Depois de um sábado chuvoso, o domingo (15) foi de sol no Rio de Janeiro. Tempo que favoreceu a terceira edição da Festa Literária de Santa Teresa ( 2011), encerrada no fim da tarde com uma apresentação da Orquestra Voadora, no Parque das Ruínas, local da maior parte das atrações. Segundo a escritora Ninfa Parreiras, uma das coordenadoras da Flist, a afluência de pessoas aos espaços culturais correspondeu às expectativas de um público de 20 mil pessoas.

Um dos destaques da programação deste domingo foi a palestra sobre o livro Indez, uma das obras do homenageado deste ano da festa literária, o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queiroz, premiado autor de literatura infantojuvenil. O debate reuniu a escritora Suzana Vargas, a atriz Leticia Sabatella e o deputado federal Chico Alencar (P-SOL), que mora no bairro e é professor e autor de 25 livros.

“Monteiro Lobato já dizia que um país se faz com homens e livros. Hoje, para sermos politicamente corretos, devemos dizer que um país se faz com pessoas – homens, mulheres – e livros. José Martí dizia que o melhor antídoto à opressão é a informação e a cultura. Um povo sem cultura não se liberta”, disse Alencar.

Mais cedo, um jovem escritor de 27 anos, nascido e criado no Complexo do Alemão, lançou na Flist o primeiro livro, O Livreiro do Alemão, e participou de um bate-papo com o público. Autobiográfico, o livro de Otávio Júnior conta as aventuras de um jovem que nasceu na favela e superou a falta de estrutura para se dedicar à literatura.

O interesse dele pelos livros surgiu com exemplares achados no lixo. Criador do projeto cultural Ler é 10 Favela, Otávio hoje atua para que as crianças da comunidade não descubram o prazer de ler por acaso, como ele. “Quero que elas cheguem à literatura de uma forma mais rica e lúdica, em atividades como bate-papos com autores e rodas de leitura”.

Seis meses após o início da ocupação do complexo de favelas do Morro do Alemão (zona norte do Rio) pelas forças de segurança pública, o autor e promotor de leitura espera que a comunidade colha os frutos da pacificação. “Ficamos vários anos sob o poder de uma ditadura e espero que o Estado se faça presente de fato na comunidade”, afirmou. [com informações da Agência Brasil]

Sem mais artigos