ÓPERA POST-ROCK E TRAGÉDIAS É O MOTOR QUE MOVE A TRISTEZA DO iLiKETRAiNS

iLiKETRAINS (Foto: Joe Dilworth)

iLiKETRAiNS
Elegies To Lessons Learnt
[Beggars Banquet, 2007]

iLiKETRAiNS - Elegies to Lessons Learnt O primeiro single do iLiKETRAiNS (assim mesmo com i minúsculo) se chamava “Spencer Perceval” e conta a história de um primeiro ministro inglês de mesmo nome assassinado em 1812. A letra é escrita do ponto de vista do assassino, John Bellingham. É este o principal cartão-de-visitas desta banda de Leeds. Formados por Guy Bannister, Alistair Bowis, Ashley Dean, Simon Fogal e David Martin, se baseiam no desespero e resignação para compor sua ópera post-rock.

Elegies To Lessons Learnt é o primeiro disco, lançado pela prestigiada gravadora indie Beggars Banquet. Depois de um elogiado EP, Progress Reform em 2006 e vários singles, a banda pode finalmente encontrar o reconhecimento entre fãs do rock experimental e triste, como Godspeed You! Black Emperor e Sigur Rós.

O iLiKETRAiNS pertence a um nicho de ótimas bandas que pautam suas composições por trilhas arrastadas, fúnebres e mesmo desoladas. Por mais que procurem um sopro de originalidade e renovação, estas já nascem com público cativo e, no mais, repetem fórmulas musicais de sucesso e decalcam a mesma estética sorumbática e mórbida de bandas como Joy Division, o norte conceitual desse grupo.

Assim como a crítica adorou o disco de estréia da banda texana I Love You But I’ve Chosen Darkness, lançado ano passado, irá amar Elegies To Lessons Learnt. Todas as músicas são pensadas para agradar um dos públicos mais fiéis, os adoradores de Post-Rock. O clima pesado, quase fúnebre, o piano arrastado, vocais sussurrados e a mesma atmosfera que cativa em deprimir.

Ouvir o disco e não se envolver pode levar a pensar o seguinte: é preciso estar em compasso com a banda? Realmente existe um segmento da indústria cultural destinada aos tristes e desesperados? Tais questões põem em xeque a sinceridade do grupo, que, distantes das emoções cruelmente verdadeiras de Ian Curtis, pode aparecer amanhã num festival de esqui em algum país nórdico, felizes e ricos.

Percebe-se no som desses ingleses o conforto em fazer música para um público bastante definido, mas algumas faixas apontam para fronteiras mais distantes, como “The Deception” e sua profusão de guitarras, com o vocal imitando um afogamento em meio a tanto barulho. As letras remetem a episódios trágicos, como suicídios e assassinatos e assumem o estilo épico-trágico proposto pela banda.

Com uma espécie de hype, proporcionado pelos vários singles lançados, iLiKETRAiNS não terá dificuldades em vender seu desespero. E mesmo algumas músicas apelando para o exagero melódio (e conceitual também) da morte e angústia. A capacidade de manter a coesão no disco e as ótimas bases de piano e guitarras livram o ouvinte do cansaço e seguram a estrutura toda. [Paulo Floro]

NOTA: 6,5

 

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