Crítica: Raiz, de Dudu Torres, é um drama familiar e sobrenatural sobre morte
NOTA8

Dudu Torres é uma dessas surpresas que festivais como FIQ proporcionam. Seu primeiro quadrinho, Raiz, foi lançado no primeiro semestre deste ano durante o festival e mostra o potencial do artista como narrador em uma HQ com uma arte bonita e detalhista e uma tema denso, mas bem conduzido. Torres decidiu falar de morte nesta sua primeira empreitada solo e já mostrou uma assinatura bem firma nesse trabalho que é misto de drama familiar e suspense sobrenatural.

O gibi tem como protagonista uma criança que luta contra a violência doméstica. O garoto apanha do pai alcoólatra e tem como refúgio de afeto a sua avó e seu amor pelos desenhos.

Após a morte da avó, o menino vivencia um reencontro com toques de horror que é um modo poético de mostrar como as crianças lidam com a morte. Explicar mais do que isso estraga a surpresa da narrativa, mas podemos dizer que é um encontro emocionante.

A obra é curta, mas consegue em poucas páginas tratar do tema da morte com profundidade. O modo com quem Dudu Torres desenha crianças (e escreve diálogos críveis para elas) é primoroso. Seu desenho traz bastante detalhes e uma ambientação que auxilia a criar o clima necessário para a obra. Há influências de mangás de horror de Hideshi Hino, mas o autor já consegue mostrar segurança em seu estilo, o que impressiona para uma HQ de estreia.

Raiz é a primeira obra solo de Torres, que já participou das coletâneas Basídio 1 e 2 e O Despertar de Cthulhu (Draco). Um trabalho de estreia com muita força e sensibilidade.

RAIZ
De Dudu Torres
[Independente, 36 páginas, R$ 15 / 2018]

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