A e Radiohead, os garotos investem na música instrumental. Em entrevista exclusiva para a repórter Marta Souza, o guitarrista Diogo Guedes fala do surgimento da banda, do show que eles fizeram no Teatro de Santa Izabel e sobre a gravação do primeiro álbum. Confira!

COMO SURGIU A BANDA DE JOSEPH TOURTON?
Todo mundo já tinha participado de uma banda antes e a Joseph nasceu do fim de uma banda que Gabriel e Pedro tinham (Stage One). A galera começou a ensaiar pra tirar som e fazer improviso. Depois de um tempo eu entrei e a gente começou a ensaiar com mais frequência e resolvemos gravar as jams. A banda se formou naturalmente.

PORQUE VOCÊS ESCOLHERAM FAZER MÚSICA INSTRUMENTAL?
Nem nós sabemos. A gente foi tocando, tocando, tocando e acabou sem nem sentir falta de um vocal. A gente curtia mesmo era ficar improvisando, viajando mesmo, porque com um vocal a banda fica mais presa.

É DIFÍCIL SER UMA BANDA INSTRUMENTAL AQUI EM RECIFE?
A gente até que tem uma aceitação bem interessante por aqui, sabia? Depois dos shows sempre vem bastante gente elogiar. Adições no Myspace e mais gente na comunidade do Orkut.  Já tocamos em palcos importantes daqui de Recife, como o Música Recife, Observa e Toca Malakoff, Microfonia, Sopa de Auditório, Estereoclipe, entre outros.

FALANDO NISSO, VOCÊS SÃO BEM NOVINHOS E ESTÃO FAZENDO UM ESTILO DE MÚSICA TOTALMENTE DIFERENTE DAS BANDAS COM GAROTOS DA MESMA IDADE. VOCÊ ACHA QUE ISSO É O PONTO FORTE DE VOCÊS PARA APARECER MAIS NO MEIO DE TANTAS BANDAS Q EXISTEM E COMPETIR POR UM LUGAR AO SOL?
Acho que sim. Mas nós investimos boa parte do nosso tempo com divulgação na Internet, fazendo contatos, etc. Não vejo isso em boa parte das bandas que conheço e convivo. Nós também temos um grupo de amigos que dá a maior força para banda. Todo mundo ajuda a divulgar quando tem show, mas claro que ninguém vive só de divulgação o som também é bem trabalhado. A gente exige muito de nós mesmos e isso ajuda bastante.

VOCÊS SURGIRAM NUMA ÉPOCA EM QUE A INTERNET É O MEIO MAIS FÁCIL DE CHEGAR AO PÚBLICO. A BANDA CONSEGUE VER ESSE RETORNO IMEDIATO QUE ESSE MEIO PROPORCIONA?
A Internet é nossa melhor amiga. Dependemos dela, porque aqui em Recife as bandas não têm nenhum espaço nas rádios e na TV, são poucas as que conseguem e o jeito é investir na Internet. Um exemplo de retorno foi quando o Coquetel Molotov fez contato um mês depois da criação do nosso Myspace. Nós estamos sempre conferindo as estatísticas e quantidade de visitas no Myspace, quantidade de plays, downloads do disco, etc. Nós sempre percebemos que nas vésperas dos shows os acessos quase dobram devido à divulgação mais intensa que é feita nesse período.

COMO SURGIU O NOME A BANDA DE JOSEPH TOURTON?
Joseph Turton (Turton mesmo) era o nome da rua que o pai de Gabriel morava e quando ele viajava, a gente levava os equipamentos para lá para fazer som, fazer umas jams, gravar, etc. Um dia o pessoal foi pedir pizza para lá e todo mundo achou massa esse nome quando Gabriel estava dizendo o endereço para o atendente da pizzaria. Depois disso, quando a gente se referia à banda falava “- E aí? E a banda de Joseph Turton?”. Mas a gente preferiu mudar o nome para Tourton e mudar a pronuncia também, que mudamos de “túrton” para “turtôn”.

PARA QUEM AINDA NÃO CONHECE O QUE SE PODE ESPERAR DO SHOW DA BANDA?
Muito barulho e muita doideira.

