Revista O Grito!

Pimp My Carroça

Para o gra­fi­teiro Mundano, a arte na rua tem o poder de trans­for­ma­ção social maior do que se ima­gina. O artista, conhe­cido por sua posi­ção crí­tica em rela­ção à polí­tica, é o cri­a­dor de um pro­jeto artís­tico que pre­tende cus­to­mi­zar car­ro­ças de cata­do­res de mate­ri­ais reci­clá­veis em São Paulo. A ati­vi­dade deverá ‘tunar’ no mínimo 50 car­ro­ças, que deve­rão rece­ber, além de gra­fi­ta­gem, lan­ter­nas, retro­vi­so­res, buzi­nas e fai­xas refle­to­ras, equipando-as com o mínimo de aces­só­rios de segu­rança neces­sá­rios, e ainda ofe­re­cerá ao cata­dor con­sulta médica, com um clí­nico geral e um oftal­mo­lo­gista, uma refei­ção refor­çada e ainda con­versa com um espe­ci­a­lista em depen­dên­cia quí­mica, afirma o gra­fi­teiro. Depois, será rea­li­zada a ‘car­ro­ce­ata’, uma mani­fes­ta­ção pací­fica com os car­ri­nhos tur­bi­na­dos para defen­der a dig­ni­dade e res­sal­tar a impor­tân­cia dos cata­do­res den­tro do con­texto urbano. O obje­tivo da pro­posta é tirar os car­ro­cei­ros da invi­si­bi­li­dade e inse­rir a cate­go­ria na soci­e­dade, além de mudar a forma como os cata­do­res são enca­ra­dos no trân­sito.
O nome do pro­jeto faz refe­rên­cia ao pro­grama de tele­vi­são Pimp My Ride, que tur­bina car­ros velhos e os trans­for­mam em car­rões enve­ne­na­dos. O con­ceito de trans­for­ma­ção é o mesmo, mas a impor­tân­cia do pro­jeto atinge uma escala maior. “A pin­tura e reforma da car­roça levanta a auto­es­tima dos car­ro­cei­ros. As pes­soas pas­sam a inte­ra­gir com eles. Eles come­çam a ser vis­tos pela soci­e­dade. Só traz coi­sas posi­ti­vas”, afirma Mundano, que tam­bém cria fra­ses de efeito com a inten­ção de fazer as pes­soas pen­sa­rem no meio ambi­ente e nas desi­gual­da­des soci­ais. O artista acre­dita que, ao se depa­rar com uma car­roça na qual foi pin­tada uma frase do tipo “Um Catador faz mais que um Ministro do meio ambi­ente”, é ine­vi­tá­vel parar e refle­tir sobre a rele­vân­cia do tra­ba­lho do car­ro­ceiro, que ape­nas ganha espaço na mídia quando acon­tece algum aci­dente, ape­sar de seu tra­ba­lho extre­ta­mente bené­fico à soci­e­dade. A pro­posta é modi­fi­car este cená­rio. “Eles pas­sam a ser enxer­ga­dos, tornam-se um atra­tivo para a cidade, algo cul­tu­ral, e isso mexe com a auto­es­tima”.
O evento Pimp my Carroça deverá acon­te­cer durante a Virada Sustentável pau­lis­tana, nos dias dois e três de junho. No entanto, para que ele se con­cre­tize como pla­ne­jado será neces­sá­rio o auxí­lio de volun­tá­rios e tam­bém do apoio finan­ceiro cola­bo­ra­tivo atra­vés do site Catarse. A meta é con­se­guir um mon­tante de R$ 38.200, para que 50 cata­do­res pos­sam ser bene­fi­ci­a­dos. Caso o obje­tivo seja supe­rado, mais pes­soas serão bene­fi­ci­a­das. O prazo limite para a arre­ca­da­ção expira no iní­cio de maio.
Assista ao vídeo de divul­ga­ção do projeto:

Para enten­der o con­texto de cri­a­ção do PIMP MY CARROÇA, assista tam­bém à pales­tra que o Mundano fez no TEDxVer-o-Peso sobre seu pro­jeto Cidades Recicláveis:

Para doar, visite a página do pro­jeto no Catarse.
Contato para crí­ti­cas, suges­tões e par­ce­rias: pimpmycarroca@gmail.com

Velho Recife Novo, o documentário.

