DONAS DE CASA REALMENTE DESESPERADAS
Versão tupiniquim de Desperate Housewives não empolga e se assemelha mais à uma pornochanchada com cortes orçamentários
Por Fernando de Albuquerque

O Ibope mediu 5,1 pontos para a RedeTV! com picos de 6,4 (cada ponto equivale a 54 mil domicílios, ou 176 mil pessoas, na Grande São Paulo) durante a estréia da minissérie Donas de Casa Desesperadas – exibida às quartas e domingos entre 23h e 23h50 – na última quarta-feira (15 de agosto) . E mesmo assim, isso não quer dizer muita coisa. Alardeada pela emissora como a panacéia para uma programação estagnada e como um novo conceito de produção e gravação de minisséries, o programa deixou muito a desejar.

Com uma trupe de atores, made in argentina, de talento muito duvidoso, Donas de Casa Desesperadas entrou no ar com dublagens risíveis, paredes de papelão mal produzidas (dá para perceber detalhes da pintura mesmo numa tevê de 14 polegadas) e mais uma série de salpicos cômicos que faz o espectador ficar com vergonha alheia. Isso porque o time de atores brasileiros é de muito peso, um elenco experiente com as ex-globais Sônia Braga, Lucélia Santos, Isadora Ribeiro e Teresa Seiblitz (a melhor delas em cena).

A trama se passa em um tranqüilo bairro de classe média, intitulado Arvoredo, que fica localizado na cidade fictícia Nova Vista. A história começa quando Alice Monteiro (Sônia Braga) comete um misterioso suicídio – esse fato faz com que ela seja uma espécie de narradora onisciente full time dos principais acontecimentos. O motivo que a leva a se matar permanece como um mistério a ser solucionado.É isso vai levar a trama adiante.

O argumento parece ser fraco e de fato é. As amigas, unidas, e repletas de problemas matrimoniais – como sexo (excesso ou mesmo falta dele), filhos, marido brocha, amante galinha, vizinha chavequeira e safada, filhos insanos e mais uma série de problemas bem comezinhos vão a busca do “porquê-minha-amiga-linda-gostosa-e-bem-comida-se-matou?”.

Mas, impressões à parte, a série diverte. Diverte pelos cacoetes da dublagem, pela falta de esmero dos atores secundários, e pelos excessos fakes na própria composição da vila. Detalhe para as casas que são pintadas em cores cruas, com detalhes brancos, por exemplo. Para os amantes do white-trash é diversão garantida com direito a pipoca e refrigerante, já os que buscam um pouco de diversão de qualidade, como na série americana que emprestou a idéia à RedeTV!, é sinonimo de raiva e desespero.

A versão original, Desperate Housewives, criada por Marc Cherry e produzida nos Estados Unidos é sucesso mundial e já ganhou seis prêmios Emmy e dois Globos de Ouro. Donas de Casa Desesperadas, se continuar nesse formato Maria do Bairro, não leva nem mesmo o “rossinha de bronze”.

DONAS DE CASA DESESPERADAS
Rede TV!, Quartas e Domingos, 23h
Com Sônia Braga, Teresa Seiblitz e Lucélia Santos
[Brasil, 2007]

NOTA: 3,0

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