Relançamento da mixtape da cantora traz flerte com dancehall e remix de hit de Drake

Mabel, aposta do R&B, oferece cardápio diversificado do gênero na mixtape Ivy To Roses
NOTA6.5

2018 foi um ano de destaque para o R&B. Com ótimos lançamentos e inovações, artistas como Janelle Monáe, Kali Uchis, Empress Of e Jorja Smith foram alguns dos destaques que contribuíram para a ascensão do gênero no ano passado. Contudo, outros nomes da cena já estão preparando o terreno para conquistarem seu espaço e Mabel, com sua mixtape Ivy To Roses, é um deles.

Lançada originalmente em 2017, a mixtape ganhou neste ano uma reedição, entregando uma nova capa e canções inéditas. No registro composto por 13 faixas e um remix, Mabel dialoga diretamente com o que já vem sendo produzido pelo R&B desde anos 1990, mas longe de soar nostálgico. A cantora traz um catálogo com ótimas influências que vão das Destiny’s Child até Rihanna, porém há alguns excessos que afetam no desenvolvimento do material.

As primeiras faixas de Ivy To Roses é um repertório perfeito para as pistas de dança. Mabel não poupa o ouvinte na sequência de canções que visivelmente foram produzidas para serem hits. Dentre elas, qualquer uma seria uma escolha assertiva para se tornar single. Porém, o excessivo flerte com o dancehall cria uma sensação de similaridade entre as faixas, sendo um tanto difícil distingui-las ao final da audição, com exceção de “Finders Keepers (feat. Kojo Funds)” e “My Lover (Feat. Not3s)”, que conseguem adicionar elementos que as destacam das outras.

Por outro lado, a segunda parte da mixtape é mais versátil e os vocais de Mabel são mais explorados. Caso de “Ivy”, onde a cantora entoa seus versos acompanhada apenas de um piano. É também nesse momento que as influências com outros artistas são mais visíveis. “Come Over”; “Low Key”; Roses”; “Begging”; “Weapon”; e a já falada “Ivy” remetem ao soul de Alicia Keys, ao R&B romântico de Mariah Carey; e ao urban de Ciara. A cantora ainda surpreende com um cover de “Passionfruit” do rapper Drake. Embora com pouquíssima diferença do arranjo da versão original, Mabel adiciona nuances vocais quase inexistentes na voz rapper.

Munida do mesmo arsenal de sentimentos que Dua Lipa em relação aos relacionamentos amorosos, Ivy To Roses é um registro de superação e recordação de um amor agridoce. Mabel soube assertivamente falar sobre esses sentimentos numa reciclagem do R&B que já fora testado em décadas passadas e entregá-lo numa roupagem moderna, ainda que cometa certos deslizes.

MABEL
Ivy To Roses (Mixtape)
[Polydor, 2019]
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