Estimulados pelo ambi­ente de dis­cus­são dos pro­ble­mas e pro­je­tos urba­nos da cidade do Recife, os cine­as­tas Luís Henrique Leal e Caio Zatti, em par­ce­ria com os arqui­te­tos Cristiano Borba e Lívia Nóbrega, pro­du­zi­ram um docu­men­tá­rio que pro­põe uma refle­xão sobre o espaço público e os pro­ces­sos de trans­for­ma­ção da cidade do Recife. No vídeo, oito espe­ci­a­lis­tas de diver­sas áreas (arqui­te­tura e urba­nismo, eco­no­mia, enge­nha­ria, geo­gra­fia, his­tó­ria e soci­o­lo­gia) opi­nam sobre a noção de espaço público e des­ta­cam temas como: a his­tó­ria do espaço público na cidade, o efeito dos pro­je­tos de grande impacto no espaço urbano, modos de morar reci­fense, a rela­ção entre a rua e os edi­fí­cios, a qua­li­dade dos espa­ços públi­cos, legis­la­ção urbana, ges­tão e polí­ti­cas públi­cas e mobilidade.

Assista ao vídeo, reflita, com­par­ti­lhe. Entre na dis­cus­são você também.

Como surgiu o nome de empresas famosas

Já ima­gi­nou a ori­gem do nome de mar­cas famo­sas? Confira a gale­ria com a expli­ca­ção (em inglês) sobre a eti­mo­lo­gia dos nomes de algu­mas empresas:

Via

Zé Manoel lança seu primeiro CD

Espetáculo acon­te­cerá no dia 5 de maio, no Teatro de Santa Isabel

Nascido em Petrolina — PE, o talen­toso pia­nista Zé Manoel com­põe e canta can­ções tipi­ca­mente bra­si­lei­ras, com har­mo­nias requin­ta­das e influên­cias de bossa nova, samba, cho­ri­nho, valsa bra­si­leira e do jazz. Seu tra­ba­lho come­çou a ser apre­sen­tado em fes­ti­vais de música em 2004, e vem rece­bendo prê­mios e bas­tante elo­gios desde então. Suas pri­mei­ras refe­rên­cias musi­cais, assi­mi­la­das por ele ainda cri­ança ao ingres­sar em aulas de piano, foram de com­po­si­to­res bra­si­lei­ros, como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Branca Bilhar, porém o gosto pelos arran­jos tipi­ca­mente naci­o­nais sur­giu ape­nas mais tarde, com a des­co­berta de com­po­si­to­res clás­si­cos da Música Popular Brasileira, entre eles Chico Buarque, Dorival Caymmi e Tom Jobim. Há qua­tro anos morando no Recife, sua música suave emba­lada por um sota­que deli­ci­o­sa­mente per­nam­bu­cano vem sendo admi­rada pela imprensa naci­o­nal, pelos gran­des rea­li­za­do­res de fes­ti­vais locais, e prin­ci­pal­mente pelo público em geral.
Seu bas­tante aguar­dado 1º CD, autoin­ti­tu­lado, será lan­çado no dia 5 de maio no palco do cen­te­ná­rio tea­tro Santa Isabel, no Recife. O álbum, pro­du­zido com o prê­mio do Pré-AMP 2011, fes­ti­val rea­li­zado pela Prefeitura do Recife no intuito de reve­lar novos talen­tos, traz letras de sua auto­ria e can­ções que falam, na sua mai­o­ria, do coti­di­ano e do amor, resquí­cios do tempo que o artista morava no Sertão per­nam­bu­cano. O artista apro­vei­tou ainda o reper­tó­rio do seu pri­meiro EP, lan­çado em 2009, e incluiu sete novas can­ções.
Confira a par­ti­ci­pa­ção de Zé Manoel no pro­jeto Estúdio ao Vivo Observa e Toca, da Fundarpe, onde o artista fala sobre seu envol­vi­mento com a música, suas refe­rên­cias e mos­tra um pouco do seu trabalho:

Serviço:
Lançamento do CD de Zé Manoel
Local: Teatro de Santa Isabel
Data: 05/05/2012 (sábado)
Horário: 21h
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) — À venda no Teatro Santa Isabel e no Bogart Café
Informações: contato@zemanoel.com.br | (81) 3355–3322 | (81) 9752–9254

