Crítica-HQ: Batwoman - Renascimento é uma aventura gay e também uma boa história de super-heróis
NOTA7.5

Nova fase da personagem traz uma narrativa de ação e reafirma a heroína como uma das mais carismática do batverso

A Batwoman figura hoje como uma das personagens mais queridas de quem busca perspectivas diferentes dentro do universo dos quadrinhos mainstream de super-heróis. Ver histórias de uma vigilante lésbica em um título próprio é algo que merece ser celebrado, consumido.

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O volume encadernado,  que chegou às bancas e lojas recentemente, reúne os primeiros números da reformulação da DC Comics conhecida como “Renascimento” e, ainda que esteja bem distante da inovação e primor estético da primeira fase dos “Novos 52” (a reformulação anterior), ainda assim é um gibi acima da média do que está sendo feito hoje na seara dos supers. Uma aventura gay com romance, ação e algum humor estrelado pela mais querida personagem a habitar a superpovoada comunidade de heróis de Gotham City.

Na trama principal, Kate Kane, a Batwoman, precisa lidar com alguém que está vendendo armamento de alta tecnologia no mercado negro. Mas o que piora a situação é que esse evento está diretamente ligado com seu passado na ilha fictícia de Coryana, um local esquecido onde foras-da-lei vivem uma espécie de comuna criminosa. Foi lá que Kate passou um ano inteiro de sua vida envolvida com a líder do local. O relacionamento da heroína com essa matriarca do crime quase a fez anular a si própria em um relacionamento tóxico que ainda repercute na sua vida atual.

A história vai e vem em flashbacks e mostra a heroína tratando desses ecos do passado que retornam para assombrá-la. É interessante que a sexualidade da personagem segue sendo parte importante do enredo, o que é incrível, uma vez que os LGBTs ainda são subrepresentados nas histórias em quadrinhos de super-heróis. Marguerite Bennet e James Tynion IV usam essa característica a favor da história, de maneira muito interessante, natural.

A nova fase também deu destaque para o QG móvel da Batwoman (um iate!) e a assistente high-tech Julia Pennyworth, o que rende diálogos bem divertidos. A arte de Steve Epting é bem comedida, mas ele consegue criar sequências bem expressivas que lembram sua ótima fase nos Vingadores, nos anos 1990. Epting vai bem no feijão com arroz, mas sua arte é sempre eficiente, com destaque para o domínio que possui em narrativas de ação. Mas não é, de fato, um autor que se destaca pela ousadia, pelo espetáculo visual. Por isso, quem curtiu a Batwoman dos Novos 52 por conta da arte, vai se decepcionar um pouco aqui.

O encadernado ainda traz duas histórias desenhadas por Stephanie Hans, onde temos um pouco mais sobre o relacionamento conturbado de Kate Kane e uma com arte de Renato Arlem, de longe a história mais fraca desse gibi.

A nova fase Renascimento mostra que a Batwoman tem carisma suficiente para seguir com seu título e figurar como uma das personagens mais importantes do batverso. Mas esse título está bem distante da fase Novos 52 feita por J. H. Williams III, que trouxe experimentações visuais e uma trama bem original (uma das melhores coisas já feitas na DC nos últimos anos). A comparação é inevitável: quando se alcança um nível criativo tão alto, a expectativa sempre será alta. Ao menos a DC está se esforçando aqui, buscando tramas que destaquem Kate Kane como uma personagem complexa, com nuances e pautando quadrinistas mulheres, como é o caso de Bennet e Stephanie Hans.

Bom acerto também da Panini, que livrou os fãs da personagem de acompanhar títulos mensais, com histórias muitas vezes dispensáveis, apenas por conta da Batwoman. O encadernado, desde o preço até a impressão e formato, está perfeito.

BATWOMAN – RENASCIMENTO VOL. 1
Por Marguerite Bennett, James Tynion IV (texto) e Steve Epting, Stephanie Hans e Renato Arlem (arte)
[Panini Comics, 164 páginas, R$ 24,90 / 2018]
Tradução de Dandara Palankof e Pedro Catarino

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