Da fúria de Clarice Lispector às mães no Facebook, HQ faz humor com nossa vida online

Por Paulo Floro

O sergipano Pablo Carranza fez uma das HQs brasileiras mais divertidas do ano ao apostar em um público – que talvez como você, leitor – está mais à vontade online e interage mais com as pessoas no campo virtual que o real. Se A Vida Fosse Como A Internet faz humor com as peculiaridades que vemos diariamente na web. O próprio autor se reconhece como um personagem, por isso o livro não tem um tom pedante de crítica. Por outro lado: ele faz toda uma geração rir de si mesma.

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As tiras e HQs fazem referências a situações comuns vistas na internet, e as relaciona com o ‘mundo real’. Uma delas mostra uma mãe que assombra os filhos entrando em redes sociais – quem nunca tremeu ao ver a mãe deixando um comentário em uma foto? Outra passagem hilária mostra a escritora Clarice Lispector retornando dos mortos para reclamar a autoria de suas frases, usadas de forma bem exagerada por milhares de usuários.

Carranza ainda explora momentos mais experimentais, como na história “Submundo dos arquivos excluídos”, em que ele explora um perigoso universo de coisas que apagamos do PC. Essa parte do livro tem um um tanto soturno que destoa do resto da HQ, o que traz um quebra na leitura. É a parte mais ousada, mas também a mais arriscada.

O projeto gráfico é outro ponto a favor da HQ, trabalhando com diferentes tipos de papel, fontes, e claro, utilizando imagens de Facebook e outros sites para ilustrar algumas páginas. Tem até a tela azul da morte do Windows. Quem assina o design é o quadrinhista Stêvz. Se A Vida Fosse Como A Internet tem o frescor do humor lido em sites de piadas, memes no Facebook e tiras compartilhadas em profusão, mas dispensa a eferemidade. É um livro para ser guardado – à moda antiga – em uma boa coleção que se preze.

SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET
Pablo Carranza
[Beleléu, 80 págs, R$ 29,90 / 2012]
[Recomendado]

Nota: 8,4

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