VOCÊS CONSEGUEM PASSAR PARA O SOM DA BANDA AS INFLUÊNCIAS QUE VOCÊS TÊM EM BANDAS COMO CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI, DUB INCORPORATION, MUNDO LIVRE S/A E RADIOHEAD?
Acho que sim. A gente tenta sempre driblar tudo que esteja “parecido” com algo e são muitas as influências. Sempre deduzem que a gente é post-rock, experimental, modernex-sei-lá-o-que e a gente realmente ouve esses sons, mas esses sons nem são os preferidos. A gente ouve hardcore, jazz, funk, blues e rock ‘n roll.

PORQUE A IDENTIDADE VISUAL DA BANDA PARA CAPA DO EP É UM HOMEM SEM ROSTO?
Eu bolei um personagem para nosso Joseph Tourton com mais três amigos, Laura Morgado, Mauro Fidelix e Tainá Tamashiro, num numa mesa do bar do Cavanhaque, atrás da UFPE. A gente achou que o piloto sem rosto ficaria legal e foi tudo criado muito rapidamente e de forma espontânea. Em umas duas semanas nós gravamos as musicas, mixamos e imprimimos as capas e os CDs. Essa correria toda foi para se inscrever no Festival de Inverno de Garanhuns do ano passado.

VOCÊS TOCARAM RECENTEMENTE PELA PRIMEIRA VEZ NO TEATRO DE SANTA ISABEL. COMO FOI ESSA EXPERIÊNCIA?Foi massa demais! O público recebeu muito bem e o show foi apresentado por Jr. Black. O repertório foi: 16 minutos, Lembra o quê?, A festa de Isaac, Salomão, 100m, Provolone, Aquaplanagem e #3. O teatro estava lotadão. Foi um nervosismo só, mas o show foi muito bom mesmo. Nem sei se vamos ter outra chance de tocar lá de novo. Foi massa, emocionante mesmo.

QUANDO O PÚBLICO PODERÁ CONFERIR O PRIMEIRO ÁLBUM DE VOCÊS?
Acabamos de terminar a gravação do nosso primeiro disco que foi gravado no estúdio Das Caverna, com a co-produção de Felipe S. e Marcelo Machado, ambos da Mombojó. Foram quatro dias de internamento lá no estúdio. Alguns deles chegamos lá às 10h e saímos smente às duas da manhã do outro dia. Foi bem intenso, mas o resultado vai ficar muito bom. Ainda não temos previsão de lançamento. Falta bastante coisa como arte gráfica, mixagem, masterização, prensagem e o nome, que ainda não escolhemos. Mas ele ainda sai esse ano, com certeza.

VOCÊ PODERIA CONTAR A HISTÓRIA DE COMO A BANDA CONHECEU O FELIPE S. E MARCELO MACHADO E COMO SE DEU A IDEIA DELES CO-PRODUZIREM O ÁLBUM?
Conheço todos da Mombojó, desde 2002, na época em que a banda estava começando a se organizar para decolar. Eles também já conheciam Pedro, o baterista. A gente passou um bom tempo sem ter muito contato porque os meninos viajaram. Eu voltei a encontrar Felipe na época do Coquetel Molotov pelos camarins e ele me falou que ficou surpreso de saber que eu tocava na Tourton e que tinha achado a banda massa e que a gente podia fazer umas paradas juntos. Ele estava voltando para São Paulo, mas quando voltou começou a frequentar os ensaios e agilizamos tudo pra gravar nessa semana de folga que Felipe e Marcelo teriam aqui em Recife antes de voltar para São Paulo. Marcelo entrou com o bonde andando, mas foi uma peça fundamental pra gravação das músicas. Ele entende muito de timbres, microfonação e tem uns equipamentos muito legais de guitarra que a gente usou pra gravar. Quem também estava por lá era China e Homero (da banda Catarina dee Jah), que foi nosso técnico de gravação. Nós somos a primeira produção do estúdio Das Caverna e o álbum vai ficar muito bom.

GOSTARIA DE AGRADECER PELA ENTREVISTA E BOA SORTE COM A BANDA DE JOSEPH TOURTON!
Muito obrigado Marta e a você que leu a entrevista até o final. Visitem nosso Myspace! Joseph bless us!

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