JD Samson, o novo ícone dyke nerdy cool novaiorquino


JD Samson é o nome artís­tico de Jocelyn Samson, nas­cida em Clevelend, no estado de Ohio, em 4 de Agosto de 1978. Lésbica assu­mida, tem em seu his­tó­rico pes­soal a dura tarefa de sair do armá­rio com ape­nas 15 anos de idade em um subúr­bio no Meio-Oeste norte-americano. Pouco tempo depois, rumou para Nova York, onde se enga­jou em estu­dos de arte e fre­e­las de ilu­mi­na­dora em espe­tá­cu­los que se tor­na­ram refe­rên­cia de arte de van­guarda na cidade e a pro­por­ci­o­na­ram alguma visi­bi­li­dade. Seu talento cha­mou a aten­ção de mui­tos artis­tas locais, como as inte­gran­tes da banda de elec­tro­punk femi­nista Le Tigre. Inicialmente con­tra­tada para fazer pro­je­ções de ima­gens durante os shows do grupo, entrou defi­ni­ti­va­mente para a banda em 2000, subs­ti­tuindo a inte­grante Sadie Benning, tornando-se uma espé­cie de líder natu­ral das lés­bi­cas moder­ni­nhas novai­or­qui­nas com o seu modelo de mili­tân­cia enér­gico e inqui­e­ta­ção artís­tica e comportamental.


Em seu tra­ba­lho mais recente, MEN, jun­ta­mente com os ami­gos Michael O’Neill e Ginger Brooks Takahashi, com­pa­nhei­ros em outros pro­je­tos musi­cais, além da con­tri­bui­ção inte­lec­tual de Kathleen Hanna, tam­bém inte­gran­tes da Le Tigre, a artista dá uma nova ênfase às letras debo­cha­das e irô­ni­cas para tra­tar de assun­tos sérios. “A iro­nia está pre­sente em quase toda a arte. É uma forma de cha­mar a aten­ção, como numa cari­ca­tura”, con­si­dera. “Quando você está falando para um público gay, você quer que eles te enten­dam, e a iro­nia é uma sofis­ti­cada forma de lin­gua­gem muito com­pre­en­dida entre gays. Faz rir, faz pen­sar, faz con­cor­dar ou dis­cor­dar, mas não fica em cima do muro.”

Apesar do sucesso como artista, JD escre­veu um artigo para o Huffington Post no final do ano pas­sado sobre as difi­cul­da­des que enfrenta para se sus­ten­tar. Seu desa­bafo se tor­nou uma espé­cie de mani­festo para os que, como ela, ten­tam sobre­vi­ver de arte em Nova York. Segue o texto tra­du­zido livre­mente:

Eu amo meu tra­ba­lho, mas ele me empobreceu.

