Foto: Divulgação/REC Produtores.

Foto: Divulgação/REC Produtores.

é conto delicado sobre a solidão nas grandes cidades

Em tempos de excesso de interações, quase nenhuma privacidade e uma saturação de ideias, um filme como O Homem das Multidões é muito corajoso. Os diretores (Andarilho) e (Cinema Aspirinas e Urubus) criaram um longa bastante sensível sobre solidão e amizade nas grandes cidades.

O modo como pensaram a história foi também ousado. Eles deram um peso igual à forma e conteúdo para estruturar o filme. Filmaram em tela quadrada em detrimento do horizontal mais aberto da maioria dos filmes atuais. Com isso eles comprimem a imagem na vertical e geram um desconforto proposital na plateia. Além disso, colocaram quase nenhum diálogo, o que destacou ainda mais a interpretação dos protagonistas, interpretados por Paulo André e Silvia Lourenço. Tudo isso ajudou a evidenciar o clima de isolamento que vivem os personagens.

A trama mostra a história de Juvenal, um maquinista de metrô em Belo Horizonte que mora em um apartamento estoico, quase sem móveis e sem nenhuma decoração. Conhecemos também Margô, que controla o fluxo dos trens nas plataformas e se prepara para casar. Ambos vivem em um estado de completa solidão mesmo trabalhado em um dos locais mais povoados de gente que pode existir em uma cidade. Os dois iniciam uma improvável amizade que vai alimentar uma possível saída desse torpor em que vivem.

Os diretores fizeram uma bela reflexão sobre o momento atual urbano brasileiro ao falar de um aspecto pouco abordado nesta era de muita velocidade e informação. Não é um filme fácil. Mas O Homem das Multidões consegue cativar o público pela interpretação humanizada dos atores principais que vão além da incomunicabilidade para contar uma história praticamente através de gestos. [Paulo Floro]

homemO HOMEM DAS MULTIDÕES
De Cao Guimarães e Marcelo Gomes
[BRA, 2014 / Espaço Filmes]
Com Sílvia Lourenço e Paulo André

Nota: 8,0

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