Mimetismo indie mostra eficiência no pop bem feito do Eisley

EISLEY
Combinations
[Warner Bros., 2007]

Em uma grande gravadora (Warner Bros.), mas ainda indies; emotivas, mas não emos; pop, mas não comerciais. É com estas “explicações” que somos apresentados ao som desta banda texana, que lança seu segundo disco, Combinations. O texto acima foi baseado nas declarações da própria banda em seu MySpace. Formada pelas irmãs Sherri DuPree, Stacy DuPree, Chauntelle DuPree e o primo Garron DuPree e Weston Dupree, a banda tenta emular o som alternativo e fofo tão tocados nas college rocks americanas.

Para muitos, Eisley pode cheirar a oportunismo. Uma tentativa esperta das gravadoras abocanharem um nicho de mercado promissor e lucrativo como o independente. Mas, a trajetória das meninas demonstra o contrário. O grupo foi formado em 1997, com os integrantes ainda crianças, entre os 10 e 11 anos. Fãs de Beatles e Radiohead, conseguiram chamar atenção e desenvolveram o som durante quase 10 anos, até lançarem o primeiro disco, Room Noises, em 2005.

Combinations chega a convencer. Seu bem cuidado lançamento, com DVD bônus mostra que a Warner sabe mostrar serviço. Um a um, todas as músicas do disco trazem a atmosfera dark-tristonha que farão felizes indies igualmente tristonhos. “Invasion”, o primeiro single bebe na tradição do indie-pop de Coldplay e Snow Patrol e mostra maturidade em relação ao disco anterior. Apesar de algumas faixas soarem repetitivas, não é difícil se afeiçoar por várias. “Come Clean” e “Go Away” seguem a mesma proposta, e por que não, a mesma estrutura melódica, mas cumprem o objetivo de serem fofas e singelas.
Triste saber que o indie-pop encontrou uma fórmula, uma receita rentável e confortável para bandas sem muito a ousar. Por outro lado, é interessante ver como o mainstream se apropria das coisas de maneira tão verossímel e eficiente. [Paulo Floro]

NOTA: 6,5

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