O HORROR SEGUNDO PJ HARVEY
Diva esquisita do pop, cantora inglesa lança o disco mais político que o pop conheceu este ano

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!

PJ Harvey decidiu colocar para fora suas inquietações políticas em 2011. Talvez por isso tenha criado um dos mais importantes discos de sua carreira. Venerada dentro da cena independente e vista como uma artista profícua pelo mercado, ela decidiu fazer um álbum conceitual, repleto de recados sobre temas que acha importante e que passou muito tempo sem falar a respeito, preocupada que estava em suas letras introspectivas e sobre relacionamentos nos trabalhos anteriores.

Let England Shake é um exercício de indignação e protesto, mas ao estilo de PJ, ou seja, cheio de força, mas com delicadeza e beleza. O disco foi lançado dia 14 de fevereiro pela Island e tem influências de T.S. Eliot e Harold Pinter nas letras. Em entrevistas que deu para divulgar o novo trabalho, Harvey contou que pensou numa deliberada obra que discutisse política atual e o modo como vê as coisas que acontecem no mundo hoje.

Let England Shake venceu o Mercury Prize

Para isso, ela passou a pesquisar sobre o conflito no Iraque, Afeganistão, a participação de seu país, a Inglaterra, nessas guerras. Chegou a ler depoimentos de civis e soldados. Esse processo de criação deu origem a um disco que deixa explícito o horror das mortes provocadas por nações em guerra.

Com 20 anos de carreira, esse é trabalho mais desafiador de Harvey. Discos como White Chalk já traziam um lado mais bruto da cantora, com seus piano marcado por uma atmosfera mais sombria. Agora, ela quer ser menos indireta e levantar a bandeira da indignação. Críticas ao militarismo aparecem em músicas como “The Words That Maketh Murder”, “On Battleship Hill” e várias outras. Está tudo lá, explícito. A produção teve ajuda de seu costumeiro parceiro John Parish.

Depois que o pop atingiu o auge do hedonismo na última década, uma das maiores representantes do feminismo roqueiro cria um dos discos mais vigorosos dessa década que começa.

Re-invention de PJ
Das mini-saias vermelhas e botas de cano alto, segurando com dificuldade uma guitarra em contraste com seu corpo esquálido, a cantora inglesa passou para esta sua nova fase madura, em que discute política com propriedade. Para esse novo momento, PJ Harvey foi meticulosa nos planos de se mostrar ao público.

Camaleoa a seu próprio modo (discreto, claro), ela retornou nesse com maquiagem mais sóbria, penacho na cabeça, como se estivesse indo a um campo de batalha. Ela marcou o show de lançamento em Paris, com uma transmissão online que chamou atenção para seu novo álbum. Ano passado, ela tocou material desse disco na BBC, no programa de entrevista Andrew Marr Show, onde em uma performance tocou “Let England Shake” em frente ao então primeiro-ministro britânico Gordon Brown. E desde que o álbum saiu, ela se colocou o compromisso de fazer clipes para todas as faixas. Foram

A repercussão em sua audiência cativa foi positiva, assim como os críticos, que elogiaram o disco como o melhor de 2011 até agora e um dos mais importantes de sua carreira. O mais impressionante seria alguma autoridade americana ou inglesa, cujos crimes inspiraram PJ, também repercutirem o Let England Shake.

PJ HARVEY
Let England Shake
[Island, 2011]

NOTA: 9,6

 

 

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