Para o grafiteiro Mundano, a arte na rua tem o poder de transformação social maior do que se imagina. O artista, conhecido por sua posição crítica em relação à política, é o criador de um projeto artístico que pretende customizar carroças de catadores de materiais recicláveis em São Paulo. A atividade deverá ‘tunar’ no mínimo 50 carroças, que deverão receber, além de grafitagem, lanternas, retrovisores, buzinas e faixas refletoras, equipando-as com o mínimo de acessórios de segurança necessários, e ainda oferecerá ao catador consulta médica, com um clínico geral e um oftalmologista, uma refeição reforçada e ainda conversa com um especialista em dependência química, afirma o grafiteiro. Depois, será realizada a ‘carroceata’, uma manifestação pacífica com os carrinhos turbinados para defender a dignidade e ressaltar a importância dos catadores dentro do contexto urbano. O objetivo da proposta é tirar os carroceiros da invisibilidade e inserir a categoria na sociedade, além de mudar a forma como os catadores são encarados no trânsito. O nome do projeto faz referência ao programa de televisão Pimp My Ride, que turbina carros velhos e os transformam em carrões envenenados. O conceito de transformação é o mesmo, mas a importância do projeto atinge uma escala maior. “A pintura e reforma da carroça levanta a autoestima dos carroceiros. As pessoas passam a interagir com eles. Eles começam a ser vistos pela sociedade. Só traz coisas positivas”, afirma Mundano, que também cria frases de efeito com a intenção de fazer as pessoas pensarem no meio ambiente e nas desigualdades sociais. O artista acredita que, ao se deparar com uma carroça na qual foi pintada uma frase do tipo “Um Catador faz mais que um Ministro do meio ambiente”, é inevitável parar e refletir sobre a relevância do trabalho do carroceiro, que apenas ganha espaço na mídia quando acontece algum acidente, apesar de seu trabalho extretamente benéfico à sociedade. A proposta é modificar este cenário. “Eles passam a ser enxergados, tornam-se um atrativo para a cidade, algo cultural, e isso mexe com a autoestima”. O evento Pimp my Carroça deverá acontecer durante a Virada Sustentável paulistana, nos dias dois e três de junho. No entanto, para que ele se concretize como planejado será necessário o auxílio de voluntários e também do apoio financeiro colaborativo através do site Catarse. A meta é conseguir um montante de R$ 38.200, para que 50 catadores possam ser beneficiados. Caso o objetivo seja superado, mais pessoas serão beneficiadas. O prazo limite para a arrecadação expira no início de maio.
Assista ao vídeo de divulgação do projeto:
Para entender o contexto de criação do PIMP MY CARROÇA, assista também à palestra que o Mundano fez no TEDxVer-o-Peso sobre seu projeto Cidades Recicláveis:
Para doar, visite a página do projeto no Catarse.
Contato para críticas, sugestões e parcerias: pimpmycarroca@gmail.com
Estimulados pelo ambiente de discussão dos problemas e projetos urbanos da cidade do Recife, os cineastas Luís Henrique Leal e Caio Zatti, em parceria com os arquitetos Cristiano Borba e Lívia Nóbrega, produziram um documentário que propõe uma reflexão sobre o espaço público e os processos de transformação da cidade do Recife. No vídeo, oito especialistas de diversas áreas (arquitetura e urbanismo, economia, engenharia, geografia, história e sociologia) opinam sobre a noção de espaço público e destacam temas como: a história do espaço público na cidade, o efeito dos projetos de grande impacto no espaço urbano, modos de morar recifense, a relação entre a rua e os edifícios, a qualidade dos espaços públicos, legislação urbana, gestão e políticas públicas e mobilidade.
Assista ao vídeo, reflita, compartilhe. Entre na discussão você também.
Já imaginou a origem do nome de marcas famosas? Confira a galeria com a explicação (em inglês) sobre a etimologia dos nomes de algumas empresas:
Espetáculo acontecerá no dia 5 de maio, no Teatro de Santa Isabel
Nascido em Petrolina — PE, o talentoso pianista Zé Manoel compõe e canta canções tipicamente brasileiras, com harmonias requintadas e influências de bossa nova, samba, chorinho, valsa brasileira e do jazz. Seu trabalho começou a ser apresentado em festivais de música em 2004, e vem recebendo prêmios e bastante elogios desde então. Suas primeiras referências musicais, assimiladas por ele ainda criança ao ingressar em aulas de piano, foram de compositores brasileiros, como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Branca Bilhar, porém o gosto pelos arranjos tipicamente nacionais surgiu apenas mais tarde, com a descoberta de compositores clássicos da Música Popular Brasileira, entre eles Chico Buarque, Dorival Caymmi e Tom Jobim. Há quatro anos morando no Recife, sua música suave embalada por um sotaque deliciosamente pernambucano vem sendo admirada pela imprensa nacional, pelos grandes realizadores de festivais locais, e principalmente pelo público em geral.
