EXCESSO DE FIRULA
Nova sequência de Sherlock Holmes ainda mais videoclíptico

Por Paulo Floro

Muitas vezes, uma sessão da tarde em dolby surround e tela gigante – mais conhecido como uma ida ao cinema multiplex ver um filme blockbuster – é o programa ideal para se relaxar. E quando ele vem com uma assinatura de um autor, no que isso tem de bom e ruim, torna a experiência mais interessante. (Ou não, caso de Michael Bay, mas isso deixemos pra lá). Por este motivo, Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras, de Guy Ritchie se destaca no meio de tantos filmes abaixo da média e preguiçosamente mal elaborados que estrearam nas férias.

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Sherlock Holmes em quadrinhos

O longa é o segundo de uma franquia que revitalizou Sherlock Holmes para uma plateia mais jovem e ávida por fortes emoções em contraponto à elegância e sisudez que tínhamos em mente quando imaginavávamos o famoso detetive. Ritchie pesou a mão em seu estilo frenétido nesse segundo longa. Com cara de videoclipe, cada frame ficou tão carregado de efeitos e soluções visuais que passou um ar muito bagunçado.

Como no longa de 2009, parte do interesse é pensar no design de cada cena. Mas, o roteiro ficou mais preguiçoso na interação entre o elenco – um ponto forte do filme anterior. As falas são carregadas de clichês, e seguem em um tom de humor, que se fosse um filme brasileiro, poderíamos depreciá-lo chamando de Zorra Total. Os críticos americanos estão comparando com o Saturday Night Live (choremos). Tudo, claro, é suplantado pela explosão de cores, câmeras lentíssimas, animações, flashbacks, explosões e tudo que um bom blockbuster deve ter.

Num filme cheio de obviedades, de chavões ditos sem cerimônia e de soluções já vistas em tantos filmes, Ritchie deu-se bem por três coisas bem legais: a primeira é a oportunidade de ver Noomi Rapace, a atriz sueca conhecida pelos filmes originais da série Millenium, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (que ganhou remake de David Fincher) e A Garota Que Brincava Com Fogo. Ela interpreta a cigana Sim e tem sua grande chance em Hollywood, o que pode levá-la a papéis mais interessantes no futuro. Outra coisa boa é, de novo, Jude Law, impecável no papel do Dr. Watson. Diferentemente de Robert Downey Jr., que anda interpretando o mesmo personagem, com diferentes níveis de insanidade, Law sabe dosar humor e drama.

Por fim, o novo Sherlock Holmes recupera em suas cenas de ação o melhor trabalho de Guy Ritchie: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998). Um tipo de autoinspiração como essa está mais do que perdoada.

SHERLOCK HOLMES – O JOGO DAS SOMBRAS
Guy Ritchie
[Sherlock Holmes: A Game Of Shadows, EUA, 2011]
Warner Bros.

Nota: 6,1

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