Dungen | Ta Det Lugnt
NOTA9

PSYCHOCANDY NO MORE
Por Paulo Floro

Dungen - Ta Det LugntVocê sabe o real significado do que é ser alternativo? Esqueça o Can-pop, o Neo-new wave, Olivia Tremor Control, o hardcore português, resenhas da Wire e até mesmo o pop sueco. Dungen representa no rock atual, o máximo do alternativo. Relembra um passado recente em que o “alternativo” significava uma coisa realmente espetacular e diferente. Banda de um homem só, Dungen é a voz dissonante na era de iPods onde a velocidade pede músicas de 4 estrofes e um clipe bacana.

Dungen, a banda, é na verdade um garoto de 24 anos, sueco e multiinstrumetista. Seu país sempre se destacou em ótimos grupos que colocaram o Norte no mapa da música pop. Gustav Ejstes, o alter-ego do Dungen, é a pedra no meio desse caminho. Cantando em sua língua natal, lançou no final do ano passado o disco Ta Det Lungnt, uma obra prima esquizofônica com ecos progressistas. É difícil fazer comparações à obra de Ejstes, dado a sua falta de sincronia com o resto das ditas novidades mundo afora, mas podemos encontrar ecos de um Brian Wilson desesperado em sua busca de orquestrações harmônicas perfeitas e harmonia multiinstrumental. Mas isso ainda é pouco se falando de Ta Det Lugnt.

Fugindo de clichês de bandas progressivas, Dungen cria melodias que misturam psych-pop com fuzz-jazz e experimental. Mas, volto a repetir, é difícil enquadrar Dungen em algo no mínimo parecido com o que já foi feito. Buscando uma aura retrô em suas canções, Gustav tocou todos os instrumentos, criou excessos de arranjos brilhantes e deu uma aula de como surpreender o ouvinte. “E För Fin För Mig” é uma odisseia em 4 andamentos como se não se via desde “Paranoid Android”. O disco em suas 13 faixas cria uma atmosfera medieval, conduzida por flautas, muita bateria, pianos descompassados, órgão, guitarras com solos interrompidos, escalas de violinos e um vocal meio celta da qual não se entende nada. Parece um acid-rock absurdamente experimental com contornos de power-pop.

Com músicas de 8 minutos repletas de viradas, gradações e ornamentações (na verdade um pedaço de música incluída abruptamente no meio de outra) Ta Det Lungnt alterna melancolia e esquizofrenia, tornando ainda mais interessante a viagem pop suas faixas.

Dungen é o tipo de banda onde se precisa gastar um parágrafo inteiro descrevendo seu som, sua vibração, seu estilo, o feeling, enfim. Acreditei que dizer que o disco é do caralho, ficaria um pouco vago. Mas a experiência de mergulhar em sua atmosfera psycho-hard ainda continua sendo indescritível. Escute num volume que te incomode.

DUNGEN
Ta Det Lugnt
[Kemado, 2005]

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