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Uma banda com um nome comprido, estranho à primeira vista, que você talvez já tenha ouvido falar por aí. é um quarteto paulistano formado por Lucas Theodoro (guitarra), Luden Viana (guitarra), Luccas Villela (baixo) e Rafael Jonke Buriti (bateria), que lança o vinil Medo de Morrer | Medo de Tentar. O show de lançamento será neste sábado (23), às 19 horas, na sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo.

Com influências mistas, que vão de Hurtmold e Mogwai até Fugazi e Kendrick Lamar, o EATNMPTD ganhou espaço na cena independente ao misturar à dissonância do rock o improviso do jazz e o crescendo do progressivo, e faz da recusa em aceitar rótulos prontos uma afirmação de sua autonomia: “As pessoas tendem a relacionar o nosso som com o de outras bandas e a encaixar tudo em um gênero. Vez ou outra alguém comenta que os nossos títulos são muito grandes, mas a gente não liga muito. Fazemos do nosso jeito”.

Esse é o terceiro álbum lançado pela banda, que existe desde 2012, já foi vencedora do Festival de Cultura Independente do CCJ e acaba de participar pela segunda vez do Festival Dia da Música, onde já tocou ao lado de Ava Rocha, Quarto Negro e O Terno. Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Uberlândia, Curitiba, Rio de Janeiro – o grupo já passou por vários destinos do país, uma lista que aumenta ano a ano. “O conceito de cena está cada vez mais abrangente. Parece que hoje em dia todo mundo entendeu que a maioria nós está no mesmo barco, e que o trabalho não depende muito do estilo que a gente adota, mas sim da vontade de fazer música”, explicam, citando parcerias com bandas e artistas como Raça, Ventre, Lupe de Lupe, Ombu, Jair Naves e Jonathan Tadeu como exemplo de que existe muita gente boa no mercado disposta a se ajudar, no maior esquema “uma mão lava a outra”.

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Sem concorrência? “É. Porque, no fim, está todo mundo no mesmo corre. Todo mundo quer tocar, todo mundo quer ser ouvido, e os caminhos nem sempre são os mesmos, então as bandas acabam se ajudando. Quem não colabora acaba ficando de canto”.

Foi com o financiamento coletivo que a banda conseguiu fazer seu segundo álbum, o EP Vazio, lançado na Casa do Mancha em um evento que teve lotação máxima. Suas faixas longas (às vezes melancólicas, às vezes estridentes) aproximam o EATNMPTD do post rock, estilo que ganhou notoriedade nos anos 1990 e que tem no Brasil representantes como ruído/mm e Kalouv, de Pernambuco, também instrumentais.

Apesar de já terem ouvido que “palavras não devem ser seu forte”, eles garantem que não dispensam as letras por acharem mais fácil trabalhar assim, mas por acreditarem que a composição deve ser um exercício de liberdade criativa. É daí que vem o aspecto conceitual de suas faixas, cujos títulos condensam um tema ou uma ideia presente na hora do ensaio. Destacam-se aí Pequenas expectativas, menores decepções, E você espera por tanto tempo que já não lembra mais o porquê e o single “HIP 13044b”, que começa introspectivo e vai ficando cada vez mais denso, pesado, até chegar num ápice distorcivo que traz ecos do grunge.

Se o nome da banda foi escolhido espontaneamente (uma ideia que Luden teve enquanto pegava o ônibus em São Paulo), o mesmo pode ser dito sobre o processo de criação – tudo bem embrionário, diz Theodoro, acrescentando que os membros da banda muitas vezes optam por fazer uma gravação simples, doméstica, como uma prévia do que pode ser trabalhado ao chegarem no estúdio.

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Prontas as músicas, começa a fase de divulgação, em que a internet cumpre um papel fundamental. Plataformas como YouTube, Spotify, Soundcloud, entre outros serviços de streaming, apesar de não gerarem muito retorno do ponto de vista financeiro, fazem com que a música circule e atinja um público maior. O trabalho de autopromoção se estende às redes sociais e requer o engajamento de todos os membros, envolvidos com muitas atividades que vão além de tocar seus respectivos instrumentos, como fazer camisetas, embalagens de CD’S, enviar encomendas por correio e, em raras ocasiões, até produzir o evento do qual eles vão participar.

Mas vale a pena. Depois desta apresentação, o grupo já tem outras duas marcadas, o que reitera o sucesso de seus esforços: uma, no dia 29 de julho, no restaurante e espaço de shows Z Carniceria. A outra, no SESC Pompéia, no dia 9 de agosto, como parte da programação do projeto Prata da Casa, que abre espaço para novos talentos da música. O segredo? Mais do que o princípio do do it yourself – a ideia de que não preciso de um terceiro para fazer acontecer – é a busca pela autenticidade. “Tudo que a gente faz é muito sincero, muito verdadeiro. Sempre vai existir público para essa demanda”.

Serviço
23.07 | 19hrs | CCSP | Rua Vergueiro, nº 1000
Mais informações em: http://tinyurl.com/zlldthc

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