SAUDOSIMO DO CRAQUE
Clássicas HQs de Pelezinho relembram um tempo em que histórias para crianças não eram marcadas pelo politicamente correto

Um dos maiores lançamentos deste ano das produções de Maurício de Sousa são os produtos ligados ao personagem Pelezinho. Aproveitando um timing da proximidade da Copa do Mundo, a Panini coloca nas bancas e livrarias, HQs publicadas nos anos 1970 e 80. Mais do que uma ótima oportunidade de negócios, essas revistas possuem um valor histórico para as histórias em quadrinhos para crianças no Brasil. É o momento de curtir aventuras com textos politicamente incorretos, impensáveis hoje em dia.

É delicioso ver desenhos ligados à Turma da Mônica com um contexto de violência, palavrões (o personagem Cana Braba era conhecido por soltar impropérios) – em uma passagem Pelezinho e sua turma ajudam a impedir um assalto à mão armada. O diretor de planejamento editorial da editora, Sidney Gusman, avisa nos textos presentes em Pelezinho – Coleção Histórica. “Hoje, situações de violência são evitadas nas revistas do Maurício, mas, nos anos 1970, elas eram comuns, inclusive em Mônica e Cebolinha. Outros tempos…”.

Nada, no entanto, é gratuito. Como Gusman deixou claro, era parte do espírito da época. Por isso, há esse contexto de nostalgia para adultos leitores desse gibi. É algo semelhante ao sentido na coleção de histórias clássicas da Mônica, disponível nas livrarias. Sem querer lamentar a cultura do politicamente correto que domina as produções infantis atuais, essas HQs de Pelezinho é uma das mais gratas surpresas este ano no universo dos personagens de Maurício de Sousa (e que incluem ainda, a aguardada Ouro da Casa, com produções autorais).

O anúncio do retorno de Pelezinho às bancas e livrarias foi tratado com toda a pompa que tem direito. E com direito a uma coletiva de imprensa em São Paulo, em junho, que contou com a presença do próprio Pelé e Maurício de Sousa. A imagem licenciada do jogador da seleção, considerado o melhor do mundo, foi um dos maiores sucessos editorais envolvendo um esportista. O próprio Maurício trouxe novamente outro ídolo, Ronaldinho Gaúcho, mas o resultado não foi o mesmo.

Nas bancas, a Panini lança o gibi Pelezinho – Coleção Histórica, que traz três edições da HQ original, do exato modo em que saíram nos anos 70, incluindo os passatempos. A única exceção são as cartas respondidas por Pelé, que não será republicadas. Já nas livrarias, a editora lança o livro As Tiras Clássicas do Pelezinho, com uma seleção do melhor do personagem. A edição das duas revistas é primorosa, com textos que ajudam a contextualizar a importância da obra.

Ainda foram anunciadas As Melhores Aventuras do Pelezinho (formato 13,4 x 19 cm, 64 páginas, bimestral), em formato almanaque; Pelezinho para Colorir (formato 20,2 x 26,6 cm, 16 páginas, bimestral), Pelezinho Passatempos Divertidos (formato 20,2 x 26,6 cm, 32 páginas, bimestral) e Pelezinho Magazine (formato 21 x 28 cm, 32 páginas, bimestral). É mesmo o ano do Rei. [Paulo Floro]

COLEÇÃO HISTÓRICA: PELEZINHO VOL. 1
Vários artistas (texto e arte)
[Panini, 148 págs, R$ 7,50]

Nota: 8,1

 

 

AS TIRAS CLÁSSICAS DO PELEZINHO
Vários artistas
[Panini, 128 págs, R$ 19,90]

Nota: 8,0

 

 

PELEZINHO ZERO
Vários artistas
[Panini, publicado como encarte na revista Saiba Mais Com A Turma da Mônica]

Nota: 7,6

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