Coletânea em quadrinhos com mais de 50 artistas contesta formas autoritárias de poder

Crítica: Revista é um revide contra o Brasil reaça
NOTA8.5

A proposta da revista Pé-de-Cabra é se mostrar como uma arte afiada em tempos de forte conservadorismo no Brasil. São 53 artistas neste primeiro número, entre eles , , , , e Kellen Carvalho. Há também participação de autores estrangeiros, como Half Bob (França), Grace Wilson (Escócia) e Morris Vogel (Suíça). A edição é de Panhoca, que fez uma excelente curadoria e edição, sobretudo para um primeiro trabalho.

Os artistas chegaram através de convocatória e, apesar dos diversos estilos diferentes, compartilham o mesmo desejo de confrontar qualquer forma de poder. Essa proposta de seguir uma narrativa anti-hegemônica aproxima a revista de outras experiências no mercado editorial, como a Animal, Circo, Udigrudi e a Prego.

A Pé-de-Cabra, no entanto, não é panfletária nem partidária. Sua revolta contra o poder é quase primordial, como um tom de desacato perene. Os alvos vão desde o fanatismo religioso, a mídia televisiva, o autoritarismo em geral e o próprio mercado de quadrinhos.

Trabalho de Gerlach. (Divulgação).

O espírito anti-autoritário contrasta com a capa e o formato da edição, que tem lombada quadrada e uma arte até comedida do francês Pochep. A expectativa se quebra ao nos depararmos com os trabalhos no miolo, alguns experimentais (Mario de Alencar), outros mais punks (Campos Rocha, Panhoca, Victor Bello) e uns de estética bem escatológica, como Russel Tayson e Bruno Marafigo.

Grace Wilson, que merece ser mais publicada por aqui, Caio Gomez, Theo Szczepansk e Pedro D’Apremont, foram os melhores trabalhos desse volume 1. Panhoca conseguiu manter o nível bem regular na qualidade dos trabalhos, o que é bem incomum em se tratando de coletâneas. Dado o contexto cada vez mais assustador nesse Brasil reacionário, publicações como a Pé-de-Cabra são um revide bem vindo.

PÉ DE CABRA 1
Vários Autores
[Independente, 100 páginas, R$ 25 / 2018]
8.5
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