Seu bastante aguardado 1º CD, autointitulado, será lançado no dia 5 de maio no palco do centenário teatro Santa Isabel, no Recife. O álbum, produzido com o prêmio do Pré-AMP 2011, festival realizado pela Prefeitura do Recife no intuito de revelar novos talentos, traz letras de sua autoria e canções que falam, na sua maioria, do cotidiano e do amor, resquícios do tempo que o artista morava no Sertão pernambucano. O artista aproveitou ainda o repertório do seu primeiro EP, lançado em 2009, e incluiu sete novas canções.
Confira a participação de Zé Manoel no projeto Estúdio ao Vivo Observa e Toca, da Fundarpe, onde o artista fala sobre seu envolvimento com a música, suas referências e mostra um pouco do seu trabalho:
Serviço: Lançamento do CD de Zé Manoel Local: Teatro de Santa Isabel Data: 05/05/2012 (sábado) Horário: 21h Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) — À venda no Teatro Santa Isabel e no Bogart Café Informações: contato@zemanoel.com.br | (81) 3355–3322 | (81) 9752–9254
JD Samson é o nome artístico de Jocelyn Samson, nascida em Clevelend, no estado de Ohio, em 4 de Agosto de 1978. Lésbica assumida, tem em seu histórico pessoal a dura tarefa de sair do armário com apenas 15 anos de idade em um subúrbio no Meio-Oeste norte-americano. Pouco tempo depois, rumou para Nova York, onde se engajou em estudos de arte e freelas de iluminadora em espetáculos que se tornaram referência de arte de vanguarda na cidade e a proporcionaram alguma visibilidade. Seu talento chamou a atenção de muitos artistas locais, como as integrantes da banda de electropunk feminista Le Tigre. Inicialmente contratada para fazer projeções de imagens durante os shows do grupo, entrou definitivamente para a banda em 2000, substituindo a integrante Sadie Benning, tornando-se uma espécie de líder natural das lésbicas moderninhas novaiorquinas com o seu modelo de militância enérgico e inquietação artística e comportamental.
Em seu trabalho mais recente, MEN, juntamente com os amigos Michael O’Neill e Ginger Brooks Takahashi, companheiros em outros projetos musicais, além da contribuição intelectual de Kathleen Hanna, também integrantes da Le Tigre, a artista dá uma nova ênfase às letras debochadas e irônicas para tratar de assuntos sérios. “A ironia está presente em quase toda a arte. É uma forma de chamar a atenção, como numa caricatura”, considera. “Quando você está falando para um público gay, você quer que eles te entendam, e a ironia é uma sofisticada forma de linguagem muito compreendida entre gays. Faz rir, faz pensar, faz concordar ou discordar, mas não fica em cima do muro.”
Apesar do sucesso como artista, JD escreveu um artigo para o Huffington Post no final do ano passado sobre as dificuldades que enfrenta para se sustentar. Seu desabafo se tornou uma espécie de manifesto para os que, como ela, tentam sobreviver de arte em Nova York. Segue o texto traduzido livremente:
Eu amo meu trabalho, mas ele me empobreceu.
Eu tenho muita sorte de ser capaz de criar arte e música e preencher minhas paixões através do meu trabalho pelos últimos 11 anos. Mas, eu sou suficiente estúpida de ter apostado todas as minhas fichas numa única coisa. Agora, música é a única forma como eu posso ganhar dinheiro. Eu tenho 33 anos e não sei fazer café. Eu nao sei usar Excel, ser bartender ou garçonete, e eu estou oficialmente velha demais para entrar para a polícia. Eu perdi a confiança necessária para voltar para escola e começar do zero e fico estressada até mesmo em pensar, por um segundo sequer, nos débitos que eu precisaria contrair para fazê-lo.
Eu tenho exercido várias funções na indústria da música, como: bandas, discotecar, remixar e ainda escrever música para outros artistas. Eu sou uma workaholic e tenho minhas mãos em diferentes espaços. Mas, todos esses trabalhos não geram uma renda fixa. Eu não tenho salário; Eu não sei quanto eu vou ganhar no mês que vem, no próximo ano ou em 5 anos. Eu não tenho plano de saúde. E eu vivo estressada por todas essas coisas, por não planejar o futuro e não saber se eu vou ou não conseguir alcançar os objetivos que planejei para minha vida, como ter uma família e uma certa segurança, inclusive financeira. Quando eu digo “segurança”, eu estou falando do básico. Eu falo de plano de saúde que serve para eu cuidar de mim, não somente se eu precisar de me submeter a um procedimento crucial que custe 10 mil dólares. Eu falo de dentista. Eu quero dizer, dinheiro para fundos de aposentadoria para que eu possa cuidar de mim quando eu estiver com 80 anos. Claramente, há uma diferença entre sobreviver e luxo.
