Aposta do rap nacional, o Hó Mon Tchain lança neste início do ano o seu aguardado novo disco, Assim Que Nóis Trabalha. É um disco do proletariado e seus causos e sonhos, cheio de referências ao hip hop clássico e também ao R&B norte-americano. Mas fica bem no limite de tentar trazer algo novo ao gênero.

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Ainda que se arrisquem em alguns samplers, como Björk e aberturas vintage de Sessão da Tarde, o disco se apoia demais na cartilha mais básica do rap. Há até mesmo uso de chavões que soam estranhos em MCs nos dias atuais (“traficando rima”). A veracidade das letras é indiscutível, mas falta um pouco mais de apuro na escrita, tanto em busca de uma poética mais criativa, quanto na cadência sonora, que chega a soar monótona.

Nascido em 2009, a banda é hoje formada pelos rappers Amiltex, Diham, Falcon Mc, JG‐Mano, Plano B e Mud, que produziu o trabalho em seu estúdio. O grupo da Zona Leste paulista traz temas que fogem de seu ambiente, o que é um ponto positivo, como por exemplo o terrorismo no Oriente Médio. É um cosmopolitismo que dá a diferenciação que o Hó Mon Tchain tanto necessita. O disco tenta seguir um conceito de conta o cotidiano dos integrantes, falando de relações amorosas, problemas no trabalho, crime e questões sociais. Tudo do ponto de vista do trabalhador comum, o que fica explícito já na capa. Por isso canções como “Hora do Almoço”, “Essa Noite” e “Fim do Expediente”.

Contemporâneos de um excelente momento vivido pelo rap tanto no Brasil quanto no exterior, o Hó Mon Tchain precisa se desprender das ideias já testadas do gênero e arriscar mais. Apostando no prato feito, mas ainda delicioso, eles correm o risco de se perderem em meio a opções mais instigantes.

PS: o nome da banda é uma derivação da frase em inglês “One More Time”, pronunciada como “Hó Mon Tchain” por um de seus idealizadores em rodas de Freestyle. A brincadeira acabou aceita por todos e passou a batizar o grupo.

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