Apostando no minimalismo, psicodelia e aposentando as guitarras distorcidas e pesadas, o grupo mostra que não se conformou ao espaço conquistado no rock

Entrando em uma novíssima fase, o Deerhunter, grupo de rock alternativo de Atlanta, EUA, se insere em uma proposta mais aberta e contemplativa em Why Hasn’t Everything Already Disappeared?.

Conhecidos por explorar as guitarras pesadas em melodias soturnas, angustiadas, eles agora se permitem uma réstia de calmaria. As letras carregam ainda a inquietação dos tempos modernos e Bradford Cox e companhia continuam discorrendo sobre o vazio, incompletude e tensões do cotidiano. No entanto, os instrumentais deixam de lado as distorções para apostar em batidas eletrônicas.

Muito do trabalho solo de Cox, com apelo mais pop, vide o Atlas Sound, aparece com forte influência aqui. Há também muito aqui da fase “Berlin”, de David Bowie, a exemplo de trabalhos como Low e Heroes. Até mesmo a ambientação, com o uso de faixas instrumentais para criar climas (“Greenpoint Gothic”). “Futurism” e “No One’s Sleeping” podem até assustar quem curtiu apenas os primeiros trabalhos do grupo, mas são ótimas músicas dentro da estética psych-rock. A minimalista “Tarnung” também é outra aposta que foge às convenções estabelecidas pela banda.

“Plains” é dançante e hipnótica, o mais próximo que o grupo chegou de um hit roqueiro para pistas. É um novo e interessante lado do Deerhunter, que segue sem querer se conformar no espaço conquistado no indie-rock.

DEERHUNTER
Why Hasn’t Everything Already Disappeared?
[4AD, 2019]

 

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