Crítica-HQ: Justin emociona e informa ao tratar da transexualidade
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Nascido em um corpo de menina, o pequeno Justin sabia desde o início que o que era – um menino. Esse drama da transexualidade vem ganhando cada vez mais espaço e voz nas artes, e nos quadrinhos não seria diferente. A HQ da autora Gauthier, lançada pela Nemo este ano, traz bastante empatia para falar do assunto em um traço muito bonito e expressivo.

Justin, a HQ, acompanha os passos do personagem de mesmo nome, desde quando ainda se chamava “Justine”, seu nome de batismo, até a auto-aceitação da sua identidade sexual. Traz ainda os percalços e enfrentamento do preconceito durante a transição.

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A HQ tem um texto fluido, uma narrativa bem simples e chega a ser simplório no desenvolvimento da trama, mas cumpre o papel de ser uma leitura empática com uma questão tão série na vida de tanta gente.

Abordando diversos aspectos da transexualidade na juventude, Justin se coloca o desafio de responder a pergunta “como é ser um menino preso em um corpo de menina?”, o que fica explícita desde a capa.  A intenção de informar é muito presente na obra, que torna o gibi bastaste valioso no Brasil, hoje o país que mais mata pessoas trans no mundo.

A autora usa personagens antropomórficos, o que tanto suaviza a complexidade do tema, quanto potencializa a expressividade dos personagens.

Autora de O Enterro das Minhas Ex, também lançado pela Mino, Gauthier tem um estilo quase minimalista, de requadros grandes e poucos diálogos. Quase não há cenários, o que é compensado com bonitas composições subjetivas para expressar os sentimentos dos personagens. Com Justin ela usa toda essa objetividade estética para dar visibilidade e ampliar o debate sobre a transexualidade. A edição da Nemo é caprichada, sem luxos desnecessários, e segue praticamente o mesmo formato de outras obras do quadrinho francês recente.

JUSTIN
De Gauthier
[Nemo, 108 páginas, 39,80 / 2018]
Tradução: Fernando Scheibe

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