TRAMAS AMOROSAS, BRUXAS E MACUMBA
Série chega à quarta temporada com personagens femininas protagonizando os episódios

Por Rafaella Soares
Da Revista O Grito!

Um dos seriados americanos mais hypados da última década chegou à sua quarta temporada com fôlego renovado, e deve seu sucesso à premissa mais do que bem sacada de que vampiros têm tanto de celibatários quanto de éticos. O ponto alto da quarta temporada de True Blood, que estreou no Brasil no último mês de julho -, e já vai chegando ao fim, são mesmo os confrontos entre vampiros, humanos, bruxas e lobos, entrecortados pelos sonhos lúbricos de Sookie. O último episódio desta temporada será exibido pela TV americana no próximo domingo. No Brasil, é exibido pelo canal pago HBO.

A trama condensa alguns dos signos cultuados do pop contemporâneo em sua estética, com semelhança curiosa com duas obras do fim da década de 1980 / início dos anos de 1990: o filme Garotos Perdidos (Lost Boys, de Joel Schumacher) e a série Twin Peaks, a obra prima de David Lynch exibida pela TV aberta nos Estados Unidos, sucesso espantoso no mundo inteiro.
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A trama central irradia-se a partir de uma aventada nova era de evolução científica, onde os vampiros conseguiram deixar de ser monstros lendários para se tornarem cidadãos comuns, partilhando de um convívio social estapafúrdio e simultâneamente crível. A mudança, ambientada no que parecem ser os dias atuais, foi repentina e causada por um sangue sintético, criado por cientistas japoneses, o que contrariou a forma de alimentação básica dos seres eternos, antes exclusivamente humana.

O embate com as bruxas, as cenas de sexo entre personagens metamorfos e humanos, o white trash americano desnudado, tudo vem ganhando contornos mais “reais” e menos tarantinescos

Mesmo deixando de ser o prato principal da dieta dos vampiros, os humanos, ressabiados, foram obrigados a optar pela aceitação ou não ao bando, restando à pequena cidade de Bon Temps, na Lousiana, um dos últimos redutos em que a opinião ainda não foi formada.

Nesse contexto mais ou menos neutro – e quase sempre beligerante -, a garçonete fada Sookie, que tem o poder de ouvir os pensamentos das pessoas, é uma das que propõe a integração pacífica entre as raças, tendo começado a se envolver com Bill Compton (namorado da atriz na vida real), um vampiro de 173 anos de idade. Na altura em que a série está, ela se desdobra também entre os afetos do impulsivo vampiro Eric e a paixão platõnica do lobisomen Alcide.

Apaixonado por Sookie (a adorável Anna Paquim) Eric consegue fugir de um padrão comportamental patético e maniqueísta, devido a uma interpretação sóbria e irônica de Alexander Skarsgård. Atualmente, a cruzada empenhada por ele em legitimar a existência dos vampiros, liderados por ele, é o que tem gerado os desdobramentos mais emocionantes.

O embate com as bruxas, as cenas de sexo entre personagens metamorfos e humanos, o white trash americano desnudado, tudo vem ganhando contornos mais “reais” e menos tarantinescos. Spoilers adiantados dão conta de baixas significativas no elenco nesta quarta temporada, mas a série já tem seu lugar na galeria de obras contemporâneas enraizada no imaginário coletivo.

Você em Bon Temps
Os produtores da série criaram um aplicativo que possibilita ao usuário fazer parte da série. A imersão se dá através de informações tiradas do perfil do Facebook, como amigos, feed de notícias e outros dados. Para os viciados na série, é a chance de se imortalizar numa das séries mais legais dos últimos anos. Acesse por aqui.

TRUE BLOOD – QUARTA TEMPORADA
Allan Ball
[Exibido na HBO, aos domingos]

NOTA: 9,0

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