Como vários adolescentes, eu acreditei no Sonho Americano, em que eu poderia mudar para Nova York, vinda de uma cidade pequena do Centro-Oeste e virar uma artista. Eu sonhava em ter ambos, fama e sucesso, e nunca ter que me preocupar com dinheiro. A primeira metade se concretizou. Eu fiz arte e vivi o ativismo, e alcançei alguns sucessos dos quais me sinto inacreditavelmente orgulhosa. A segunda metade, nem tanto. Eu tenho sido capaz de viver bem, comer bem, investir na minha arte e fazer meu próprio horário de trabalho, mas eu esqueci de guardar dinheiro e pensar sobre o meu futuro.
Esse verão, eu tentei alugar um apartamento em Williamsburg, Brooklyn. O processo me fez entrar em crise emocional e me acordou para toda uma nova concepção de nossa economia, da larga indústria musical, e mais especificamente, o que significa ser uma artista Queer*.
Eu passei dias procurando pelo bairro de Williamsburg, olhando precários apartamentos sem elevadores, com baratas enfileiradas pelas portas dos corredores, vizinhos brigões, ratos nos tetos, insetos que infestavam os pisos e carpetes encharcados de urina de gatos. O aluguel era exorbitante, poucas unidades disponíveis e eu não fui aprovada por dois diferentes proprietários porque eu sou freelancer. Para ser honesta, eu não os culpo. Não somente eu sou freelancer, mas eu sou uma lésbica freelancer. Dupla falta de sorte. Qual a razão deles não alugarem os apartamentos para mim? Talvez porque é mais fácil alugar para um cara rico, com salário garantido, tipo um bancário hetero que quer morar no bairro mais cool do mundo. Ou porque quando ele me conheceu, o que enxergou foi uma lésbica tatuada que faz queer electronic punk music e não tem certeza quando o próximo salário vai vir. Sim, eu não o culpo. Ele pouco se importa que existem adolescentes que me enviam emails todos os dias me agradecendo por demovê-los da ideia de cometer suicídio através do meu trabalho. Não faz parte da prática capitalista de seus negócios.
Eu estou cercada por pessoas incriveis e talentosas, pessoas bem sucedidas no verdadeiro sentido das palavras. Eles compram apartamentos, investem em seus futuros, tem filhos, guardam dinheiro. Como eles fazem isso? Como eu posso fazer o mesmo?
Então, eu me questiono: onde foi que deu errado? E eu só posso deduzir que a resposta é incoerente quando combinada com 3 fatores: 1) Minha família não é rica. 2) Eu sou uma mulher queer. 3) Estou tentando tão desesperadamente acompanhar os meus parceiros que estou vivendo além dos meus meios.
E como eu sou uma pessoa produtiva, workaholic, lésbica ativista, eu sou a única responsável pela mudança e sucesso do meu futuro. Então eu considero:
1. Minha família nunca vai ser rica; Em fato, quanto mais eles envelhecem, mais eles gastam o que possuem, e talvez tudo que deixem para mim sejam suas dívidas. Agora, não me interprete mal, eu sou muito sortuda de ter uma família que me apoia. Eu nunca esqueço o quanto sou abençoada de ter um grupo incrível de pessoas em minha vida. Na verdade, nós sabemos como pode ser frustrante viver da sua arte e algo que todos nós podemos relacionar é a nossa família. E as nossas próprias lutas de classe pessoais não são insulares mas realmente um assunto de família. Agora eu entendo o porquê deles me darem apoio, apesar de sempre sugerirem que eu continuasse tendo outros interesses, aprendendo novas coisas. Meu pai, um escutor de madeira, transformou-se em mineiro de areia e cascalho. Minha mãe, que trabalhava com prata, se transformou em professora de arte do ensino fundamental.
2. Eu vou ser sempre a mulher que ganha 77 centavos do 1 dolar que o homem ganha. E a queer que ganha 23 centavos a menos que um heterosexual. Isso significa que eu ganho 54 centavos do dolar hétero? Uau!
