IGUAIS, MAS DIFERENTES
Série V traz um novo olhar sobre roteiros envolvendo Aliens, mas precisa carregar mais na ousadia se quiser virar fenômeno

Por Paulo Floro
Editor da Revista O Grito!, em Recife

V
Warner, Terças às 22h

Remake de uma série homônima, V, que estreou semana passada no Brasil é uma das apostas da Warner Channel para este ano. Desde o início do ano, os telespectadores foram bombardeados com uma campanha de divulgação ostensiva, que invadia até mesmo a transmissão de outras séries. A história fala de um grupo de alienígenas que chegam à Terra numa dita missão de paz, mas logo no primeiro episódio, uma resistência se forma para interromper a influência do grupo sobre os humanos.

Logo no primeiro capítulo, são mostradas 29 naves que pairam misteriosamente sobre cidades do mundo todo – Rio de Janeiro incluído. Os Visitantes, como se autodenominam, dizem vir em missão de paz. Eles querem trocar conhecimentos por água e um dos nossos minerais. Tudo é liderado por Anna, a líder dos aliens, interpretada pela brasileira Morena Baccarin.

Um enorme contingente de pessoas se mostram afeiçoados pelos aliens, gerando um culto que se alastra pelo mundo com ajuda da internet.

Uma resistência – liderada pelos americanos, claro – se forma para desmascarar as reais intenções dos Visitantes no planeta. Sob a aparência humana, se escondem seres com pele de réptil.

Mundo real
V repensa diversos conceitos de uma série de ficção científica, se esquivando de clichês – sempre que possível – e se valendo de novas ideias para se manter popular. Uma delas é revelar segredos logo no início. Ao contrário de outros seriados como Arquivo X e até mesmo Fringe, em que um mistério perdura por semanas, ou meses, V, deu ao espectador uma maior chance de empatia, revelando reais intenções dos personagens logo de cara.

Como True Blood ou mesmo Heroes, tudo é muito explícito. Uma trama menor, com mais detalhes, esta sim, precisa ser decifrada e revelada a cada novo capítulo. Na primeira versão, os alienígenas demoraram mais de 10 episódios para mostrarem as reais intenções. Se este remake tem potencial de vício, como vemos acontecer com diversos seriado, não se sabe.

O modo como os alienígenas são mostrados tem paralelo com os vampiros de True Blood, assumidos, fazendo parte da vida dos humanos. É um novo momento da ficção, quando “os outros” deixam de ser apenas antagonistas, uma concepção conservadora de roteiro, para se tornarem personagens mais ricos, tornando a trama mais rica.

A estratégia é antiga nos quadrinhos, com heróis e vilões se confundindo, mas nas séries norte-americanas, a ideia é relativamente nova (ou ao menos as que deram certo). V oxigena as séries sobre alienígenas, que sempre têm existência questionada ou aparecem em dramáticos cortes rápidos.

As referências ao mundo real também são constantes, ainda que V caia no clichê de restringir as cenas de uma invasão mundial aos EUA. O plano de saúde universal proposto pelos Visitantes gerou polêmica, por coincidir com a decisão do presidente Barack Obama de implementar saúde gratuita para a população. Besteira. V nem é tão politizada (e corajosa) assim para entrar nesses assuntos. E a série elaborou o roteiro há muito tempo, e grava cenas desde agosto do ano passado.

Por seus méritos, ainda que comedidos, V merece ser acompanhada. Se gerar audiência proporcional ao investimento em publicidade que teve, pode se tornar um fenômeno, como já vimos recentemente com True Blood, Heroes, Lost, etc. E entre o exigente público amante de ficção científica, precisa ousar um pouco mais no roteiro.

NOTA: 7,5

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