Novo disco de Nicki Minaj é uma passo atrás na proposta provocativa e ousada da rapper

A arma mais eficaz que Nicki Minaj sempre fez uso foi o visual extravagante e o discurso e rimas provocativos. Essa mistura de proposta artística e tino comercial para chamar atenção a fez conhecida e amada desde crianças – quem não odeia as pimpolhas Sophia Grace & Rosie, suas fãs mais famosas – e adultos fãs de Hip Hop. Em seu novo e aguardado disco, Pink Friday: Roman Reloaded, que chega às lojas este mês, ela mostra que esvaziou o frescor criativo que a fazia tão interessante dois anos atrás.

O principal defeito de Minaj neste trabalho é apostar nos seus trejeitos vocais tão conhecidos. A impressão que se tem é de preguiça, tanto no rap quanto na produção. Como se todas as músicas tentassem causar o mesmo impacto que as faixas incrivelmente viciantes de seu primeiro disco, Pink Friday (2010), como “Super Bass” e “Right Thru Me”. Ok, esse jeito palhaça da rapper e o apelo nonsense de seu visual a tornam uma opção interessante entre as vozes femininas do Hip Hop, mas esperava-se uma evolução desde sua estreia, em 2010.

Confuso, o disco não possui uma unidade como aconteceu no primeiro disco. Falta unidade em meio a tantas faixas jogadas a esmo, sem uma proposta criativa consistente. É como se o time de produtores apostasse apenas na fama alcançada de Nicki e menos nas suas possibilidades como artista. No meio de uma proposta banal, esse Roman Reloaded tem momentos interessantes, como a faixa “Champion”, com Nas, Young Jeezy e seu amigo, Drake. Há também “I Am Your Leader”, com Cam’Ron e Rick Ross, melhor faixa do disco, uma instigante batida com fundo hipnótico.

O primeiro single, “Starships” tem uma levada que lembra nosso brega, mas loco desboca em puro pop-music descartável. Já “Right My Side” a colocam definitivamente dentro do panteão de popices sem muito mojo, prontas para atender demandas das paradas musicais. Uma pena ver Nicki Minaj, a rapper de Trinidad e Tobago que tinha chegado para causar mudança de ares entre as representantes feminas do gênero, ir perdendo relevância em direção ao pop pasteurizado do qual estamos já bem servidos. [Paulo Floro]

NICKI MINAJ
Pink Friday: Roman Reloaded
[Universal, 2012]

Nota: 4.8

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