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HOMEM-MORCEGO REQUENTADO
Revistas de Batman publicadas no Brasil não inova ao explorar mitologia do herói. Títulos Batwoman e Batman & Robin são destaques

Por Paulo Floro

Passado quase um ano da chegada da reformulação da DC Comics, Os Novos 52, no Brasil, já é possível analisar com alguma perspectiva as HQs, que teoricamente, deram um sopro de frescor à cronologia de heróis como Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, entre outros. A começar pelas HQs de Batman, que tem dois títulos publicados pela Panini, vemos que as histórias seguiram na média, sem nada que justificasse tanto burburinho. De longe, o maior destaque é Batwoman, escrito e desenhada por J. H. Williams III.

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Já falamos bem desta HQ na coluna da Garota Sequencial e neste post do JazzMetal. Trata-se de uma obra que abusa do estilo visual dos quadrinhos, explorando as possibilidades de enquadramento, letreiramento, cores e narrativa sequencial. Só pela arte já seria uma história que valeria a pena. Mas, o roteiro também é algo a se destacar. Williams traz romance, humor e leva a aventura a um nível de tensão ao contar os rumos de uma investigação sobre crianças desaparecidas.

A Batwoman de J.H. Williams

A Batwoman de J.H. Williams

A Batwoman, lésbica assumida, namora uma das detetives da polícia de Gotham, o que gera situações engraçadas e perigosas. A abordagem gay não tem nada de apelativa e foi bastante elogiada pela comunidade LGBT, sendo lembrada no famoso prêmio GLAAD contra a difamação homossexual. O único problema para nós brasileiros é que a HQ faz parte do mix de A Sombra do Batman, revista de 148 páginas que reúne heróis vigilantes de Gotham e que atuam sob a influência do Homem-Morcego. É um investimento alto por mês para poucas histórias interessantes.

Panini_Batman08novos2Além desta, vale destacar Mulher-Gato, escrita por Judd Winick e desenhada pela brasileira Adriana Melo. A história aposta no anti-heroísmo e não usa falso moralismo ao mostrar a personagem como a ladra que é. O desenho de Adriana tem certo exagero, mas combina com a ladra, que aparece em praticamente todos os quadros sensualizando pesado. Não tem nada de extraordinário aqui, mas é aquela HQ que flui bem e diverte muito rápido. Mas, quem inova é Batman e Robin, história que abre o mix todos os meses. Peter J. Tomasi aproveita a deixa pensada por Grant Morrison e explora todo o relacionamento de Batman e seu filho Damian, o atual Robin.

Asa Noturna ainda não trouxe nenhuma novidade.

Asa Noturna ainda não trouxe nenhuma novidade.

Na reformulação, a DC acertou ao deixar Damian como Robin. Depois de décadas, a relação Batman-Robin ficou esgotada, e agora atuando ao lado de seu filho, o personagem tem muito mais a mostrar. Com desenhos de Patrick Gleason, a trama é pautada pelo tema da paternidade, mas ainda encontra tempo para uma aventura bem violenta. De resto, a revista vai do medíocre ao muito ruim. A decisão (acertada, quero adiantar) de publicar os 52 títulos dos Novos 52 no Brasil tem como efeito colateral esse tanto de HQs ruins, muitas inclusive que já foram canceladas nos EUA.

Batgirl, escrita pela veterana Gail Simone até teria potencial se não ficasse tão presa aos clichês das aventuras de super-heróis (“um trauma vai acontecer e vou me vingar, mesmo com todos os perigos explodindo na minha cara”). A editora decidiu deixar a personagem Barbara Gordon como a heroína, mesmo após ter sido baleada pelo Coringa. Batwing, escrito por Judd Winick e desenhado por Dustin Nguyen, vem pra dar um toque cyberpunk ao universo Gotham, mas praticamente não existe sem a participação de Batman. Scott Lobdell (conhecido pelo trabalho nos X-Men) tenta chamar atenção para Capuz Vermelho e os Foragidos, mas, é difícil chegar à edição 3 de tão mediana. Asa Noturna (Kyle Higgins e Eddy Barrows) é para quem gosta de aventuras clássicas, mas seu problema é ser muito auto-referente, abusando de flashbacks e temas ligados à cronologia Batman.