Eu tenho muita sorte de ser capaz de criar arte e música e pre­en­cher minhas pai­xões atra­vés do meu tra­ba­lho pelos últi­mos 11 anos. Mas, eu sou sufi­ci­ente estú­pida de ter apos­tado todas as minhas fichas numa única coisa. Agora, música é a única forma como eu posso ganhar dinheiro. Eu tenho 33 anos e não sei fazer café. Eu nao sei usar Excel, ser bar­ten­der ou gar­ço­nete, e eu estou ofi­ci­al­mente velha demais para entrar para a polí­cia. Eu perdi a con­fi­ança neces­sá­ria para vol­tar para escola e come­çar do zero e fico estres­sada até mesmo em pen­sar, por um segundo sequer, nos débi­tos que eu pre­ci­sa­ria con­trair para fazê-lo.
Eu tenho exer­cido várias fun­ções na indús­tria da música, como: ban­das, dis­co­te­car, remi­xar e ainda escre­ver música para outros artis­tas. Eu sou uma wor­kaho­lic e tenho minhas mãos em dife­ren­tes espa­ços. Mas, todos esses tra­ba­lhos não geram uma renda fixa. Eu não tenho salá­rio; Eu não sei quanto eu vou ganhar no mês que vem, no pró­ximo ano ou em 5 anos. Eu não tenho plano de saúde. E eu vivo estres­sada por todas essas coi­sas, por não pla­ne­jar o futuro e não saber se eu vou ou não con­se­guir alcan­çar os obje­ti­vos que pla­ne­jei para minha vida, como ter uma famí­lia e uma certa segu­rança, inclu­sive finan­ceira. Quando eu digo “segu­rança”, eu estou falando do básico. Eu falo de plano de saúde que serve para eu cui­dar de mim, não somente se eu pre­ci­sar de me sub­me­ter a um pro­ce­di­mento cru­cial que custe 10 mil dóla­res. Eu falo de den­tista. Eu quero dizer, dinheiro para fun­dos de apo­sen­ta­do­ria para que eu possa cui­dar de mim quando eu esti­ver com 80 anos. Claramente, há uma dife­rença entre sobre­vi­ver e luxo.
Como vários ado­les­cen­tes, eu acre­di­tei no Sonho Americano, em que eu pode­ria mudar para Nova York, vinda de uma cidade pequena do Centro-Oeste e virar uma artista. Eu sonhava em ter ambos, fama e sucesso, e nunca ter que me pre­o­cu­par com dinheiro. A pri­meira metade se con­cre­ti­zou. Eu fiz arte e vivi o ati­vismo, e alcan­çei alguns suces­sos dos quais me sinto ina­cre­di­ta­vel­mente orgu­lhosa. A segunda metade, nem tanto. Eu tenho sido capaz de viver bem, comer bem, inves­tir na minha arte e fazer meu pró­prio horá­rio de tra­ba­lho, mas eu esqueci de guar­dar dinheiro e pen­sar sobre o meu futuro.
Esse verão, eu ten­tei alu­gar um apar­ta­mento em Williamsburg, Brooklyn. O pro­cesso me fez entrar em crise emo­ci­o­nal e me acor­dou para toda uma nova con­cep­ção de nossa eco­no­mia, da larga indús­tria musi­cal, e mais espe­ci­fi­ca­mente, o que sig­ni­fica ser uma artista Queer*.
Eu pas­sei dias pro­cu­rando pelo bairro de Williamsburg, olhando pre­cá­rios apar­ta­men­tos sem ele­va­do­res, com bara­tas enfi­lei­ra­das pelas por­tas dos cor­re­do­res, vizi­nhos bri­gões, ratos nos tetos, inse­tos que infes­ta­vam os pisos e car­pe­tes enchar­ca­dos de urina de gatos. O alu­guel era exor­bi­tante, pou­cas uni­da­des dis­po­ní­veis e eu não fui apro­vada por dois dife­ren­tes pro­pri­e­tá­rios por­que eu sou fre­e­lan­cer. Para ser honesta, eu não os culpo. Não somente eu sou fre­e­lan­cer, mas eu sou uma lés­bica fre­e­lan­cer. Dupla falta de sorte. Qual a razão deles não alu­ga­rem os apar­ta­men­tos para mim? Talvez por­que é mais fácil alu­gar para um cara rico, com salá­rio garan­tido, tipo um ban­cá­rio hetero que quer morar no bairro mais cool do mundo. Ou por­que quando ele me conhe­ceu, o que enxer­gou foi uma lés­bica tatu­ada que faz queer elec­tro­nic punk music e não tem cer­teza quando o pró­ximo salá­rio vai vir. Sim, eu não o culpo. Ele pouco se importa que exis­tem ado­les­cen­tes que me enviam emails todos os dias me agra­de­cendo por demovê-los da ideia de come­ter sui­cí­dio atra­vés do meu tra­ba­lho. Não faz parte da prá­tica capi­ta­lista de seus negó­cios.
Eu estou cer­cada por pes­soas incri­veis e talen­to­sas, pes­soas bem suce­di­das no ver­da­deiro sen­tido das pala­vras. Eles com­pram apar­ta­men­tos, inves­tem em seus futu­ros, tem filhos, guar­dam dinheiro. Como eles fazem isso? Como eu posso fazer o mesmo?
