Kayne West

URSINHO TEDDY ATACA DE NOVO
Em Graduation, Kanye West desbanca colegas de profissão em estética e sonoridade
Por Paulo Floro

KANYE WEST
Graduation
[Roc-A-Fella, 2007]

Kanye West - Graduation Kanye West é o outsider do hip-hop e já comprovou isso em dois excelentes álbuns: The College Dropout (2004) e Late Registration (2005), onde, sem sair da turma dos grandes do rap (entre eles seu chapa Jay Z) apontou novos caminhos para um gênero, ao menos nos EUA, marcado pelo estilo gangstar de ser. West lança seu terceiro disco Graduation aclamado pela crítica como a voz mais criativa a surgir no gênero em quase 20 anos.

Rapper de Chicago, filho de Ray West, foto-jornalista integrante dos panteras negras, o cantor difere de seus irmãos de hip-hop não apenas na sonoridade mais apurada, mas também na visão política mais aberta e consciente. Influenciado por Wu-Tang Clan e cantoras de soul, West costuma expressar suas opiniões políticas em suas rimas. E não é por puro preconceito ao gênero que se denuncia esta diferença entre West e o resto do hip-hop sempre que se fala no cantor. Suas próprias declarações são contundentes em criticar o estilo. Em recentes entrevistas reclamava da homofobia e da discriminação da mulher, temas recorrentes de diversos rappers.

Todos no hip-hop reclamam a quebra de barreiras, mas todos discriminam os gays, segundo Kanye. Esta semana, o rapper Ja Rule foi à MTV pedir que a emissora parasse de exibir programas e filmes com gays no elenco. Durante o episódio do furacão Katrina, West, arisco, acusou o governo de privilegiar o atendimento aos brancos em detrimento da comunidade negra, mais atingida financeiramente pelo desastre.

Sempre desbocado, é tão seguro de seu talento que já provocou dois pitis dignos de notas em jornais em premiações. Na EMA 2006, na Dinamarca, prêmio europeu da MTV reclamou por perder o prêmio para o Simian Mobile Disco. “Se meu vídeo não foi o vencedor, isso demonstra que esse prêmio não tem credibilidade. Meu vídeo tem Pamela Anderson, eu pulo de uma jaula para outra. Meu vídeo custou US$ 1 milhão”, reclamou o músico. Esta semana, no VMA, em Las Vegas, ao perder todos os prêmios em que foi indicado saiu do evento irritado dizendo que nunca mais voltaria à MTV.

Seu novo disco é ainda mais surpreendente que o anterior, na sonoridade e nas letras. Com um poderoso time de produtores, entre os quais o próprio West, trouxe nomes como Brian Miller, DJ Toomp e o onipresente Timbaland. Os vocais soul, marca registrada do rapper, firmam presença em várias faixas, inclusive no primeiro single, “Can’t Tell Me Nothing”. As referências vêm de longe: Jackson 5 em “The Glory”, com vocal à “ABC”, um R&B nada óbvio em “Champion” e o já famoso sampler de “Harder, Better, Faster, Stronger” do Daft Punk no hit “Stronger”.

Os convidados tornam Graduation ainda mais divertido, como Chris Martin do Coldplay fazendo contraste de sua aveludada voz às rimas de West em “Homecoming”. Artista marcante e original, Kanye só não revoluciona (mais) o estilo que pertence porque não é sua função destroçar toda uma indústria do rapper, baseada em drogas, insultos à mulher e exageros estéticos. Já estamos mais do que satisfeitos por este cantor de Chicago lançar uma pequena obra-prima de tempos em tempos.

NOTA: 9,0

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