QUEM NÃO OUSA NÃO SAI DO CANTO
Ótimo segundo disco do Passion Pit mostra que a banda não se roga em sair da zona de conforto

Por Paulo Floro

Já ficou famosa a história que o Passion Pit foi formado quando o músico Michael Angelakos decidiu gravar quatro músicas como presente de Dia dos Namorados para sua garota, na época que ainda estavam na faculdade. De lá pra cá, o grupo cresceu, chamou atenção da cena independente americana e conquistou um lugar de destaque entre os nomes promissores que estão trazendo novidades para pop dançante. Este segundo álbum, Gossamer, mostra que este pessoal de Massachusetts tem uma proposta muito bem estudada para trazer mudanças no gênero que atuam.

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Gossamer começa muito bem com dois singles “Take a Walk” e “I’ll Be Alright”, canções que conquistam pelo apelo de refrões fáceis e cadência dançante, embrulhadas em experimentações eletrônicas. Angelakos passa o disco inteiro apostando em diversas ideias como se tentasse fazer do disco uma obra-prima de seu tempo. Tanta pretensão poderia prejudicar um grupo ainda tão novo. Mas, sedentos por relevância, o Passion Pit sai da zona de conforto para arriscar. E acertam, na maioria das vezes.

Nessa proposta, não há espaço para o tédio. Cada música é tão meticulosamente pensada, que funcionam tão bem separadamente quanto em conjunto na playlist proposta no disco. Há espaço para vocais chorosos, momentos melancólicos, esquizofrênicos (a triste-alegre “Mirroed Sea”), algum desespero (“Cry Like a Ghost”), e muita, muita música sobre o amor. A banda supera desta maneira seu primeiro trabalho, Manners, de 2009 e parte em busca de uma audiência cada vez maior.

Cavando um significado mais perene dentro do gigante mercado musical indie de hoje, o Passion Pit cria um disco memorável com diversas boas ideias, com um equilíbrio entre ousadia estética e apelo popular.

Foto: James Nocito

PASSION PIT
Gossamer
[Columbia, 2012]
[Recomendado]

Nota: 8,6

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