É COMERCIAL, MAS É BOM
Guy Ritchie remodela o tradicional conceito de Sherlock em filme que revê a condição do herói e dá ares contemporâneos ao inspetor da era vitoriana

Por Fernando de Albuquerque
Editor da Revista O Grito!, em Recife

Em 1887, Arthur Conan Doyle inventou um novo gênero literário ao criar as histórias de Sherlock Holmes. O personagem se tornou um dos detetives mais conhecidos do mundo, responsável por grandes e feitos e dono de um dos faros e cacoetes mais conhecidos da paróquia. Mas a bem da verdade, o Sherlock que está presente em nosso imaginário é do homem que carrega arma branca, salta de uma carruagem e corre em meio à neblina londrina, bem diferente do que concebeu nosso querido Guy Ritchie no mais novo filme sobre o inspetor mais idolatrado da Rainha.

Cínico, hiperativo e com forte tendência homossexual (paixão recolhida pelo seu adorado Watson), o Sherlock de Ritchie luta kung-fu e usa seus poderes dedutivos não apenas para desvendar mistérios, mas também para achar os pontos fracos de seu oponent e finalmente golpeá-lo de forma certeira. Dessa forma, o novo Sherlock é um homem moderno e contemporâneo, passando bem longe do ideário vitoriano do personagem dos livros.

E esse é, sem margem para dúvidas, o principal mérito do filme: rever e readaptar o herói inglês para novos leitores e espectadores. E isso fez com que o filme se transformasse numa máquina hollywoodiana voltada ao pleno entretenimento, bem eficiente e capaz de congregar uma boa plateia. A trama é bem banal. Sherlock e seu adorado Watson lutam contra os planos do Lorde Blackwood que deseja destruir toda a Inglaterra de uma forma bem usual.

Quem interpreta o nosso herói é Robert Downey Jr. que se intercala entre a persona de um gênio da lógica e o homem que luta na rua e dá golpes de karatê. E já na primeira sequência, ele aparece correndo e usando sua lógica dedutiva. E aqui, personagem e ator compartilham características em comum como a mente extremamente ativa, os constantes estímulos e a forte alimentação intelectual.

SHERLOCK HOLMES
Dir. Guy Ritchie
[Reino Unido, 2009]

NOTA: 8,0

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