Três títuos do Homem-Morcego foram reunidos na revista mensal Batman.

Três títuos do Homem-Morcego foram reunidos na revista mensal Batman.

O Batman de sempre (ou quase)
A revista Batman, de 68 páginas, traz três histórias, reunindo os títulos Batman, Detective Comics e Batman: The Dark Knight. A DC chamou um time de reconhecido talento para tocar essas HQs principais do personagem, mas vem conseguindo um nível apenas mediano. Há muito o que ser explorado da mitologia de Batman, e os escritores ainda precisam abusar mais da criatividade para fugir do óbvio.

panini_n52_sombbatman_08Scott Snyder (autor de Vampiro Americano), em Batman, faz a melhor história das três, levantando questões sobre a sanidade do Homem-Morcego, sua relação doentia com os vilões e sua tentação de apelar para a hiperviolência. Já as outras duas ainda patinam para achar um tom original no que já foi mostrado sobre Batman. Tony Salvador Daniel, que escreve e desenha, chama atenção apenas pelo traço, em Detective Comics. Já Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Paul Jenkins e David Finch, dois nomes de destaque na indústria de HQs não conseguem trazer nada de novo no embate do herói com vilões como Bane.

Neste mês, alguns títulos do Homem-Morcego se interligam na primeira saga desta nova fase, “A Noite das Corujas”. Para quem retomou a leitura de HQs, pode ver que o saldo até aqui é negativo em histórias boas. Mas, nunca a qualidade editorial dos super-heróis da DC Comics esteve tão bom em terras brasileiras. É bom dar uma chance.

BATMAN
Scott Snyder (roteiro), Greg Capullo (arte)
[Publicado na revista mensal Batman, R$ 76 páginas, R$ 7,20]
Editora: Panini Comics
Tradução: Bernardo Santana e Levi Trindade

Nota: 7,5

DETECTIVE COMICS
Tony Salvador Daniel (roteiro e arte)
[Publicado na revista mensal Batman, R$ 76 páginas, R$ 7,20]
Editora: Panini Comics
Tradução: Bernardo Santana e Levi Trindade

Nota: 4,5

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS
Paul Jenkins (roteiro), David Finch (arte)
[Publicado na revista mensal Batman, R$ 76 páginas, R$ 7,20]
Editora: Panini Comics
Tradução: Bernardo Santana e Levi Trindade

Nota: 4,8

BATMAN E ROBIN
Peter J. Tomasi (roteiro) e Patrick Gleason (arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Bernardo Santana e Levi Trindade

Nota: 7,6

BATWING
Judd Winick (roteiro) e Dustin Nguyen (arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Caio Lopes e Levi Trindade

Nota: 4,0

BATGIRL
Gail Simone (roteiro) e Ardian Syaf, Alitha Martinez (arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Rodrigo Oliveira e Bernardo Santana

Nota: 5,0

MULHER-GATO
Judd Winick (roteiro) e Adriana Melo (arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Caio Lopes

Nota: 7,0

CAPUZ VERMELHO E OS FORAGIDOS
Scott Lobdell (roteiro) e Keneth Rocafort (arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Mario Luiz C. Barroso

Nota: 4,8

ASA NOTURNA
Kyle Higgins (roteiro) e Eddy Barrows (arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Rodrigo Oliveira e Levi Trindade

Nota: 6,0

BATWOMAN
J.H. Williams III (texto e arte)
[Publicado na revista mensal A Sombra de Batman, R$ 146 páginas, R$ 15,90]
Editora: Panini Comics
Tradução: Bernardo Santana e Levi Trindade

Nota: 9,0

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