Desde seu primeiro disco solo, parecia construir um faceta que o transformaria no personagem que é hoje. Seus discos seguem uma evolução de lamúrias, que chegam até o caráter “universal” que adquiriu atualmente. No caminho, o músico foi burilando seu estilo, adicionando diversas influências ao rock que desenvolveu junto aos Smiths. Abaixo nossos comentários para os principais discos da discografia de Moz.

Por Fernando de Albuquerque

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Viva Hate! – 1988
O disco foi o primeiro trabalho solo do vocalista do The Smiths e veio seis meses após o fim da banda. O disco foi ovacionado pelo público tendo alcançado ainda em sua primeira semana de lançamento não só a poli-position britânica como o 48º lugar na Billlboard. Os principais hits do disco são “Suedehead” e “Everyday is like sunday”, músicas que ainda embalam muitas baladas mais nostálgicas. Uma das faixas mais polêmicas foi “Margaret On The Guillotine” em que o cantor conclamava a morte da ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher. O disco foi relançado em 1997 com nova capa e oito novas faixas, entre elas: “Let The Right One Slip In” e “I’d Love Too”.

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Bona Drag – 1990
A segunda experiência veio com Bona drag, dois anos depois, enquanto uma espécie de coletânea de tudo que lançou desde Viva Hate. Configura-se uma compilação com pouca unidade discursiva o que, para a época, foi considerado experimentação, certa dose de ousadia de Morrissey. Ao lado do disco foram lançados diversos singles e pequenos compactos, todos com vida interdependente. Uma das faixas mais pujantes está “November Spawned Monster”.

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Kill Uncle – 1991
Este é oficialmente o segundo álbum solo de Morrissey e coloca no ar um espírito dos anos 1950, bebendo na fonte do rockabilly em cada uma de suas canções. A imprensa britânica chegou a cogitar o fim da carreira solo do cantor com esse lançamento que não trazia nenhuma parceria forte e muita inconsistência no rol de músicas. Duas delas se sobressaem entre as que foram mixadas neste título: “Our Frank” e “There’s a Place In Hell For Me and My Friends”. Vale a pena cada riff.

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Your Arsenal – 1992
No ano seguinte Morrissey finalmente mostra sua verdadeira faceta, que iria lhe acompanhar até os dias atuais. A parceria com o guitarrista que acompanhou Bowie nos anos 1970 levaram a construção de canções belíssimas e não menos controversas, e que abordam temas nada fáceis de deglutir, como uma Inglaterra mais crua e violenta e os hooligans. “Certain People I Know” e “You’re The One For Me, Fatty” são as mais famosas e que ainda embalam o sonho de muitos fãs. “I Know It’s Gonna Happen Someday”, também deste álbum, foi regravada por Bowie.

Vauxhall and I – 1994
Aqui o nosso dândi ganha tons fúnebres em suas músicas, devido à perda do amigo e parceiro Mick Ronson, levado pelo câncer. Os fãs mais fervorosos atribuem a este álbum o melhor título de Morrissey. “The More You Ignore Me, The Closer I Get”, nona faixa, levou Morrissey novamente à Billboard, na posição 20. “Speedway” amarra toda a melodia do título pedindo perdão e revelando um homem que reconhece, mas não foge de seus erros. Este foi o álbum se tornou o mais vendido do cantor até então.

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Southpaw Grammar – 1995
Sem nenhuma balada e com faixas maiores que as que comumente gravadas até aqui, Southpaw grammar é quase como um hiato na carreira do cantor. Ele mistura música clássica com rockabilly e outras experimentações. O resultado são músicas como “The Teachers Are Afraid of The Pupils” e “The Boy Racer”. O título foi relançado em 2009 com nova capa e mais quatro músicas, com nova ordem e algumas modificações. Daí passou a impressionar pela potência.

https://www.youtube.com/watch?v=0HkxsjX7dgw

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Maladjusted – 1997
Neste álbum, já nas vésperas do novo milénio, Morrissey limpa as guitarras explosivas de sua vida e volta à melodia e melancolia que sempre lhe foi presente. “Alma Matters”, “Trouble Loves Me” e “Wide to Receive” são as músicas-símbolo deste disco tão poderoso quanto inspirador. Aqui ele conta com certo desdém sua história pós-Smiths e fala sobre o processo judicial movido contra ele por Mike Joyce. Entre as principais canções estão “Satan Reject My Soul”, “Trouble Loves Me” e a não menos dramática “The Edges Are No Longer Parallel”.

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You Are The Quarry – 2004
Foram sete anos de silêncio e reclusão e a volta triunfal, sólida e não menos melancólica. Este disco é basicamente feito somente de baladas fortes, emotivas e cortantes. Impossível passar incólume. Morrissey coloca nas faixas tudo que rodeia seu caráter, seu cinismo marcante, seu drama de “high society” e toda sua bebedeira. “America Is Not The World” e “Irish Blood, English Heart”, por exemplo falam sobre homossexualidade, negros, conflitos religiosos e raciais de um jeito que beira o antiético. Seu disco chegou a posição 11 na Billboard com mais de 1 milhão de cópias, mais que todos os discos do Smiths juntos. Ele chegou a reeditar o álbum incluindo mais nove canções.

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Ringleader of the Tormentors – 2006
Em busca de mudanças na sua vida, Morrissey trocou os EUA pela Itália, mais precisamente Roma. E isso influenciou muito seu novo álbum que contou com produção de Tony Visconti, que colaborava com David Bowie. “You Have Killed Me”, “Life Is a Pigsty” e “The Youngest Was The Most Loved” falam sobre coisas bem europeias, atrizes bem europeias, diretores de filmes bem europeus e tudo que colabora em criar o clima italiano. O disco é apaixonante para o mais leigo dos fãs e representa, muito mais do que “You The Quarry”, uma retomada.

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Years of Refusal – 2009
Uma sensível mudança na sonoridade do cantor marcam o lançamento deste álbum. O guitarrista Alain Whyte deixa a parceria com Morrissey para dedicar-se ao trabalho com outros músicos. Assim, o álbum detém guitarras pesadas, mas ainda assim melódicas e sentimentais. Entre os pontos altos estão “Sorry Doesn’t Help”, Something Is Squeezing My Skull” e “All You Need Is Me”, em que ele exorciza sua própria culpa dentro do seu próprio ego.

Falando neste disco, foi desta fase que saiu essa foto maravilhosa de Morrissey na fase “nem aí”.

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