Dinastia M 1, Brian Michael Bendis e Michale Oaming

UMA PAUSA PARA AMEAÇAR O UNIVERSO
por Paulo Floro

DINASTIA M 1
Brian Michael Bendis e Michale Oaming
[Panini, 52 pgs, R$5,90]

Os Surpreendentes X-Men e os Vingadores se reúnem para discutir o destino da Feiticeira Escarlate, que entrou em colapso e está em Genosha, mas a caminho de lá, os heróis são surpreendidos por um clarão. Está criada uma nova realidade, onde os mutantes são maioria e apenas Wolverine lembra de alguma coisa.

Um cataclisma abalando as estruturas do universo. Wolverine super-star, super-herois no limite. Hmm, algo de novo?

Depois de anos lançando sagas contidas em títulos, muitas excelentes por sinal, com uma certa independência na cronologia, a Marvel decide envolver todos os seus milionários personagens em um evento de alcance total, se estendendo pela maioria dos títulos e criando várias mini-séries de qualidade duvidosa (como Mutopia X, publicada em X-Men Extra a partir de setembro). Hoje em dia, com a internet e várias séries à venda, é cada vez mais difícil emplacar uma grande saga na mídia dos quadrinhos. Ninguém parece dar mais bola às ameaças ao universo. O problema são os clichês inerentes à eventos desse tipo, e o pior, com finais previsíveis, essas sagas costumam voltar ao ponto inicial com poucas repercussões (não é o caso totalmente de Dinastia M, mas não vou dizer o que acontece para não estragar a série mais ainda). Atualmente nos EUA, a Marvel publica Civil War, que diferente de outros grandes eventos da Marvel, têm uma premissa original e está realmente envolvendo a imprensa e leitores, com acontecimentos surpreendentes (ainda é segredo para alguém que o Homem-Aranha revelou a identidade?).

Outro problema da série são suas ligações com vários eventos da Marvel, como Vingadores – A Queda e os recentes acontecimentos nos títulos dos Supreendentes X-Men e do Excalibur. Quem não acompanhou essas sagas, talvez perca um pouco o interesse na mini-série. Pra quem leu A Queda, Dinastia M é praticamente uma continuação, só que bem mais, digamos, universal.

Bendis consegue empolgar a leitura no início, mostrando momentos de crise entre os super-heróis, mas isso já é sua especialidade. Os desenhos de Oeming, não tem nada de fabuloso, mas consegue mostrar uma Genosha destruída, que deveria ter sido mostrado no título do Excalibur, além de belos enquadramentos. Por isso, Dinastia M, não tem nada que a legitime como uma grande série, a não ser quatro meses interrompendo as tramas de vários títulos da editora. A Panini, que não conseguiu empolgar os leitores para o “grande acontecimento do ano”, fez uma edição bem feita. Com duas edições da revista original, trouxe capas variantes, papel couché, e torcemos que não atrase nos próximos lançamentos. Para os impressionáveis, vale a pena comprar as quatro revistas da mini-série, para se deleitar (sic) com o esforço dos heróis marvel em situações-limite. Para os nerds aficcionados e colecionadores, talvez seja importante acompanhar. Para quem está interessado em gastar dinheiro apenas com boas histórias (aqueles que xingam a Panini por pagar 7 paus na X-Men Extra por apenas uma história interessante), não irão perder nada se lerem o recapitula dos fatos assim que a série acabar.

NOTA:: 5,5

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