LANA DEL REY NÃO JUSTIFICA O HYPE
Diva montada, Lana foi vítima da própria ascenção precoce

Por Juliana Simon

Lana Del Rey, como se sabe, alcançou um sucesso estratosférico desde o lançamento do clipe “Video Games”, em agosto do ano passado. Pois que chega à hora da verdade com o vazamento – já que lançamento saiu de moda – de seu primeiro disco, Born To Die. Porém, a música é só um item para conhecer e tentar entender esse sucesso.

Lana é uma diva montada. Até 2010, ela atendia pelo nome de Lizzy Grant, até que se mudou de Nova York para Londres, passou por um “extreme makeover” e virou a nova sensação. Demérito? Jamais. Montado por montado, até os Beatles foram. Porém, essa artista “sob medida” criou uma nuvem de fumaça. Os lábios plasticamente carnudos, os olhos lânguidos, o cabelo impecável, a aura fashionista, tudo se sobressai ao suposto talento da moça. Lana é gostosa. Como era Debbie Harry, como é Cat Power, como tantas outras musas do pop-rock-indie. Meio caminho andado para o sucesso? Não. Longe disso. Mas para a “gangsta Nancy Sinatra”, como já se ventilou por aí, a beleza conta muitos pontos.

Lana é um fenômeno da internet. Esse já não é mais um argumento para elogiar ou criticar qualquer artista, mas a neo-musa soube fazer o melhor uso da ferramenta. Lançou vídeos para agradar – o retro “Video Games” e o hollywoodiano “Born To Die” – lançou teasers das músicas, usou e abusou das redes sociais, e, por isso, pipocou em todos os sites de música do mundo.

Lana é um hype precipitado. A cantora encabeçou listas e mais listas de melhores de 2011, promessas de 2012, melhor música, melhor clipe. A verdade é que poucos conhecem a artista. As entrevistas mais completas mal começaram a sair, dos shows, a maior repercussão foi a desastrosa apresentação ao vivo no clássico programa Saturday Night Live, dos Estados Unidos. O CD acabou de sair pela Interscope. No máximo, ela ainda é um punhadinho de dois, três singles “bombantes”.

Lana “é uma cantora de estúdio”, como ela mesma já disse. E não há como não concordar. Não só pela apresentação no SNL, como em muitos vídeos espalhados pela rede, o que se vê é uma performance totalmente sem sal, interpretações em câmera lenta cheias de caras e bocas, mas com pouca qualidade. Se Lana não é de palco, resta o disco, vazado nesta semana e com lançamento no dia 30. A cantora já queima todas as suas fichas colocando três sucessos nas quatro primeiras faixas: “Born To Die”, Blue Jeans” e “Video Games”. O que vem em seguida são variações de sua “voz etérea”, que pretende soar sofisticada, mas sai afetada e cansativa.

Lana com pitadinhas de hip hop, com “Off To The Races”, “Diet Mtn Dew”, “National Anthem”, “This Is What Makes Us Girls” e “Lolita”. Lana europop, com “Dark Paradise” e “Lucky Ones” (que, de um jeito muito estranho, lembra a dupla t.A.T.u. A das lésbicas russas, lembra?). Lana “música de sala de dentista”, com as chatíssimas “Radio” e “Without You” e Lana da depressão, com “Summertime Sadness”.

Para não dizer que a audição é uma perda de tempo, “Blue Jeans”, “Carmen” e principalmente “Million Dollar Man” valem a pena. Nessas três, Lana entrega a diva que muitos compraram. O primeiro CD de Lana Del Rey decepciona. Se a ascensão foi precoce, a decadência também pode seguir o mesmo caminho. Agora, o que ainda salva a bela moça é o hype. E esse é efêmero, cruel e traidor. Ao que tudo indica, Lana é só uma imagem bonita, com hora marcada para ser esquecida.

LANA DEL REY
Born To Die
[Interscope, 2012]

Nota: 5,0

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