DESBRAVADORES – UMA SAGA AMERICANA
De Laeta Kalogridis (roteiro) e Christopher Shynum (arte)
[Devir, 152 págs, R$ 42,00]

Baseado no filme homônimo de Marcus Nispel (O Massacre da Serra Elétrica), Desbravadores – Uma Saga Americana é o típico caso de quem aposta na embalagem em detrimento do conteúdo ruim.

Na graphic novel, um garoto viking, sobrevivente de uma expedição naufragada, é criado por uma tribo de índios americanos. O curioso na história é que muito antes de Colombo pisar no continente, bárbaros escandinavos adentraram a América do Norte. Espírito, como o garoto fica conhecido, referência ao contraste de sua pele muito branca com a tez vermelha dos indígenas, trava uma violenta batalha pessoal para destruir seu antigo povo e os impedir de seu plano de destruição.

A adaptação da obra ficou por conta de Laeta Kalogridis (roteiro) e Christopher Shynum (arte). O artista Shynum e Nispel, diretor do longa conversaram bastante e desenvolveram juntos a idéia de Desbravadores. No prefácio do livro, Nispel afirma que o livro e o filme nasceram pensados como um só projeto. De fato, a arte é estonteante, talvez até mais do que os efeitos especiais do filme. O único problema, talvez, seja a fotografia e a colorização, que exageram nos tons escuros, como se na América pré-colombiana não existisse luz do dia.

Mas o que torna Desbravadores uma HQ bem descartável é mesmo o roteiro. Com uma idéia interessante nas mãos, produtores e roteiristas se renderam à narrativa fácil, aos clichês do gênero de aventura. É irresistível não enumerá-los: o amor proibido entre o estranho e a bela dama filha do chefão; a catarse final, quando o mocinho dá a vida pela amada; a história contada em flashback por algum antepassado no tempo atual; a ingenuidade do vilão em cair na armadilha armada; a fatídica cena de superação, após sucessivas derrotas; o clímax da luta que indica, enfim que o fim da história se aproxima, entre outros.

Mostrar os vikings como bárbaros sanguinários é outra deficiência do roteiro, que se mostra pobre, sem repertório e estreito em seu ponto-de-vista. Por um momento, os bárbaros nórdicos mais parecem demônios de algum círculo do inferno.

Aproveitando o lançamento do filme aqui no Brasil, a Devir lançou a graphic novel em um formato diferente do original (o conhecido formato americano), por um preço que destoa bastante da qualidade do material. E, considerando que o filme foi um fracasso de público e crítica, sabemos bem o lugar de uma HQ como essa: o limbo.
[Paulo Floro]

NOTA: 1,5

Sem mais artigos