Todo trabalho na zona de conforto

Por Paulo Floro

O Guided By Voices está ligado ao velho conservadorismo de fãs antigos do indie-rock americano que só mesmo esse pessoal pode ver alguma criatividade que dê relevância para Let’s Go Eat The Factory, novo trabalho da banda liderada por Robert Pollard. Tido como um dos retornos mais aguardados deste ano, o álbum serve como exercício de saudosismo de um grupo que já entregou coisas como Isolation Drill (2001) e Do Collapse (1999).

Cada acorde do disco tenta manter a boa fama de Pollard, que nas suas centenas dezenas de discos, sempre teve uma recepção favorável, mas nunca um clássico. É nessa zona de conforto que ele quer se manter, pelo visto. Oito anos depois sem lançar nada, acreditaram que o melhor foi mesmo chegar sem assustar, sem fazer surpresa. Depois, se quiserem podem seguir sumidos por mais um tempo ou voltar a soltar um álbum por ano, em média, como vinham fazendo.

Não que estar sempre na média seja algo ruim, mas nenhum faixa de Let’s Go Eat The Factory parece querer aparecer, criando uma monotonia em um trabalho que merecia ser explosivo pela expectativa com que era aguardado. Pollard chegou a dizer que o disco seria “muito diferente” do que já tinham feito. Só que estão apenas vivendo num repeat. Fãs da banda, e mais ainda, fãs dos anos 1990 (incluindo este que vos escreve), terão mais um trabalho irrepreensível, corretinho.

Que ninguém culpe o Guided By Voices de fazer ode a si mesmos e celebrar o que todo mundo já está acostumado e sabe que dá certo: Let’s Go Eat The Factory foi feito para acertar o alvo sem errar. Produzido pelo próprio grupo e lançado pelo selo próprio, o lo-fi mostra que envelheceu bem, ao menos. Faixas para provar: “The Unsikable Fats Domino”, “Doughnut For A Snowman” e “Who Invented The Sun” são alguns exemplos.

GUIDED BY VOICES
Let’s Go Eat The Factory
[Guided By Voices, 2011]

Nota: 5,9

Ouça: “Doughnut For A Snowman”

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