Então, eu me ques­ti­ono: onde foi que deu errado? E eu só posso dedu­zir que a res­posta é inco­e­rente quando com­bi­nada com 3 fato­res: 1) Minha famí­lia não é rica. 2) Eu sou uma mulher queer. 3) Estou ten­tando tão deses­pe­ra­da­mente acom­pa­nhar os meus par­cei­ros que estou vivendo além dos meus meios.
E como eu sou uma pes­soa pro­du­tiva, wor­kaho­lic, lés­bica ati­vista, eu sou a única res­pon­sá­vel pela mudança e sucesso do meu futuro. Então eu con­si­dero:
1. Minha famí­lia nunca vai ser rica; Em fato, quanto mais eles enve­lhe­cem, mais eles gas­tam o que pos­suem, e tal­vez tudo que dei­xem para mim sejam suas dívi­das. Agora, não me inter­prete mal, eu sou muito sor­tuda de ter uma famí­lia que me apoia. Eu nunca esqueço o quanto sou aben­ço­ada de ter um grupo incrí­vel de pes­soas em minha vida. Na ver­dade, nós sabe­mos como pode ser frus­trante viver da sua arte e algo que todos nós pode­mos rela­ci­o­nar é a nossa famí­lia. E as nos­sas pró­prias lutas de classe pes­so­ais não são insu­la­res mas real­mente um assunto de famí­lia. Agora eu entendo o porquê deles me darem apoio, ape­sar de sem­pre suge­ri­rem que eu con­ti­nu­asse tendo outros inte­res­ses, apren­dendo novas coi­sas. Meu pai, um escu­tor de madeira, transformou-se em mineiro de areia e cas­ca­lho. Minha mãe, que tra­ba­lhava com prata, se trans­for­mou em pro­fes­sora de arte do ensino fun­da­men­tal.
2. Eu vou ser sem­pre a mulher que ganha 77 cen­ta­vos do 1 dolar que o homem ganha. E a queer que ganha 23 cen­ta­vos a menos que um hete­ro­se­xual. Isso sig­ni­fica que eu ganho 54 cen­ta­vos do dolar hétero? Uau!
3. Ok, e agora a parte emo­ci­o­nal: Eu estou ten­tando man­ter o mesmo padrão de vida de artirs­tas que con­si­dero que tenham a mesma quan­ti­dade de sucesso que eu. Tendo comido caro, com­prado jeans caros, gasto com bebida, e ten­tando ao máximo pare­cer que eu faco a mesma quan­ti­dade de dinheiro que eles. Mas, eu nao sou eles. E por qual­quer que seja a razão que eu citei acima, eu não posso fin­gir mais. Essa sou eu fazendo um mea culpa, estou can­sada e decidi parar de me sen­tir mal por mim mesma. Eu que­ria poder pagar pelos ser­vi­ços da famosa espe­ci­a­lista em finan­ças pes­so­ais Suze Orman. Ela é lés­bica. Talvez ela possa me aju­dar a res­ta­be­le­cer minha segu­ri­dade finan­ceira.
Eu tenho muita sorte de ter con­quis­tado tan­tas coi­sas na vida e da minha incrí­vel car­reira, mas eu estou pronta para me sen­tir segura. Eu estou pronta para cons­truir meu futuro e eco­no­mi­zar, para então poder ter uma famí­lia, que eu possa cur­tir fazendo arte e não ten­tando criar um pro­duto disso, e então poder gas­tar mais tempo estando pre­sente e menos sendo uma wor­kaho­lic, fre­ne­ti­ca­mente pro­cu­rando por res­pos­tas lucra­ti­vas. E se eu pre­ci­sar, eu estou pronta para arru­mar um tra­ba­lho, ir tra­ba­lhar de manhã, rece­ber salá­rio uma vez por semana, ir ao den­tista, fazer check-up, me humi­lhar para um chefe e apre­ciar música sem estar pre­o­cu­pada se vou con­se­guir me man­ter ou não.
Nós vive­mos numa soci­e­dade onde pes­soas pen­sam que sucesso é igual a dinheiro. Eles me veem nas pági­nas da Vogue. Me veem tocando para uma mul­ti­dão. Eles me veem via­jando para fazer shows por todo o mundo. E eu não estou certa do que as pes­soas ima­gi­nam, mas a ver­dade é que eu estou pas­sando por difi­cul­da­des tam­bém.
Nas últi­mas sema­nas, eu vi quan­tos artis­tas e músi­cos estao na mesma situ­a­ção que eu, pes­soas que são orgu­lho­sas de seus suces­sos, mas se sen­tem inca­pa­zes de con­ti­nuar, por causa dessa ten­são finan­ceira. Artistas como Spank Rock, Das Racist, The drums, tem feito letras em seus novos dis­cos sobre lutar finan­cei­ra­mente. Minha banda MEN lan­çou um disco em feve­reiro com letras simi­la­res. Eu sei que a eco­no­mia está fra­cas­sando, mas eu acho que e impor­tante lem­brar que está fra­cas­sando para todo mundo. Até para as pes­soas que você pensa que tal­vez tenham dinheiro. Então, aqui vamos nós. Uma outra razão para nos jun­tar­mos, uma outra razão para ocu­par a Wall Street, outra razão para mudanças.

