Duffy (Foto: Divulgação)

A NOVA AMY
Com proposta semelhante à problemática diva inglesa, a galesa Duffy faz sucesso com suas baladas jazz-pop
Por Talles Colatino

AIMEE DUFFY
Rockferry
[Polydor, 2008]

Mais que celebrar mitos, a música pop parece sentir necessidade de criar e adorar santos. E pecadores também. Apesar dos seus – tantos – pecados, quando surgiu, Amy Winehouse soou como quem surgiu para salvar o mundo. E salvou. Ao menos o mundo da música de 2007 ela salvou. Uma verdadeira santa (sic). Recentemente, outra branca que canta como negra, vinda lá do Reino Unido, tomou conta do topo das paradas européias. Outra Amy. Ou melhor, Aimee. Aimee Anne Duffy, que assina apenas como Duffy, tem 23 anos e vem do País de Gales. Assim como Amy, Duffy também alcançou o sucesso com seu segundo disco, intitulado Rockferry, seguindo a linha do jazz-pop. E assim como foi Amy para 2007, Duffy é promessa do ano para 2008.

Seria hipocrisia dizer que Duffy não surge no embalo musical aberto por Amy Winehouse. Assim como seria de tamanha falta de cuidado dizer que ela foi criada para viver à sombra de Amy, no melhor estilo criador e criatura. Se em seu primeiro disco, Aimme Duffy (2004), os poucos que ouviram se depararam um pop básico e murcho, em Rockferry ela prova porque merece o destaque que vem conquistando.

O primeiro single leva o nome do disco e foi lançado no final de 2007. Uma babadinha à la Dusty Springfield, sem força para abrir o CD e muito menos sem impacto para ser a mostra inicial de Rockferry. A ela se juntam faixas como “Syrup Honey” e “Sleeping Stone”. Ambas de melodias bonitinhas, pianos previsíveis e nada mais. Essa é a tríade, digamos, amarga deste CD, em que nada acontece e convida ao sono.

O bom vem depois disso. Certeiro em “Mercy”, segundo single e carro-chefe da recente carreira de Duffy. Uma mistura de jazz e soul, em batidas rápidas, que ficou várias semanas no topo das européias e fez a festa nas pistas de dança, com direito a fazer todo mundo levantar o braço e berrar: “You got me begging you for mercy / Why wont you release me? / I said release me!”, com todo aquele espírito de liberdade que o dancefloor faz você baixar.

Outros momentos memoráveis de Rockferry estão nas baladas “Warwick Avenue” e “Delayed Devotion” nas quais Duffy chora as mágoas de um fim de relacionamento, ao som de pianos, agora, bem charmosos. E assim trabalha bem os belos agudos que seu timbre permite. “Serious” e “Hanging On Too Long” são outras prazerosas surpresas, que contam com letras cheias de mágoa, com arranjos bem sensuais. Tais como baladas modernas devem ser.

NOTA: 5,5

Duffy – Mercy

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