Série de Greg Rucka e Michael Lark traz uma trama de fim do mundo pela visão dos opressores

Crítica: HQ Lazarus mistura distopia sci-fi com conspiração de família
NOTA7.5

Greg Rucka já provou inúmeras vezes que é um dos melhores contadores de histórias do quadrinho industrial americano. É dele, por exemplo, uma das fases mais legais da Mulher-Maravilha, além de trabalhos mais autorais como Whiteout (que saiu por aqui pela Devir e que recomendamos bastante).

Lazarus, gibi da Image Comics com arte de Michael Lark, é mais um de seus trabalhos a ganhar edição no Brasil. Trata-se de uma interessante trama de distopia pós-apocalíptica com diversos bons momentos.

Na trama, o mundo agora está dividido não mais em fronteiras políticas, mas fronteiras econômicas e as poucas famílias concentram toda a riqueza disponível, e com ela, o poder sobre as pessoas e as coisas. Aqueles poucos que fornecem serviços para essas famílias, os servos, estão protegidos, mas a imensa maioria de pessoa fora dessa pirâmide são conhecidos como refugos. E para eles não há chance alguma. Em cada uma dessas famílias sempre há uma pessoa que receber o melhor treinamento, tecnologia e recursos e é tida como uma mistura de guarda-costas, espião e protetor. Elas são conhecidas como Lazarus. Na história somos apresentados à família Carlyle e sua Lazarus, Forever.

O mundo da HQ é uma mistura de sociedade medieval feudal com trama de ação estilo Mad Max, onde a terra arrasada gera uma atmosfera tensa e lúgubre permanente. Tem também muito das conspirações de família como visto em histórias de máfia como O Poderoso Chefão, Senhores do Crime, e outros.

Rucka merece todos os créditos por criar um mundo tão verossímil sem soar didático ou prolixo demais. Fez isso através de personagens carismáticos e caracterização cuidadosa que conferiu complexidade ao ambiente e pessoas. Ele ainda mostrou as ações desse pós-mundo distópico do ponto de vista dos opressores, o que é uma perspectiva incomum se compararmos outras tramas com a mesma proposta a exemplo de Jogos Vorazes, Blade Runner, Mad Max, Akira, entre outros.

Mas a trama ainda se apoia demais em alicerces já bastante utilizados nas diversas searas em que toca. Das histórias de conspirações familiares temos irmãos traidores e uma filha se esforçando em ganhar a aprovação do pai (ao mesmo em que é manipulada por esse amor). Dos roteiros de ação sci-fi temos a personagem super-poderosa, pero frágil, que compensa as inseguranças com violência. Rucka sabe utilizar esses tropos com inteligência e cria uma narrativa fluida e com sequências bem construídas, com destaque para o início quase sem diálogos.

A arte de Michael Lark, ainda que esteja distante de seus melhores trabalhos (caso de Gotham City Contra o Crime) tem a atmosfera ideal para a trama de Lazarus.

Lazarus ganhará adaptação para uma série de TV feita em parceria com a Legendary (estúdio dos filmes de Nolan com o Batman) e a Amazon Studios.

LAZARUS VOL. 1
[Devir, 108 páginas, R$ 54,90 / 2018]
Tradução de Kleber de Souza
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