* termo desig­nado para mino­rias sexu­ais que fogem da hete­ro­nor­ma­ti­vi­dade e que se iden­ti­fi­cam com o dis­curso, ide­o­lo­gia e estilo de vida de gays, lés­bi­cas, bis­se­xu­ais e trans­gê­ne­ros, entre outras designações.

Maddie, a cadela equilibrista

Enquanto viaja pelos Estados Unidos regis­trando as his­tó­rias de pes­soas comuns para seu pro­jeto This Wild Idea, o fotó­grafo Theron Humphrey apro­veita para mos­trar a incrí­vel habi­li­dade cir­cense de sua ado­rá­vel com­pa­nheira de via­gem, a cadela Maddie, que con­se­gue se equi­li­brar sobre coi­sas diver­sas, no pro­jeto para­lelo Maddie The Coonhound. Mais na gale­ria abaixo:

12 de Março, uma música para Recife e Olinda


Filme pro­du­zido pela RTV para a Rede Globo Nordeste. O desa­fio de André Rio, Dj Dolores e Fabio Trummer (Eddie) em criar uma música para home­na­gear o ani­ver­sá­rio de Recife e Olinda, em 4 epi­só­dios. Confira:

Perfume Genius


Uma entre­vista com o bri­lhante Perfume Genius sobre o seu tra­ba­lho. O vídeo é pro­du­zido pelo Pitchfork.

Confira tam­bém o vídeo do Perfume Genius da música Hood, com par­ti­ci­pa­ção do ator pornô hún­garo Arpad Miklos.

Siba vai muito mais além com “Avante”

O ter­ceiro da car­reira solo do artista reci­fense com for­tes cone­xões com o inte­rior do estado de Pernambuco é inti­tu­lado “Avante”. Apesar do título suge­rir uma ideia de futuro, Siba conta que seu 3º disco solo repre­senta um reen­con­tro com o seu pas­sado como gui­tar­rista do Mestre Ambrósio, grupo que o pro­je­tou como um dos gran­des mes­tres da cul­tura popu­lar per­nam­bu­cana ao longo dos anos 90. “Pra dar o salto de Avante, foi neces­sá­rio reu­nir um tanto de todos que já fui. Momentos dis­tin­tos de vida. Recontar para mim mesmo minha his­tó­ria pes­soal, essa que cons­truí­mos dia a dia, reu­nindo, des­car­tando, esque­cendo, recri­ando e mesmo inven­tando”, conta. Produzido em par­ce­ria com Fernando Catatau, Avante foi lan­çado no iní­cio dessa semana e conta com 11 fai­xas, sendo 8 iné­di­tas.
Nesta ver­são curta do docu­men­tá­rio “Siba — Nos Balés da Tormenta”, uma pro­du­ção do Doble Chapa, Siba fala um pouco sobre o pro­cesso de cri­a­ção do disco, confira:

O show

Após um breve período rodando por São Paulo no último semes­tre de 2011, a apre­sen­ta­ção chega ao Recife no dia 28 de janeiro, às 21h na Rua da Moeda, de graça. Com um mate­rial incrí­vel em mãos, além da pre­sença de palco e carisma reco­nhe­ci­dos de Siba, Avante, ao vivo, deverá ser  intenso e marcante.

O trânsito frenético do Vietnã


Antes cha­mada de Saigon, Ho Chi Minh City é uma das cida­des que mais cres­cem no Vietnã. Uma das curi­o­si­da­des do lugar, que tem quase 7,5 milhões de habi­tan­tes, é o padrão caó­tico e enér­gico do movi­mento dos veí­cu­los nas prin­ci­pais vias, que sur­pre­en­den­te­mente ter­mina por ser orga­ni­zado. Quem regis­tra é o desig­ner grá­fico e fotó­grafo bri­tâ­nico Rob Whitworth num belís­simo vídeo em time-lapse, resul­tado da jun­ção de 10 mil ima­gens incrí­veis e de altís­sima reso­lu­ção em sequência.