CRÉU É SENSUAL ATÉ DEMAIS

Créééééééu, Crééééééu, Créééééú Cr-cr-cr-cr-créééu
Por Hiran Hervé

É interessante perceber como alguns estados consomem seus produtos locais e como algumas vezes tais produtos tomam proporções nacionais. Aqui em Pernambuco, por exemplo, o público realmente consome frevo e maracatu, no Maranhão, o carimbó e inegavelmente no Rio de Janeiro, se consome o funk. Depois do boom do ritmo há três anos, um MC carioca desponta com um sucesso que tem se comentado bastante nas últimas semanas, o Créu.

Devido ao sucesso da música, o produtor e cantor Sérgio Costa, passou a ser conhecido como MC Créu. A música de letra inusitada foi absorvida tão bem que atualmente é possível ver mais de 500 vídeos no You Tube com apresentações do funkeiro e fãs fazendo a coreografia. Sua presença online, que se traduz num marketing viral é forte, o que comprova as dezenas de comunidades no Orkut e de 5 perfis online do MC.

Sérgio Costa tem 25 anos e um filho de 7. Segundo ele, o funk surgiu por uma brincadeira, quando o filho ainda mais novo se divertia em apenas ouvir o pai dizer a palavra “créu” várias vezes. Sérgio gravou a música, mostrou a alguns amigos MCs e teve apoio de seu empresário. Depois disso nada segurou o Créu a estourar.

Créu é de fato um funk carioca. As mesmas batidas características, a voz forçada e a falta de conteúdo na letra. Para quem tem muita disposição e gosta de funk, não tem como não se jogar. A música propõe dançar a coreografia em cinco velocidades, testando as habilidades de cada um a literalmente requebrar o quadril.

Considerando a desvalorização indireta da mulher na música, Créu consegue ser bastante sensual e às vezes “abusiva” em sua coreografia (vide: youtube.com). Há quem defenda que funk precisa ser sensual, sexual. Não necessariamente. O funk carioca tem músicas sem tal conotação e que até atingiram sucesso nacional, como “Se Ela Dança Eu Danço” de MC Leozinho. Isso prova que o funk carioca é sensual por si só. Por sua levada, pelo público, pelas coreografias. As cinco velocidades deram certo, mas três já seriam suficientes.

Sem mais artigos