CHEFÃO QUE NÃO METE MEDO
Rick Ross traz discurso firme e letras sobre o submundo, mas soa repetitivo em um ano tão bom para o hip hop

Por Paulo Floro

O rapper americano engrossou seu discurso no seu quinto álbum solo, God Forgives, I Don’t. O clima de ‘paciência estourada há tempos’, percorre todo o disco. Há espaço para todas as bravatas típicas do gangsta rap, além dos efeitos sonoros de tiros e coisas do tipo. Portando-se como um legítimo chefão, Ross comparou-se a Martin Scorsese para dizer que este é, aos seus olhos, sua obra-prima.

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De fato, este rapper americano de 36 anos nunca fez um disco tão sofisticado quanto esse. Com Teflon Don, em 2010, ele tornou-se uma das estrelas da já lendária gravadora Def Jam e apostou em uma estética mais pop. Neste, um clima mais pesado é sentido, com letras que destacam bastante o cerne do cancioneiro gangsta que é: “não mexa comigo, sou bem mais foda que você, é bom não correr perigo”. É só ouvir, “So Sophisticated”.

Já “Hold Me Back”, outro single do álbum, trata das dificuldades enfrentadas pelos negros nos subúrbios americanos, como subempregos, violência, dificuldades financeiras. É uma música inspiradora, de fato, ainda que seja repetitiva quando colocada no contexto do disco. Ela também gerou um clipe muito interessante, com a mesma proposta da letra de focar esse lado barra-pesada do cotidiano dos EUA.

Ross é um rapper criativo, com força suficiente para ser um dos “chefões” do gênero. Este álbum, no entanto, fica em desvantagem no quesito originalidade quando é levado em conta a ótima safra que o hip hop vem mostrando este ano.

RICK ROSS
God Forgives, I Don’t
[Def Jam, 2012]

Nota: 6,9

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