3. Ok, e agora a parte emocional: Eu estou tentando manter o mesmo padrão de vida de artirstas que considero que tenham a mesma quantidade de sucesso que eu. Tendo comido caro, comprado jeans caros, gasto com bebida, e tentando ao máximo parecer que eu faco a mesma quantidade de dinheiro que eles. Mas, eu nao sou eles. E por qualquer que seja a razão que eu citei acima, eu não posso fingir mais. Essa sou eu fazendo um mea culpa, estou cansada e decidi parar de me sentir mal por mim mesma. Eu queria poder pagar pelos serviços da famosa especialista em finanças pessoais Suze Orman. Ela é lésbica. Talvez ela possa me ajudar a restabelecer minha seguridade financeira.
Eu tenho muita sorte de ter conquistado tantas coisas na vida e da minha incrível carreira, mas eu estou pronta para me sentir segura. Eu estou pronta para construir meu futuro e economizar, para então poder ter uma família, que eu possa curtir fazendo arte e não tentando criar um produto disso, e então poder gastar mais tempo estando presente e menos sendo uma workaholic, freneticamente procurando por respostas lucrativas. E se eu precisar, eu estou pronta para arrumar um trabalho, ir trabalhar de manhã, receber salário uma vez por semana, ir ao dentista, fazer check-up, me humilhar para um chefe e apreciar música sem estar preocupada se vou conseguir me manter ou não.
Nós vivemos numa sociedade onde pessoas pensam que sucesso é igual a dinheiro. Eles me veem nas páginas da Vogue. Me veem tocando para uma multidão. Eles me veem viajando para fazer shows por todo o mundo. E eu não estou certa do que as pessoas imaginam, mas a verdade é que eu estou passando por dificuldades também.
Nas últimas semanas, eu vi quantos artistas e músicos estao na mesma situação que eu, pessoas que são orgulhosas de seus sucessos, mas se sentem incapazes de continuar, por causa dessa tensão financeira. Artistas como Spank Rock, Das Racist, The drums, tem feito letras em seus novos discos sobre lutar financeiramente. Minha banda MEN lançou um disco em fevereiro com letras similares. Eu sei que a economia está fracassando, mas eu acho que e importante lembrar que está fracassando para todo mundo. Até para as pessoas que você pensa que talvez tenham dinheiro. Então, aqui vamos nós. Uma outra razão para nos juntarmos, uma outra razão para ocupar a Wall Street, outra razão para mudanças.
* termo designado para minorias sexuais que fogem da heteronormatividade e que se identificam com o discurso, ideologia e estilo de vida de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, entre outras designações.
Enquanto viaja pelos Estados Unidos registrando as histórias de pessoas comuns para seu projeto This Wild Idea, o fotógrafo Theron Humphrey aproveita para mostrar a incrível habilidade circense de sua adorável companheira de viagem, a cadela Maddie, que consegue se equilibrar sobre coisas diversas, no projeto paralelo Maddie The Coonhound. Mais na galeria abaixo:
Filme produzido pela RTV para a Rede Globo Nordeste. O desafio de André Rio, Dj Dolores e Fabio Trummer (Eddie) em criar uma música para homenagear o aniversário de Recife e Olinda, em 4 episódios. Confira:
O terceiro da carreira solo do artista recifense com fortes conexões com o interior do estado de Pernambuco é intitulado “Avante”. Apesar do título sugerir uma ideia de futuro, Siba conta que seu 3º disco solo representa um reencontro com o seu passado como guitarrista do Mestre Ambrósio, grupo que o projetou como um dos grandes mestres da cultura popular pernambucana ao longo dos anos 90. “Pra dar o salto de Avante, foi necessário reunir um tanto de todos que já fui. Momentos distintos de vida. Recontar para mim mesmo minha história pessoal, essa que construímos dia a dia, reunindo, descartando, esquecendo, recriando e mesmo inventando”, conta. Produzido em parceria com Fernando Catatau, Avante foi lançado no início dessa semana e conta com 11 faixas, sendo 8 inéditas.
Nesta versão curta do documentário “Siba — Nos Balés da Tormenta”, uma produção do Doble Chapa, Siba fala um pouco sobre o processo de criação do disco, confira:
Após um breve período rodando por São Paulo no último semestre de 2011, a apresentação chega ao Recife no dia 28 de janeiro, às 21h na Rua da Moeda, de graça. Com um material incrível em mãos, além da presença de palco e carisma reconhecidos de Siba, Avante, ao vivo, deverá ser intenso e marcante.
Antes chamada de Saigon, Ho Chi Minh City é uma das cidades que mais crescem no Vietnã. Uma das curiosidades do lugar, que tem quase 7,5 milhões de habitantes, é o padrão caótico e enérgico do movimento dos veículos nas principais vias, que surpreendentemente termina por ser organizado. Quem registra é o designer gráfico e fotógrafo britânico Rob Whitworth num belíssimo vídeo em time-lapse, resultado da junção de 10 mil imagens incríveis e de altíssima resolução em sequência.