Foto: Divulgação/Nemo.

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HQ explora um mundo altamente dependente de tecnologia

Um gorila robô, um viciado em drogas, um um mundo pós-apocalíptico e uma sociedade altamente dependente de robótica e biotecnologia. Com esses motes centrais, Aâma, a série em quadrinhos do suíço Frederik Peeters, firma seu charme dentro do gênero ficção-científica. É um dos trabalhos mais inventivos dos quadrinhos lançados nos últimos anos e cujo primeiro volume acaba de chegar às livrarias e comic-shops do Brasil, pela Nemo.

A trama se passa na Terra em um futuro distante. O roteiro mostra o ponto de vista de Verloc Nim, um homem com amnésia que acessa o seu próprio diário, entregue pelo robô-gorila Churchill. É quando ele passa a descobrir mais sobre seu passado: perdeu o emprego, a filha e a esposa e agora vive uma vida miserável em uma sociedade tecnocrata, altamente dependente de tecnologia.

Nesse caos que se encontra sua vida, Verloc decide acompanhar o irmão e o gorila até um planeta chamado Aâma, onde um objeto misterioso precisa ser recuperado. Chegando lá eles encontram uma antiga comunidade humana exploratória, que ficou sem contato algum por cinco anos. O encontro serve para dar um choque sobre o estado atual da humanidade e os extremos a que pode nos levar a tecnocracia.

Foto: Divulgação/Nemo.

Foto: O mais impactante de Aâma é propor um futuro como um exagero dos dias atuais (Divulgação/Nemo).

Peeters parece perguntar em sua obra se alguma “essência” humana que pode ficar salva dentro de um contexto onde tudo parece depender de tecnologia e suportes artificiais – moradia, corpo humano, energia, relacionamentos. Mas não é uma visão pessimista. A HQ é sagaz ao colocar essas questões de maneira sóbria, sem formular respostas para essa reflexão. A empatia com o leitor é feita na imaginação do futuro a partir de um exagero da nossa situação atual.

Aâma também entrega um cenário bem rico e detalhado, ideal em qualquer trama de ficção-científica, mas Peeters se safa da pretensão de apresentar todos os detalhes desse mundo, deixando ao leitor basicamente com as impressões e conhecimentos de seu protagonista. A obra foi premiada com o troféu do Festival de Angoulême, o mais famoso da Europa, no seu segundo volume.

A edição da Nemo traz um formato simples, mas de boa qualidade, o que garantiu bom preço final. O único problema é que faltou uma introdução sobre a obra e seu autor. Não há nem mesmo informações básicas na contracapa. A editora promete um segundo volume ainda este ano.

aamaAÂMA VOL. 1- O CHEIRO DE POEIRA QUENTE
De (texto e arte)
[Nemo, 88 págs, R$ 39 / Galimard / 2014]
Tradução: Fernando Scheibe
[Recomendado]
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Nota: 8,5

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